Cerca de 400 pessoas também fecharam três faixas da via, diz PM.Eles querem reunião com Cardozo para discutir demarcação de terras.
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| Indígenas ocupando uma das quatro entradas do Ministério da Justiça durante protesto contra mudanças na regra para demarcação de terras (Foto: Luiza Facchina/G1) |
Indígenas de diversas etnias fecharam os quatro acessos ao Palácio da Justiça na manhã desta quinta-feira (29/5) em um novo protesto contra mudanças nas regras para demarcação de terras. O grupo chegou a tentar entrar no prédio e também bloqueou três faixas do Eixo Monumental. Apesar da reunião desta quarta com os presidentes da Câmara e do Senado, eles querem uma audiência com o ministro Eduardo Cardozo para discutir a situação.
"Tem uma proposta no Ministério da Justiça para alterar o procedimento de demarcação de terra. Essa proposta significa um obstáculo democrático."
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil
De acordo com a Polícia Militar, há 400 pessoas no local. Testemunhas afirmam que os manifestantes apontaram seus arcos e flechas para policiais e servidores do prédio. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil nega hostilidade por parte do grupo.
“Tem uma proposta no Ministério da Justiça para alterar o procedimento de demarcação de terra. Essa proposta significa um obstáculo democrático", disse a entidade.
Os indígenas se espalharam ao redor do prédio, com faixas e cartazes e levaram uma lista das terras que querem ter como garantidas. Eles pretendem ficar no local até ter uma resposta do ministro. A assessoria da pasta não confirmou se haverá reunião.
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| Indígenas ocupam entrada do Ministério da Justiça durante protesto contra mudança nas regras para demarcação de terras (Foto: Luiza Facchina/G1) |
Funcionário de outro ministério, Luiz Paulo Conde dos Santos Neto disse que presenciou o início da manifestação. “Eu estava dentro do ônibus, vindo trabalhar. Eles chegaram correndo, tentaram invadir o palácio. Um policial disse que não podiam fazer isso, mas eles insistiram e apontaram o arco e flecha para ele. Aí ele recuou”, conta.
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| Índio cruza lanças em frente ao cordão formado por PMs diante do Congresso Nacional, em Brasília (Foto: Vianey Bentes/TV Globo) |
Nesta terça, uma comissão de indígenas foi recebida pelos presidentes da Câmara Federal, Henrique Alves, e do Senado, Renan Calheiros. Eles discutiram questões relacionadas à PEC 215, que transfere para o Legislativo a decisão de homologar terras indígenas e esvazia o poder da Funai, atual responsável por elaborar estudos de demarcação.
“O deputado Henrique Alves assumiu um compromisso de não aprovar a PEC 215 enquanto não houver consenso dentro desta casa. Nós fizemos questão dele reafirmar que deve haver consenso e não maioria. Como a maioria desta casa é ruralista, não se corre o risco deles pautarem. Enquanto não houver consenso, não haverá PEC 215”, disse a líder indígena Sônia.
Já na terça, o grupo participou de dois atos: no primeiro, pela manhã, chegaram a subir na marquise do Congresso Nacional; no segundo, se juntaram a familiares do auxiliar de serviços gerais Antônio de Araújo, sumido há um ano após abordagem policial, e a movimentos sociais que questionam os gastos com a Copa do Mundo em uma manifestação nos arredores do Estádio Nacional.
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| Imagem capta momento em que flecha atirada por indígena atinge perna de policial durante protesto em Brasília (Foto: Reprodução/TV Globo) |
Um indígena acabou atingindo com uma flecha um cabo da cavalaria. Ele não foi detido, de acordo com a PM. O policial, que participava de uma linha de contenção para evitar que o grupo chegasse à Taça da Copa do Mundo, exposta no estacionamento da arena, sofreu um corte próximo à virilha.
Durante o confronto, o Batalhão de Choque chegou a lançar gás lacrimogêneo contra os manifestantes. "A gente não se assustou muito com a polícia ontem. Nós vivemos isso no dia a dia dos nosso estados", disse Cláudio Carmona da etnia guarani.
Do G1 DF/JE



