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    29/05/2014

    MPE proíbe eventos públicos em cidade de MS por falta de segurança

    Eventos noturnos foram proibidos por falta de policiais, segundo o MPE.No dia 14 de maio, tiroteio em danceteria terminou em feridos e 1 morto



    Avenida Internacional divide Coronel Sapucaia e Capitán Bado, no Paraguai
     (Foto: Divulgação/Assessoria de Imprensa de Coronel Sapucaia)

    Eventos públicos noturnos estão proibidos desde terça-feira (27/5) em Coronel Sapucaia, distante 380 quilômetros de Campo Grande. De acordo com o Ministério Público Estadual (MPE), falta policiamento no município e a medida foi tomada em reunião realizada na semana passada entre o Poder Judiciário e polícias.

    O delegado de Polícia Civil de Coronel Sapucaia, Leandro Costa de Lacerda Azevedo, confirmou aoG1 a proibição de eventos por falta de segurança e lembrou que está em andamento um concurso público para investigadores e escrivães.

    A assessoria de imprensa da Polícia Militar (PM) afirmou ao G1 que o policiamento foi intensificado na cidade, que foi apontada no Mapa da Violência 2008 como a mais violenta do país em 2006.

    No Mapa da Violência 2014, divulgado nessa terça-feira, Coronel Sapucaia figura em 43º lugar entre as mais violentas do estado. O Centro Brasileiro de Estudos Latino Americano, responsável pelo estudo, calculou o número de homicídios ocorridos em 2012 e comparou com o número de habitantes, que somam 14 mil.

    O promotor de Justiça Luiz Eduardo Sant'anna explicou que em análise a boletins de ocorrência foi observado que muitos crimes aconteceram em eventos festivos. Tanto por falha de organização dos realizadores como pela falta de policiamento ostensivo.

    O último caso aconteceu no dia 14 de maio, em uma danceteria. Três pessoas foram baleadas e um rapaz morreu a tiros "evidenciando a falta de adoção das medidas necessárias", fala Sant'anna.

    Em debate sobre a situação, ficou definido pela "suspensão dos alvarás para realização de festas na cidade, até que sejam estudadas e implementadas medidas preventivas para evitar a prática de atos de violência e as festas públicas estejam preparadas para acolher, com segurança, conglomerado de pessoas que buscam lazer e entretenimento. Sacrifica-se, portanto, interesse de um grupo restrito de pessoas, em prol da paz coletiva", declara o promotor.

    Nesta terça-feira, o delegado recém-empossado como titular da delegacia de Polícia Civil do município, assinou portaria suspendendo "por tempo indeterminado" a emissão de alvarás para realização de "festas noturnas abertas ao público em geral, com ou sem fins lucrativos, danceterias e boates, eventos de grandes proporções noturnos e outros que a autoridade policial entender serem perigosos para a segurança pública"

    Em relação a eventos diurnos, Azevedo explica que será avaliado caso a caso e que festas particulares, sem fins lucrativos, desde que não haja grande concentração de pessoas, não precisam de alvarás da Polícia Civil.

    Já a autorização policial para funcionamento de bares, restaurantes, lojas de conveniência, clubes, cinemas, teatros e similares, dependerá de alvarás de outras autarquias, como Corpo de Bombeiros e prefeitura.

    Na Justiça

    Conforme Sant'anna, em 2012, o MPE abriu Inquérito Civil para apurar a situação da segurança pública na região. Segundo ele, em abril de 2014 foi ajuizada Ação Civil Pública que pede à Justiça que determine ao governo do estado a lotação imediata de pelo menos seis policiais civis e oito militares para atuação na cidade de Coronal Sapucaia.

    Audiência pública

    Em reunião realizada no dia 24 de março com participação de várias autoridades, o MPE expôs que Coronel Sapucaia ficou sem delegado titular a partir de março de 2013. O cargo só foi assumido há cerca de duas semanas.

    Na audiência pública, conforme a ata, o juiz César de Souza Lima, da comarca de Amambai, a qual Coronel Sapucaia pertence, falou que arquivou 53 boletins de ocorrência de homicídios registrados no município, "tendo em vista a falta de estrutura necessária, resultando em casos sem solução".

    Na ata da audiência pública, consta ainda que tanto o magistrado, quanto promotores de Justiça e políticos da região, verificaram a falta de estrutura dos órgãos de segurança da região e que faltam policiais.

    Chafariz da praça central de Coronel Sapucaia
    (Foto: Divulgação/Assessoria de imprensa de Coronel Sapucaia)





    Do G1 MS/JE
    Por: 
    Nadyenka Castro