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    16/05/2016

    Faxina da corrupção inibe candidaturas e esvazia discursos em Campo Grande

    Por enquanto, apenas os candidatos do PSD, Marquinhos Trad, e do PSDB, Rose Modesto, se movimentam na Capital 

    André Puccinelli chega ao prédio da PF (Foto: Divulgação )

    A campanha eleitoral só começa para valer em agosto, como determina a legislação, mas a verdade é que a faxina da corrupção feita em âmbito nacional e estadual acabou inibindo algumas candidaturas e esvaziando discursos até de grupos políticos históricos em Mato Grosso do Sul.

    Para analistas, vários fatores contribuíram para o recuo de partidos e pré-candidatos até então vistos como favoritos: o escândalo de corrupção na Petrobras, o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, a cassação do senador Delcídio do Amaral e a Operação Lama Asfáltica, que culminou com a prisão do ex-deputado federal Edson Giroto (PR) e outras peças importantes.

    Por conta disso, o ex-governador André Puccinelli, líder maior do PMDB no Estado, foi parar na Polícia Federal, em Campo Grande, para explicar o sumiço milionário de dinheiro dos cofres públicos.

    Por enquanto, apenas os candidatos do PSD, deputado estadual Marquinhos Trad, e do PSDB, vice-governadora Rose Modesto, se movimentam na Capital em torno da sucessão do prefeito Alcides Bernal (PP).

    Ex-secretário de Obras da prefeitura e do governo de André Puccinelli, Giroto foi o primeiro a retirar sua candidatura a prefeito, deixando também a presidência regional do PR.

    O suposto envolvimento de André Puccinelli e Giroto no desvio de dinheiro público deixou o PMDB e o PR órfãos na Capital, isso porque até o momento ninguém de habilitou a dizer publicamente que deseja concorrer à prefeitura. 

    Os senadores Waldemir Moka e Simone Tebet, por exemplo, já avisaram que não têm interesse em postular o cargo, coisa que no passado era motivo de disputa interna quando o PMDB era hegemônico na Capital.

    No controle da prefeitura por mais de duas décadas, o partido de André Puccinelli encolheu a partir da saída de importantes quadros liderados pelo ex-prefeito Nelsinho Trad (PTB), Marquinhos Trad e o ex-deputado federal Fábio Trad (PSD).

    O que restou ao partido em termos de opção foi o nome do deputado federal Carlos Marun, que se queimou ao defender publicamente o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), conforme analistas.

    No último dia 5, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki, afastou Cunha alegando que o deputado estava atrapalhando as investigações da Lava Jato, na qual o deputado é réu em uma ação e investigado em vários procedimentos.

    Os peemedebistas até ganharam sobrevida a partir da ascensão do vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP), que assumiu o Palácio do Planalto interinamente a partir do afastamento da presidente Dilma. No enquanto, voltaram a esfriar diante da “detenção” de André Puccinelli, que repercutiu negativamente na mídia nacional.

    Já o recuo dos petistas deve-se ao escândalo envolvendo Delcídio, que foi preso pela Polícia Federal sob alegação de tentar obstruir os trabalhos da Operação Lava Jato. Em gravação telefônica, o senador sugeriu propina e fuga para um dos delatores da Operação, ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró. 

    Dias depois, o senador foi cassado por falta de decoro parlamentar. Esses episódios, portanto, acabaram refletindo negativamente em âmbito estadual.

    Diante disso, o deputado federal Zeca do PT, além de lamentar o envolvimento do correligionário nesse tipo de cena, chegou a dizer à imprensa que não seria mais candidato na Capital, o que não significa que o petista não possa mudar de ideia dependendo do encaminhamento das discussões políticas.

    Sem Zeca na disputa, resta ao PT o deputado estadual Pedro Kemp, que sempre sonhou em comandar a prefeitura da Capital. Integrante da ala xiita do partido, o deputado também calou-se sobre a ideia de candidatura.
    Nelsinho Trad é o nome do PTB (Foto: Divulgação)

    Sequestro de bens

    Em março deste ano, a Justiça decretou a indisponibilidade dos bens no valor total de R$ 315 milhões de Nelsinho Trad, do ex-secretário de Infraestrutura João Antônio De Marco e de outros 19 réus por desvio de recursos em contratos para a realização do serviço de tapa-buraco na Capital.



    A decisão, em caráter liminar, é resultado de apuração feita pelo MPE (Ministério Público Estadual) em contratos da prefeitura com a Selco Engenharia Ltda., empresa flagrada por câmeras de segurança de um condomínio no Parque dos Poderes tapando buracos inexistentes.

    O ex-prefeito, no entanto, nega as acusações. Principal nome do PTB, Nelsinho Trad tem mantido conversações políticas e aparecido nas inserções do partido em horário nobre de televisão convidando eleitores a se filiarem ao partido, prova de que se mexe de olho no cargo que já exerceu por dois mandatos consecutivos.

    Resta saber, porém, se as acusações impedirão o petebista de disputar a prefeitura pela terceira vez.
    Zeca do PT deve desistir (Foto: Divulgação)




    Fonte: conjunturaonline
    Por: Willams Araújo