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| Do lado "vantagem" da calçada, carteiro Valdeci é quem mais chega próximo da resposta. (Foto: Marcelo Victor) |
Por que as calçadas do bairro Taveirópolis são de um lado da rua maiores do que do outro? Em um passeio pelas redondezas da Avenida Albert Sabin, a gente pergunta para quem está na vantagem nessa divisão territorial. Mais larga, nela caberia cadeiras, bancos, sofás, poltronas, até uma mesa para a família toda de dona Jonia Edvirges Cardoso almoçar. E olha que são seis filhos, uma dezena de netos, bisnetos e já quatro tataranetos.
Aos 81 anos, ela é uma das mais antigas moradoras, chegou lá em 1947, logo que os terrenos da então fazenda foram loteados. "Conheci o seu Taveira, eu tinha 15 anos quando me casei, meu sogro que vendeu tudo aqui. Me casei e já vim morar na Albert Sabin. Eu, cuiabana, acabei ficando no Taveirópolis", conta.
Com cadeiras do lado maior da via, ela sabe de cabo a rabo a história, desde as guaviras que colhia quando tudo ainda era mato até os moradores amigos que já se foram. "Isso da calçada foi um prefeito. Acho que o Antônio Canale, mas estou velha rapaz. Daquele lado de lá sempre foi estreito", explica sem saber ao certo.
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| Moradora há 66 anos da região, dona Jonia só não aproveita as cadeiras à sombra para tomar tereré. (Foto: Marcelo Victor) |
Moradora há 66 anos da região, ela só não aproveita as cadeiras à sombra para tomar tereré. "Sou cuiabana, não tomo nada de mate não", brinca.
Um pouco mais adiante, o carteiro Valdeci Felix de Matos, de 50 anos, é quem mais chega próximo da resposta. "Sempre foi assim, é verdade, todas as ruas tem um lado maior que o outro. É bom, acho que foi feito para aumentar a qualidade de vida, mas só para quem está deste lado não é?", brinca.
A auxiliar de escritório, hoje em licença maternidade, Marilene Lopes, de 36 anos, repara no horário. "Aos finais de semana é mais frequente e depois das 4h da tarde, o pessoal está todo sentado. Só que é mais aqui".
A resposta para a pergunta vem da arquitetura. Como as ruas no total tem entre 24 e 25m, as calçadas são, sim, bem maiores de um lado do que do outro e pensadas justamente para dar sombra ao tereré dos moradores, projeto do arquiteto e urbanista Jaime Lerner, também ex-prefeito de Curitiba e ex-governador do Paraná, que teve uma passagem marcante no desenvolvimento urbano de Campo Grande no final da década de 70.
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| No lado nascente do sol, calçada tem 7,5m. (Foto: Marcelo Victor) |
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| Já no lado poente do sol, ela tem 2,5m. (Foto: Marcelo Victor) |
"No lado poente do sol, a calçada é mais curta. No lado nascente, é mais larga. De um lado tem 2,5m, do outro, 7,5m. Eram 7 metros de jardim, de grama para que as pessoas se sentassem, tomassem tereré, as crianças brincassem", explica o arquiteto Ângelo Arruda.
Lerner foi trazido para Campo Grande pelo então prefeito, Marcelo Miranda, em 1977, com a missão de elaborar a proposta de urbanização, que resultou no CURA, Plano de Complementação Urbana. Na prática, os projetos simbolizam a diferença que os 5 metros do Taveirópolis queriam passar: estabelecer uma associação entre trabalho, deslocamento e lazer e assim definir a estrutura de desenvolvimento urbano.
Só que o projeto acabou acontecendo apenas no Taveirópolis. Ângelo explica que em seguida, o prefeito da época, Marcelo Miranda se tornou governador e as ruas estruturadas dessa forma desapareceram. "Hoje ainda existem essas calçadas, mas não degradadas que não se percebe a qualidade paisagística dos anos de 78 e 79", ressalta.
De fato, boa parte das calçadas é ocupada por veículos como estacionamento. As que não estão assim, foram tomadas pelo mato. São poucos moradores, como dona Jonia, que veem da cadeira em frente de casa, o crescimento do Taveirópolis.
Fonte: campograndenews/JE
Por: Paula Maciulevicius
Por: Paula Maciulevicius



