Campo Grande (MS),

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    18/05/2018

    Com Dirceu, núcleo do primeiro governo petista está preso

    Lula, preso no último dia 7 de abril, teve como principais nomes no início de seu mandato Dirceu, chefe da Casa Civil de 2003 a 2005, e Palocci, ministro da Fazenda de 2003 a 2006

    ©REUTERS / Jamil Bittar (Foto de arquivo)
    Com a prisão de José Dirceu, todo o trio que comandou o país em meados da década passada está detido agora.

    O ex-presidente Lula, preso no último dia 7 de abril, teve como principais nomes no início de seu mandato Dirceu, chefe da Casa Civil de 2003 a 2005, e Antonio Palocci, ministro da Fazenda de 2003 a 2006.

    Dirceu coordenou a vitoriosa campanha de Lula em 2002, após três derrotas seguidas do petista em eleições presidenciais, e logo assumiu a articulação de seu governo.

    Palocci, então prefeito de Ribeirão Preto (SP), atuou na eleição na elaboração do programa petista e foi nomeado para a Fazenda em um período em que a gestão da economia pelo partido era vista com muita desconfiança. Suas propostas de moderação e ajustes fiscais eram um trunfo para obter credibilidade junto ao mercado no início do governo do PT.

    À época, Dirceu e Palocci eram especulados como possíveis sucessores de Lula e disputavam prestígio dentro do governo.

    O chefe da Casa Civil foi o primeiro a sair de cena. Após ser acusado pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) no escândalo do mensalão, em junho de 2005, deixou o ministério de Lula e voltou à Câmara dos Deputados.

    Acabou cassado no mesmo ano e não voltaria mais a ocupar cargos públicos. Em 2012, foi condenado à prisão pelo Supremo Tribunal Federal no caso.

    Palocci se manteve no governo por mais alguns meses. Deixou a Fazenda em março de 2006, em meio a suspeitas de ter atuado na quebra do sigilo bancário de um caseiro que havia relatado sua presença em reuniões com lobistas. Elegeu-se deputado federal naquele ano e assumiu a Casa Civil no início do governo Dilma Rousseff, em 2011.

    Voltou a ser obrigado a deixar a Esplanada ao se negar a explicar a origem da multiplicação de seu patrimônio revelada em reportagem da Folha de S.Paulo na época.

    Os caminhos dos três voltaram a se encontrar com a deflagração da Operação Lava Jato. Dirceu foi o primeiro a se tornar alvo da operação, após acordos de delação que o apontavam como beneficiário de pagamentos em contratos entre empreiteiras e a Petrobras.

    Foi preso preventivamente na operação em agosto de 2015 e condenado em 2016, mas obteve um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal em maio de 2017.

    Em julgamento, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região confirmou a sentença aplicada pelo juiz Sergio Moro e ainda ampliou para mais de 30 anos de prisão a pena por corrupção e lavagem envolvendo a empreiteira Engevix. Com a conclusão de seus recursos no segundo grau, teve a prisão decretada.

    Lula foi alvo de mandado de condução coercitiva na Lava Jato em março de 2016 e virou réu no Paraná em setembro daquele ano acusado de receber propina da empreiteira OAS com a reforma e reserva de um tríplex em Guarujá (SP).

    Foi condenado em 2017 e apelou em liberdade, mas teve a prisão decretada no início do mês com o esgotamento de seus recursos na segunda instância. A pena imposta é de 12 anos e um mês.

    Palocci está preso preventivamente desde setembro de 2016 sob suspeita de gerenciar propina da empreiteira Odebrecht a favor do PT. Foi condenado em 2017 a 12 anos e dois meses de prisão, em caso ainda não julgado na segunda instância.

    Entre os três, apenas ele disse publicamente ter cometido irregularidades. Em setembro do ano passado, prestou um depoimento a Sergio Moro em que afirmou que Lula tinha um "pacto de sangue" com a empreiteira Odebrecht e disse ser o "Italiano" citado em planilhas e conversas dos executivos da construtora.

    O ex-ministro da Fazenda negocia um acordo de colaboração com a Lava Jato, não concretizado. Está detido no mesmo prédio da Superintendência da PF no Paraná que abriga Lula, embora os dois não tenham contato na prisão. 

    NAOM-Com informações da Folhapress.


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