Campo Grande (MS),

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    31/12/2017

    Em 2017, Temer resistiu à pressão por renúncia e refez planos

    Com uma popularidade baixíssima, o peemedebista no início do ano se movimentava para se tornar candidato em 2018

    © Adriano Machado / Reuters


    A retrospectiva do ano de 2017 para o presidente Michel Temer foi, sobretudo, de resistência. Com uma popularidade baixíssima, o peemedebista no início do ano se movimentava para se tornar candidato em 2018. Claro que o plano não foi pra frente e foi abortado de vez quando veio à tona a delação da JBS.

    Como lembrou a Folha de S. Paulo, a divulgação do controverso diálogo entre Temer e o empresário Joesley Batista, porém, fez com que o presidente deixasse de lado o projeto e considerasse renunciar ao cargo, mais precisamente no dia 17 de maio.

    Naquela quarta-feira, Temer se reunia com governadores em seu gabinete. Foi quando seu secretário de Comunicação, Márcio de Freitas, entrou apressado e fez um rápido sinal com as mãos para que ele encerrasse imediatamente o encontro.

    Em uma sala reservada, o assessor estendeu a notícia impressa em uma folha de papel e perguntou: "O senhor falou isso mesmo ao Joesley?"

    Freitas olhava para um Temer confuso, que dizia não se lembrar de detalhes, mas garantia não ter autorizado a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Por conta de repercussão imediatamente negativa, a explicação de Temer não serviu de nada.

    "Ele estava atordoado, todos nós estávamos. Ele e o governo demoraram muito para se recuperar depois daquele dia", disse à Folha o ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral), um dos principais auxiliares do presidente.

    Na manhã seguinte, Temer ouviu duas opções: enfrentar o processo com um desgaste sem precedentes ou encurtar seu mandato, propondo uma emenda constitucional para convocar eleições diretas para presidente em novembro, passando o poder a um novo mandatário já em 2018.

    Quando subiu ao púlpito para bradar que não renunciaria, às 16h09 do dia 18 de maio, Michel Temer leu a segunda versão do discurso. Deu, ali, seu primeiro suspiro de alívio durante a crise.

    Agarrando-se ao cargo, o presidente decidiu enfrentar as dificuldades que pareciam ininterruptas e infindáveis.

    Assistiu à prisão, nessa ordem, de três de seus mais próximos aliados do PMDB [atual MDB]: Geddel Vieira Lima, Henrique Eduardo Alves e Rodrigo Rocha Loures –este, o assessor que correu na rua com uma mala contendo R$ 500 mil.

    Passou pelas votações na Câmara de duas denúncias contra ele –uma por corrupção passiva, outra por obstrução da Justiça e organização criminosa– e teve de lidar com movimentos discretos, porém precisos, do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

    Além da crise política, o presidente teve problemas de saúde que o fizeram passar por três cirurgias e viu naufragar o avanço da principal bandeira de seu governo: a reforma da Previdência.

    Temer não conseguiu, entretanto, amealhar os 308 votos para a nova Previdência. No fim das contas, ele não renunciou, também não foi apeado do cargo, mas continua com baixíssima popularidade –5% de ótimo/bom pelo Datafolha.

    Fonte: NAOM


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