| Foto: Luiz Alberto |
Uma transportadora na área de mineração, localizada no bairro Indubrasil, em Campo Grande, e que conta com 20 caminhões para fazer o transporte da Capital para todo o país, é um dos principais alvos da Operação Mãos Duplas, desencadeada pelo Detran/MS (Departamento Estadual de Trânsito) e Polícia Civil.
Segundo a delegada Aline Sinnott Lopes, responsável pelas investigações e corregedora do Detran/MS, o proprietário conseguiu a regularização dos veículos no órgão de forma ilegal. Os caminhões não passaram pela vistoria no pátio do órgão.
“Os caminhões estavam rodando, viajando em São Paulo, por exemplo, enquanto o dono fazia a regularização dos veículos e até mesmo das CNH´s (Carteira Nacional de Habilitação) dos motoristas. E o proprietário inclusive possui uma relação intima com os servidores do Detran que estavam envolvidos no esquema”, afirma a delegada Lopes.
Questionado o dono, a delegada conta que ‘ele foi orientado a dizer para a polícia que agiu na legalidade, enviando, por exemplo, comprovantes de residência de Campo Grande, mas que tinham as informações falsamente inseridas no Detran de Terenos. Era como se a rua informada aqui existia naquele município’.
Além da transportadora investigada nos 10 últimos meses, outros 52 casos de irregularidade estão em andamento, sendo que parte dos envolvidos foram presos nesta terça-feira (4), durante a operação ‘Mãos Duplas’, deflagrada às 6h.
“No caso da autoescola de Terenos, o que nos chamou a atenção foi o grande volume de CNH´s transferidas para o interior. Como o exame aqui é mais rígido e os empresários visam o lucro, esta é uma união perfeita para a fraude”, ressalta a polícia.
Falsos comprovantes
A CFC (Centro de Formação de Condutores) Paulinho, na qual o dono Paulo Martins Rodrigues foi preso, estaria aceitando falsos comprovantes de residência desde 2009.
“Temos hoje um caso de um veículo que teve a facilitação na legalização, sendo que o carro sequer passou por vistoria. Registramos a fraude por meio de fotos, levantamento do local, a comprovação de sinais de lixação do chassi e até mesmo a forte troca de informações entre servidores e o proprietário da autoescola”, comenta a delegada Lopes.
Além dos suspeitos, que vão responder pelo crime de corrupção passiva, falsidade ideológica e lançamento de informações falsas em sistema público, as pessoas que emitiram a CNH vão ter o documento suspenso e responder pelo crime. “São muitas provas e os investigadores também flagraram fichas de sanidade física e mental nas autoescolas. Estes laudos médicos, até por uma portaria interna, deveriam estar somente em poder dos médicos e do órgão”, ressalta a delegada.
Estatísticas de acidentes
Como consequência das fraudes, a delegada ainda juntou nos autos do inquérito uma estatística de 800 acidentes mensais na Capital, muitos provocados por condutores que ‘correram’ atrás de facilidades, como emitir a CNH em cidades com menos trânsito e veículos.
“Se a pessoa mora aqui e foi reprovado no exame prático aqui, é porque ela ainda não tem condições de dirigir em Campo Grande. Então, ao invés de buscar facilidades, este condutor deve aumentar a prática e retirar legalmente a CNH para inclusive provocar menos acidentes no trânsito”, finaliza a delegada.
Fonte: Midiamax
Por: Graziela Rezende
Foto: Luiz Alberto