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    23/05/2016

    LÍNGUA PORTUGUESA|Professor Fernando Marques


    Continuação do Capítulo “Dialogar”.

    Embora seja aceitável a utilização a pronúncia incorreta perante grupo homogêneo destituído de conhecimento gramatical, quando alguém profere vocábulos que deveriam conter o “s” do plural ou o “r” do infinitivo da conjugação verbal, não se pode cometer tais erros diante de pessoas alfabetizadas. Exemplos:
    Almoçamo junto!
    Vamo ao cinema!
    Meu óculos! (Corretamente: meus óculos).
    Os número são esse!
    Quero anunciá o meu noivado!
    me formá pra tê melhó chance na vida!

    A pessoa que desenvolve sensibilidade para ouvir, passa ter muito mais capacidade para corrigir os próprios erros. Desta forma, não comete equívocos a pessoa que evita a repetição de bobagens. Exemplos:
    “Detalhes tão pequenos de nós dois!” (Roberto Carlos). (Redundância. Detalhes e pequenos agregam o mesmo significado).
    “...há dez mil anos atrás!” (Raul Seixas e Paulo Coelho). (Redundância. Há e atrás agregam o mesmo significado, havendo, desta forma, a presença de palavras supérfluas na frase).
    Outros exemplos: amanhecer o dia; antecipar para antes; criar novos; panorama geral; prioridade principal…
    “É devagar, devagarinho...” (Martinho da Vila). (Forma correta: devagarzinho. Palavras oxítonas recebem o sufixo zinho).

    Ambiguidade ou anfibologia é a erronia que é manifestada pela falta de clareza contida na expressão, evidenciando o duplo sentido. Exemplos:
    José viu a Eliana beijando a sua prima. (sua: de quem?)
    O corrupto matou o “laranja” dentr'o de sua casa. (na casa do corrupto ou do “laranja”?)
    O policial levou a idosa para sua residência. (residência de quem? Dela ou do policial?) (Forma correta: O policial levou a idosa até a casa dela).

    Neologismo: emprego de novas palavras que não foram incorporadas ao idioma.
    Como exemplo de neologismo, temos a expressão “focado”.  O verbo "focalizar" com o significado de "concentrar" é um anglicismo que se derivou do inglês "to focus".
    Por interferência fonética, as pessoas que gostam de repetir “novidades” instituíram o verbo "focar", assustando as focas do planeta.
     Do verbo “focar”, experientes “mestres“ do neologismo incorporaram sistema o sufixo "izar" e ofereceram o verbo "focalizar" como opção gramatical para os adeptos do neologismo semântico,enquanto os filólogos do Brasil, de Portugual e dos países lusófonos ficavam perplexos  com a “dedicação” das pessoas que insistem em ficar “focadas” para demonstrar que estão falando “bonito”, alinhadas com a expressão mal traduzida do inglês, para substituir “concentrar a atenção em alguém ou em algo”.
    Em verdade, FOCO é substantivo masculino e significa: em óptica, um ponto para o qual converge ou de onde diverge um feixe de luz, através de lentes ou sistemas de espelhos (farol, facho ou lugar de onde emana luz). Em geologia é o ponto de origem de ondas sísmicas. Em medicina e higiene FOCO corresponde ao lugar onde há uma lesão ou ainda o lugar de onde provêm doenças.
    Os verbos FOCAR, FOCALIZAR e ENFOCAR significam, em óptica, ajustar ou arrumar dispositivos de maneira que formem imagens nítidas. Apresentando sentido figurativo, significam fazer voltar a atenção, o estudo para algo ou alguém; salientar, evidenciar.
    Como substantivo masculino ENFOQUE significa: maneira de enfocar ou focalizar um assunto, uma questão.
    Para evidenciar o bom português, quando se afirma que as pessoas estão envolvidas, determinadas, diz-se que estão CONCENTRADAS no FOCO, ou com a atenção totalmente voltada para a consecução do objetivo, considerando-se que a tradução do adjetivo inglês “FOCUSSED” para o português, resulta “concentrado (mentalmente)” e não “focado”.
    Desta forma, arrisca-se a ser vista como “repetidora de bobagens” a pessoa que se afirma “focada” quando deveria utilizar a palavra determinada, concentrada ou aplicada em relação a determinado objetivo.  

    Continuação na próxima semana.