Continuação do Capítulo
“Dialogar”.
Embora seja aceitável a
utilização a pronúncia incorreta perante grupo homogêneo destituído de
conhecimento gramatical, quando alguém profere vocábulos que deveriam conter o
“s” do plural ou o “r” do infinitivo da conjugação verbal, não se pode cometer
tais erros diante de pessoas alfabetizadas. Exemplos:
Almoçamo junto!
Vamo ao cinema!
Meu óculos! (Corretamente: meus
óculos).
Os número são esse!
Quero anunciá o meu noivado!
Vô me formá pra tê melhó
chance na vida!
A pessoa que desenvolve
sensibilidade para ouvir, passa ter muito mais capacidade para corrigir os
próprios erros. Desta forma, não comete equívocos a pessoa que evita a
repetição de bobagens. Exemplos:
“Detalhes tão pequenos de nós dois!” (Roberto Carlos).
(Redundância. Detalhes e pequenos agregam o mesmo significado).
“...há dez mil anos atrás!” (Raul Seixas e Paulo Coelho).
(Redundância. Há e atrás agregam o mesmo significado, havendo, desta forma, a presença
de palavras supérfluas na frase).
Outros
exemplos: amanhecer o dia; antecipar para antes; criar novos; panorama geral;
prioridade principal…
“É devagar, devagarinho...” (Martinho da Vila).
(Forma correta: devagarzinho. Palavras oxítonas recebem o sufixo zinho).
Ambiguidade ou anfibologia é a
erronia que é manifestada pela falta de clareza contida na
expressão, evidenciando o duplo sentido. Exemplos:
José
viu a Eliana beijando a sua prima. (sua: de quem?)
O
corrupto matou o “laranja” dentr'o de sua casa. (na casa do corrupto ou do
“laranja”?)
O policial
levou a idosa para sua residência. (residência de quem? Dela ou do policial?)
(Forma correta: O policial levou a idosa até a casa dela).
Neologismo:
emprego de novas palavras que não foram incorporadas ao idioma.
Como
exemplo de neologismo, temos a expressão “focado”. O verbo "focalizar" com o
significado de "concentrar" é um anglicismo que se derivou do inglês
"to focus".
Por
interferência fonética, as pessoas que gostam de repetir “novidades”
instituíram o verbo "focar", assustando as focas do planeta.
Do verbo “focar”, experientes “mestres“ do
neologismo incorporaram sistema o sufixo "izar" e ofereceram o verbo
"focalizar" como opção gramatical para os adeptos do neologismo
semântico,enquanto os filólogos do Brasil, de Portugual e dos países lusófonos ficavam perplexos com a “dedicação” das pessoas que insistem em ficar
“focadas” para demonstrar que estão falando “bonito”, alinhadas com a expressão
mal traduzida do inglês, para substituir “concentrar a atenção em alguém ou em
algo”.
Em verdade, FOCO é substantivo
masculino e significa: em óptica, um ponto para o qual converge ou de onde
diverge um feixe de luz, através de lentes ou sistemas de espelhos (farol,
facho ou lugar de onde emana luz). Em geologia é o ponto de origem de ondas
sísmicas. Em medicina e higiene FOCO corresponde ao lugar onde há uma lesão ou
ainda o lugar de onde provêm doenças.
Os verbos FOCAR, FOCALIZAR e
ENFOCAR significam, em óptica, ajustar ou arrumar dispositivos de maneira que
formem imagens nítidas. Apresentando sentido figurativo, significam fazer
voltar a atenção, o estudo para algo ou alguém; salientar, evidenciar.
Como substantivo masculino
ENFOQUE significa: maneira de enfocar ou focalizar um assunto, uma questão.
Para evidenciar o bom
português, quando se afirma que as pessoas estão envolvidas, determinadas,
diz-se que estão CONCENTRADAS no FOCO, ou com a atenção totalmente voltada para
a consecução do objetivo, considerando-se que a tradução do adjetivo inglês
“FOCUSSED” para o português, resulta “concentrado (mentalmente)” e não
“focado”.
Desta forma, arrisca-se a ser
vista como “repetidora de bobagens” a pessoa que se afirma “focada” quando
deveria utilizar a palavra determinada, concentrada ou aplicada em relação a
determinado objetivo.
Continuação na próxima semana.
