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    16/02/2016

    Estudantes são queimados em trote com creolina e larvicida: 'ardia muito'

    Após trote, seis calouros precisaram de atendimentos médicos em Vilhena. Procurada, faculdade particular não quis se pronunciar sobre o caso. 

    Lucas diz que quase desmaiou durante trote na faculdade (Foto: Eliete Marques/ G1)
    Seis calouros de agronomia de uma faculdade particular ficaram com queimaduras graves pelo corpo após um trote aplicado dentro da Faculdade da Amazônia (Fama), na noite de segunda-feira (15), em Vilhena (RO). De acordo com os jovens, as lesões foram provocadas por um mistura de creolina e larvicida. Depois da brincadeira, os estudantes feridos deram entrada em hospitais do município. Três vítimas já registraram boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia Civil por lesão corporal.

    Procurada, a direção da Faculdade da Amazônia não quis se pronunciar sobre o trote aplicado pelos alunos de agronomia.

    Em entrevista ao G1, o estudante Lucas Ribeiro Boehm, de 17 anos, contou como aconteceu a brincadeira. "Jogaram lepecid com creolina e, na hora que bateu no corpo, começou a queimar. Senti muita dor. Comecei a pular e não parava a dor. Nesse momento corri para o banheiro. Ardia muito. Fiquei meio tonto, quase desmaiei, e um amigo me trouxe para o hospital", relata Lucas, que ficou internado em um hospital particular da cidade com queimaduras de primeiro grau nas costas, ombro e tórax.
    Jovem diz que correu para tentar lavar, pois ardia bastante (Foto: Eliete Marques/ G1)
    Lucas conta que os veteranos diziam que ninguém era obrigado a participar do trote, porém alertavam que os desistentes não iriam frequentar as festas ao longo do curso. Segundo ele, os universitários rasparam os cabelos dos meninos e passaram larvicida nas mãos e nos pés das meninas. "Todo mundo resolveu fazer, pois achávamos que seria legal participar, por ser o primeiro ano de faculdade. Mas não imaginávamos que seria isso. Jogaram um monte de spray em mim. Tinha gente lá fora da faculdade e quem fugisse seria pior. Foi horrível", descreve.

    A caloura Kelissa Luila Pereira Rodrigues, de 19 anos, também precisou de atendimento médico após o trote. Ela registrou boletim de ocorrência na manhã desta terça-feira (15). "Disseram para gente que iria ser uma brincadeira com tinta. Quando estávamos cheios de tinta, eles começaram a jogar um produto químico na gente, que começou a queimar e a arder. Foi muita dor", relata.
    Kelissa diz ter pensado que trote seria com tinta (Foto: Eliete Marques/ G1)
    Kelissa foi levada para o Hospital Regional, onde ficou em observação. Ela sofreu queimaduras no ombro e braço. "A maioria da turma se feriu. Mas nem todos procuraram atendimento médico na cidade, pois vários moram em outros municípios ou tiveram lesões mais leves. Registrei boletim de ocorrência e espero que se faça alguma coisa. Imagina o que será feito ano que vem, vão matar?", questiona.

    Composição

    Segundo a bula do larvicida, o produto usado no trote é recomendado apenas para o tratamento de bicheiras em animais, provocadas por larvas ou ferimentos externos. A inalação do mesmo é proibida, sendo vetado o uso em aves. O produto também é altamente inflamável.

    Já a creolina é usada em limpeza ou na dissolvição de protudos químicos, como desinfetantes.

    Hospital

    De acordo com a gerência de enfermagem do Hospital Regional, cinco jovens foram atendidos com queimaduras pelo corpo durante a noite. Segundo a gerência, os primeiros quatro calouros atendidos precisavam de internação, mas se negaram, pois moravam em outras cidades e queriam pegar o ônibus de volta.
    Pai de Lucas diz que procurou registrar boletim
     na 
    delegacia (Foto: Eliete Marques/ G1)
    Indignação

    O empresário Edson Roberto Boehm é pai de Lucas e ficou indignado com o caso. Ele procurou a delegacia na manhã desta terça-feira para registrar o caso. "A reação é de revolta, pois o trote seria uma brincadeira. O médico disse que a queimadura poderia chegar a segundo grau, e que a mistura dos reagentes se tornou um ácido, e onde escorreu, queimou. Espero que tome as providências na faculdade, para que isso não aconteça nos próximos anos. Agora, vamos deixar na mão da polícia", diz.

    O eletricista veicular José Rodrigues, pai de Kellisa, também está revoltado com o ocorrido, e diz que apoia a decisão da filha de abandonar o curso. "É muito triste, porque a gente já coloca em faculdade particular, pois acha que é mais seguro. Ela começou com ânsia de vômito, falta de ar, querendo desmaiar. Levei ela nas carreiras para o hospital. Fiquei muito preocupado", ressalta.

    O G1 procurou a Faculdade da Amazônia, mas a direção não quis se pronunciar sobre o trote aplicado pela turma de agronomia. A Polícia Civil deve investigar o caso.




    Do G1 Vilhena e Cone Sul
    Por: Eliete Marques