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    26/05/2014

    Receita prevê retomada da alíquota 'cheia' de IPI para carros em julho

    Receita Federal não descarta, porém, que isso poderá ser revisto no futuro.Governo já desistiu de elevar tributos de cosméticos e adiou o de bebidas.


    Fabricantes discutem vendas de carros nacionais
    para a Argentina (Foto: Reprodução/TV Bahia)
    O secretário-adjunto da Receita Federal, Luiz Fernando Teixeira Nunes, afirmou nesta segunda-feira (26/5) que o órgão trabalha com a retomada das alíquotas "cheias" do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de automóveis a partir de julho. Isso significa que os descontos de IPI dados pelo governo para o setor devem terminar.

    "A previsão é que o IPI seja colocado na 'alíquota cheia' [a partir de julho]. Qualquer mudança de entendimento de cenário, qualquer postergação que ocorra, a receita que será arrecadada poderá ser revista. Até o momento, a gente trabalha com o IPI cheio [a partir de julho]", disse o secretário da Receita a jornalistas.

    Alíquotas do IPI

    Pela programação do governo, anunciada no início deste ano, a alíquota do IPI para os carros populares (1.0) permanece em 3% até 30 de junho de 2014, quando o governo então vai avaliar se haverá novo aumento para 7% – alíquota que vigorava antes de a equipe econômica determinar a redução do IPI, no início de 2012.

    Para carros com motor entre 1.0 e 2.0 flex, a alíquota de IPI subiu de 7% até o fim do ano passado, para 9% no início deste ano e pode retornar ao patamar de 11% em julho, dependendo da análise do governo. Já para os veículos com o mesmo motor, mas movidos apenas a gasolina, a alíquota subiu de 8% para 10% em janeiro e pode avançar para 13% em julho.

    Veículos utilitários tiveram alta do IPI dos 2%, que vigoravam até o fim de 2013, para 3% em 1º de janeiro deste ano e, a partir de julho, o imposto pode subir para 8%. Para os utilitários usados para transporte de carga, a variação foi a mesma no início deste ano e, em julho, se houver alta, o IPI pode avançar para 4%.

    Dificuldade para aumentar tributos

    Em 2014, ano marcado por eleições presidenciais, o governo já desistiu, porém, de aumentar os impostos sobre cosméticos, que estava sendo estudado anteriormente, e também decidiu adiar para setembro a entrada em vigor do aumento dos impostos sobre bebidas frias (cervejas, refrigerantes, refrescos, isotônicos e energéticos), que será feito de forma escalonada (parcelada). Também poderá um pouco mais de dificuldade em aumentar o IPI dos carros, previsto para julho, diante de dificuldades de vendas enfrentadas pelo setor.

    O governo mexeu no IPI em maio de 2012, quando as montadoras estavam com estoques acima da média. O objetivo foi estimular vendas e evitar demissões. Inicialmente, o imposto foi zerado para carros 1.0 e as alíquotas dos demais foi reduzida. O desconto no IPI fez a indústria automobilística bater recordes nos meses seguintes. Em janeiro de 2013, o IPI começou a ser recomposto.

    Neste ano, o governo precisa de recursos para fechar as contas em razão de mais gastos com o Bolsa Família e com o setor de energia elétrica. Em 2014, o governo está injetando R$ 4 bilhões no setor elétrico para cobrir os custos extras das distribuidoras com o uso mais intenso das usinas termelétricas, que produzem energia mais cara, e com a compra de energia no mercado à vista, onde o preço atingiu patamar recorde. Além disso, também promoveu um reajuste para o Bolsa Família, com impacto de R$ 1,7 bilhão no Orçamento.

    No lugar do aumento de tributos, o governo poderá contar, entretanto, com a arrecadação extra de R$ 12,5 bilhões estimada para acontecer com a reabertura do prazo do Refis da Crise – programa de parcelamento de tributos atrasados.

    Neste ano, a meta para a economia feita pelo governo, para pagar juros da dívida pública e tentar manter a sua trajetória de queda, foi fixada em R$ 99 bilhões para todo o setor público, o equivalente a 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB), que corresponde a toda riqueza produzida no país.





    Do G1, em Brasília/JE
    Por: 
    Alexandro Martello