Campo Grande (MS),

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    07/12/2017

    Dólar atinge R$ 3,32 e tem maior alta diária desde delação da JBS

    Alta foi registrada um dia após o governo Temer adiar a definição de uma data para votar da reforma da Previdência

    © iStock
    A Bolsa brasileira caiu, e a moeda norte-americana voltou a se aproximar do patamar de R$ 3,30 nesta quinta-feira (7), um dia após o governo Temer adiar a definição de uma data para votar da reforma da Previdência.

    O dólar comercial fechou em alta de 1,73%, cotado a R$ 3,287, depois de bater R$ 3,32 na máxima do dia. Foi a maior alta diária desde 18 de maio deste ano -quando subiu mais de 8% após o mercado reagir às delações de executivos da JBS implicando o presidente Michel Temer- e a maior desvalorização ante o dólar nesta quinta entre 31 moedas globais.

    O dólar à vista avançou 1,54% na sessão, para R$ 3,29.

    O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas da Bolsa brasileira, chegou a cair mais de 2% durante o dia, mas fechou em baixa de 1,07%, a 72.487,45 pontos. O giro financeiro somou R$ 9,05 bilhões.

    Os investidores vinham reagindo positivamente nos últimos dias aos esforços do governo para aprovar as mudanças na aposentaria e à decisão do PMDB de fechar questão para seus deputados votarem a favor de reforma. Ainda nesta quarta-feira (6), a Bolsa fechou em alta de 1%, e o dólar comercial teve leve queda de 0,12%, cotado a R$ 3,231.

    Em reunião com deputados e ministros no Palácio do Alvorada na noite desta quarta, no entanto, o presidente Michel Temer concluiu que é necessário mais tempo para reunir os votos necessários à aprovação e decidiu aguardar os próximos dias para avaliar se será possível votar a reforma na próxima semana. A expectativa de Temer era de ter um piso de pelo menos 290 votos favoráveis.

    "A reunião de ontem [quarta] foi uma surpresa negativa e gerou estresse, principalmente ao estrangeiro. O investidor migra, sai da Bolsa em busca de um ativo mais seguro, que é o dólar", explica Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos.

    Gilson Finkelsztain, presidente da B3, dona da Bolsa, avaliou nesta quinta que o mercado financeiro atualmente precifica a não aprovação da reforma, e uma eventual aprovação da proposta poderia provocar um novo impulso nas ações.

    "No mercado já há um certo consenso hoje de que não está precificada essa aprovação. O mercado trabalha com a hipótese de não aprovar. Então ele pode ficar mais animado se a reforma passar", afirmou Finkelsztain durante almoço com jornalistas em São Paulo.

    Para ele, ainda há chance de o Congresso aprovar a reforma neste ano. "Quando eu estive com o [presidente da Câmara] Rodrigo Maia [DEM-RJ] algum tempo atrás, ele falou: 'Olha, a reforma está difícil, mas você sabe, a gente está no Brasil né? Tudo é possível'. E eu acho que isso é o que a gente aprende com Brasília", afirmou.

    Para Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, o entendimento é que se a reforma não for aprovada neste ano, dificilmente saíra em 2018. "Ano que vem não tem votação para nada, ninguém vai arriscar se expor em ano de eleição", diz.

    O impasse em torno do projeto afeta diretamente o risco-país do Brasil. O CDS (credit default swap, espécie de termômetro de risco) do país subiu 2,03%, para 166,1 pontos.

    No mercado de juros futuros, os contratos mais negociados refletiram a queda dos juros da Selic, a taxa básica do país, que foi para 7% ao ano nesta quarta. O contrato com vencimento em janeiro de 2018 recuou de 6,921% para 6,896%. O contrato para janeiro de 2019, no entanto, subiu de 7,040% para 7,060%.

    BOLSA

    Das 59 ações que compõem o Ibovespa, 50 caíram e apenas 9 subiram nesta quinta (7).

    O maior baixa foram nos papeis da Kroton, que recuaram 4,07%. Em seguida veio o Banco do Brasil, cujas ações caíram 3,87%.

    Ainda no setor bancário, as ações do Itaú Unibanco fecharam o dia com queda de 0,33%. Os papéis preferenciais do Bradesco recuaram 0,72%, e os ordinários, 0,87%. As units -conjunto de ações- do Santander Brasil tiveram alta de 0,51%.

    Os papeis preferenciais da Petrobras caíram 1,67%, e os ordinários, 0,87%, apesar da alta nos preços do petróleo no mercado internacional. A mineradora Vale teve baixa de 1,17%, em dia de perdas para os contratos futuros do minério de ferro na China.

    A Embraer liderou a ponta positiva do índice, com os papeis subindo 1,51%. 

    Fonte: NAOM - Com informações da Folhapress.


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