Homônimo do petista era alvo de brincadeiras, como pedidos de aumento.
Engenheiro agrônomo agora trabalha como consultor ambiental.
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| Agora consultor ambiental, engenheiro agrônomo Azzi Haddad ajuda empresas. Ele foi fotografado em área na Pompeia que ajudou a arborizar (Foto: Caio Kenji/G1) |
"Ô, prefeito, me dá um aumento?" foi uma das frases que Fernando Azzi Haddad mais ouviu nos corredores da Prefeitura de São Paulo a partir de 2013. O pedido era na verdade uma brincadeira que colegas de trabalho faziam com o funcionário da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente que tem praticamente o mesmo nome do prefeito e que acaba de deixar a Prefeitura para trabalhar como consultor ambiental.
Apesar do sobrenome do meio "Azzi", Haddad ficou conhecido como "prefeito" na secretaria, onde atuou como coordenador na área de arborização da cidade. Durante três meses ouviu piadinhas com pedidos de aumento ou férias e críticas pela criação das faixas exclusivas de ônibus na cidade. “O que é que você fez? Não está dando certo, volte atrás”, diziam colegas indignados com o trânsito em avenidas como a 23 de Maio.
Azzi Haddad, aos 31 anos, afirma não se sentir incomodado com as comparações. Apenas teve receio de abrir e-mails endereçados ao prefeito e que vieram parar em sua conta, que era fhaddad@prefeitura, endereço provavelmente parecido com o do governante municipal. Entre as mensagens está uma do governo federal, com tabelas em anexo. Também chegaram e-mails com agradecimentos e agendamentos de reuniões, todos ignorados pelo engenheiro.
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Azzi Haddad diz que agora vai investir em
trabalhos de consultoria (Foto: Caio Kenji/G1)
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As semelhanças não ficam só no nome. A família paterna de Azzi Haddad é do Líbano, assim como a do prefeito, e tinha lojas em São Paulo, mesmo caso do pai do prefeito, que tinha uma loja de tecidos na Rua 25 de Março.
Como o prefeito, Azzi é paulistano, mas decidiu estudar engenharia agronômica em Botucatu, no interior de São Paulo. Começou a carreira trabalhando para o Instituto Nacional da Reforma Agrária (Incra) preparando o cultivo em assentamentos.
Na Prefeitura
Entrou para a Prefeitura em 2009, na gestão Gilberto Kassab (PSD). Seu posto de trabalho foi o Viveiro Manequinho Lopes, no Parque Ibirapuera. Ele recebia mudas enviadas por construtoras ou donos de imóveis que precisavam fazer compensação ambiental para realizar suas obras. De lá, as árvores eram distribuídas para parques da cidade e para as subprefeituras, que fazem o plantio nas ruas. Uma das missões do engenheiro era diversificar o plantio nas ruas.
“A cidade deve contar com aproximadamente 150 a 200 tipos de árvores no meio urbano. Isso poderia ser expandido. Muitas espécies nativas têm potencial, mas ainda não se fazem mudas delas”, explica.
Segundo ele, algumas dão um colorido e podem levar um bom efeito visual para os canteiros das marginais, como é o caso dos ipês. Outras oferecem sombras e frutas e podem ser inseridas em vias menores, onde há bastante tráfego de pessoas a pé.
Um dos problemas que enfrentava era o acúmulo de árvores no Viveiro Manequinho Lopes. “Havia árvores de 6 m, 7 m, que estavam começando a morrer”. Uma saída encontrada foi enviar cerca de 70 árvores para um terreno localizado na esquina da Avenida Francisco Matarazzo e o Viaduto Antártica, atendendo uma demanda da Associação Amigos de Vila Pompeia.
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Exoneração de Azzi Haddad foi publicada no
'Diário Oficial' (Foto: Reprodução/Arte G1)
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O trabalho fugiu da função rotineira de fornecer espécies para parques e para a Secretaria das Subprefeituras, e foi preciso buscar equipes livres para fazer o transporte e o plantio das árvores.
Neste começo de mês, Azzi Haddad voltou ao local onde as árvores começaram a ser plantadas em janeiro e disse ter “grande satisfação” de ver que as árvores estão vingando. Lá estão plantadas manduiranas, pau-brasil, anjico, palmito-jussara e sapucaia. “Quando a gente vê que plantou em um lugar difícil e estão muito mais bonitas do que da última vez, a satisfação é grande”, diz.
Licenciamento
Em fevereiro, Azzi Haddad decidiu deixar a prefeitura por entender que seu ciclo no governo municipal havia acabado e que tinha oportunidades para trabalhar por sua conta. Sua exoneração foi publicada no Diário Oficial.
Agora consultor ambiental, Azzi Haddad auxilia empresas a fazer a fazer trabalhos de cadastramento arbóreo, compensações ambientais, paisagismo e também licenciamento ambiental.
Ele diz que ainda há muito a evoluir quando o assunto é a questão ambiental no Brasil. As licenças ambientais, que deveriam ser ferramentas para garantir que um empreendimento traga o mínimo de prejuízo possível ao meio ambiente ou então para vetar determinada construção, acabam muitas vezes apenas encarecendo a construção.
Azzi Haddad elogia a legislação ambiental da cidade de São Paulo e a aponta como uma das mais avançadas do país. Já sobre a gestão de seu homônimo, Azzi Haddad diz ter críticas a medidas tomadas pelo petista, mas que torce para que faça uma boa gestão. "Espero que ele faça uma gestão positiva em todos os setores. Todo mundo está sentindo uma carência em diferentes áreas”, diz.
Ele brinca com possível futuro político do prefeito. “Se ele virar governador ou presidente no futuro, não vou me livrar desse nome tão cedo”, afirma.
Do G1 São Paulo/JE
Por: Márcio Pinho
Por: Márcio Pinho


