Campo Grande (MS),

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    24/06/2018

    Mulheres sauditas podem dirigir a partir de hoje

    Termina proibição de mulheres de dirigir na Arábia Saudita. Permissão foi anunciada em setembro, mas apenas a partir deste domingo as mulheres ganharam o direito a dirigir

    Jovem faz aula de direção em um simulador, sob orientações de uma instrutora feminina em autoescola de Dhahran, na Arábia Saudita ©Ahmed Jadallah/Reuters
    As mulheres da Arábia Saudita podem dirigir a partir deste domingo (24). Até então, o governo local não permitia que elas conduzissem carros. O país era o último a ter uma restrição do tipo.

    Anunciada em setembro de 2017, esta decisão promovida pelo príncipe herdeiro Mohammad bin Salman faz parte de um amplo plano de modernização do país, e põe fim a uma proibição que se tornou símbolo do status de inferioridade que é dado às mulheres.

    "É um passo importante e uma etapa essencial para a mobilidade das mulheres", resumiu Hana al Jamri, autora de um livro que será publicado em breve sobre as mulheres no jornalismo na Arábia Saudita.
    Instrutora feminina passa entre carros de uma autoescola em Dhahran, na Arábia Saudita ©Ahmed Jadallah/Reuters
    As sauditas "vivem em um sistema patriarcal. Dar a elas o volante ajudará a desafiar as normas sociais e de gênero que obstaculizam a mobilidade, a autonomia e a independência", disse.

    Para muitas mulheres, sauditas e estrangeiras, a medida permitirá reduzir sua dependência de motoristas privados ou dos homens de sua família.
    Foto de arquivo mostra Aziza Yousef dirigindo em uma estrada de Riyadh, na Arábia Saudita, em março de 2014, durante uma campanha contra a proibição de mulheres dirigirem no país ©Hasan Jamali/AP/Arquivo
    "É um alívio", declarou à AFP Najah al Otaibi, analista do centro de reflexão pró-saudita Arabia Foundation.

    "As sauditas têm um sentimento de justiça. Durante muito tempo sofreram a negativa de um direito fundamental que as manteve confinadas e dependentes dos homens, tornando impossível o exercício de uma vida normal", indicou.

    No início de junho, o reino entregou as primeiras carteiras de habilitação às mulheres. Algumas trocaram sua carta de condução estrangeira por uma saudita depois de passarem em uma prova.

    3 milhões de motoristas até 2020

    Cerca de três milhões de mulheres poderiam obter a carteira de motorista e começar a dirigir até 2020, segundo a consultora PricewaterhouseCoopers.

    Foram abertas autoescolas em cidades como Riad e Jidá. Algumas ensinam inclusive a dirigir motos Harley Davidson, algo impensável até um ano atrás.

    Muitas sauditas compartilharam nas redes sociais seus planos para domingo. Afirmam que acompanharão suas mães a tomar um café ou um sorvete, uma experiência banal para o resto do mundo mas excepcional na Arábia Saudita.

    A proibição de dirigir suscitava críticas há algum tempo das organizações pró-direitos humanos. Muitas mulheres da elite saudita, que podiam dirigir em lugares como Londres ou Dubai, haviam tentado evitar essa proibição em seu país, mas foram detidas.
    Uma mulher observa modelos expostos durante uma feira de carros para mulheres em Jeddah, na Arábia Saudita, na quinta (11) ©Amer Hilabi/AFP
    Interpretação religiosa

    Durante décadas, os conservadores se apoiaram em interpretações rigoristas do islã para justificar a proibição de dirigir, alguns alegando inclusive que as mulheres não eram inteligentes o suficiente para se colocarem atrás do volante.
    Do ponto de vista econômico, as consequências poderiam ser só benefícios, segundo especialistas. O fim da proibição poderia estimular o emprego de mulheres e, segundo uma estimativa da Bloomberg, acrescentar 90 bilhões de dólares à economia para 2030.


    Mas muitas mulheres temem continuar sendo alvo dos conservadores, neste país onde os homens mantém o status de "tutores". Efetivamente, as sauditas devem sair com véu e continuam sujeitas a restrições importantes: não podem viajar, estudar ou trabalhar sem autorização de seus maridos ou dos homens da sua família.

    Fonte: G1
    Por: France Presse


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