Campo Grande (MS),

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    06/11/2017

    OPINIÃO| Como será a corrida presidencial?

    Prefeito de São Paulo e candidato pelo PSDB, João Dória insinua-se na disputa pela presidência 

    João Dória efetivamente lança-se como candidato à presidência da república © Divulgação 
    A grande estrela em ascensão da política brasileira este ano foi João Dória, que conquistou a prefeitura de São Paulo, após uma eleição acirrada e terrivelmente disputada no final do ano passado. Eleito no primeiro turno – algo inédito na história das eleições municipais paulistanas –, Dória, filiado ao PSDB desde 2001, começou sua atuação através de uma gestão funcional e dinâmica, que parecia de fato comprometida em atender a todas as necessidades dos cidadãos da cosmopolita megalópole do Brasil e da América do Sul.

    Não obstante, não foi necessário que passasse muito tempo para o castelo de cartas cair. Com o tempo ficou evidente que João Dória usava publicidade em demasia – em especial nas redes sociais – para se autopromover, e que sua prioridade era muito mais angariar uma boa imagem, do que realizar o trabalho em si. Apesar do seu slogan de campanha, onde o mesmo qualificava-se como gestor, e não como político, ficou evidente que João Dória, antes de tudo, tem uma pragmática e persuasiva mentalidade de homem de estado, o que já era perceptível quando ele lançou sua campanha no PSDB, rendendo-lhe não poucas inimizades e contendas dentro do próprio partido. Na verdade, João Dória pensa prioritariamente como um político. “Pensa” apenas como gestor quando lhe convém, para deliberadamente deflagrar uma autopromoção fantasiosa de sua imagem, que pode até saciar as expectativas de seu constantemente ludibriado eleitorado.
    Com uma carreira recente na política, tem João Dória o que é necessário para governar o país? © Divulgação
    Como qualquer social-democrata, João Dória mostrou-se sempre evasivo e dissimulado diante de determinadas questões, especialmente quando confrontado com perguntas diretas de cunho ideológico-político, como por exemplo, se ele se define como direita ou esquerda (é evidente que João Dória é de esquerda, basta ver a sigla a que pertence, e as pautas que defende). Não obstante, sua recusa em responder de forma franca e direta a tais perguntas o tornaram uma figura muito conspícua no atual cenário político brasileiro, em virtude de sua desmesurada ambiguidade em determinadas frentes. Sua associação com o MBL, a “direita” politicamente correta amiguinha da mídia, também evidencia sua sutil abordagem publicitária. 

    Depois que ficou evidente como ele usa determinados softwares para aumentar seu alcance nas redes sociais, suas prioridades publicitárias foram escancaradas definitivamente. O que Dória sempre buscou foi um patamar que lhe auferisse vertical visibilidade política. Para tanto, ser prefeito da maior cidade do mundo no hemisfério sul era um ótimo começo. Mas o que ele realmente pretende? O que ele sempre quis, desde o princípio? Ao que tudo indica, o seu real propósito é ser o próximo presidente do Brasil.

    Essa atitude é tão insólita quanto conspícua, visto que, sempre que questionado a respeito desta possibilidade, Dória veementemente negava. Afirmava ter sido eleito prefeito de São Paulo, e pretendia se dedicar exclusivamente a isto. Esta sua atitude sempre foi condizente com a sua retórica ambígua e dissimulada. Agora, o vemos profundamente comprometido com uma campanha presidencial, algo que tanto indivíduos próximos à Dória quanto a analistas políticos dos mais diversos veículos de comunicação antecipavam sobremaneira. Afirmando que tanto Lula – que tecnicamente, não poderia disputar ou concorrer a nenhum cargo público – quanto Bolsonaro são péssimas opções, pois representam extremos, um a extrema-esquerda, e outro, a extrema-direta, o que é novamente mais um engodo de sua parte, Dória se apresenta como um “equilibrado”, “ponderado” e “sensato” candidato de “centro”, completamente comprometido com as necessidades da população. O que, obviamente, não passa de mais uma arrogante, prepotente e tendenciosa jogada de marketing.

    Os reais propósitos e objetivos de João Dória são sempre um mistério, visto que o político, que insiste no engodo de passar-se por gestor, é um indivíduo terrivelmente evasivo, que jamais revela ou dá a conhecer os seus verdadeiros objetivos. No entanto, João Dória não é um candidato palatável para a maioria dos brasileiros, e fora de São Paulo, não possui apelo popular algum. Não obstante, em função de ele ser muito mais um deliberado e nefasto ardil publicitário do que um político honesto, esclarecido e franco com o seu eleitorado, é necessário observá-lo de perto. Evidentemente, ele obedece a uma oligarquia de interesses – ainda não se sabe exatamente qual –, e buscará eleger-se para atender às necessidades e as expectativas dos grupos que estão articulando para inseri-lo nas mais elevadas esferas do poder governamental. O que é efetivamente o caminho trilhado por qualquer candidato. 

    Evidentemente, João Dória não representa absolutamente nada que seja verdadeiramente benigno ou construtivo. As homenagens recentes conferidas a terroristas comunistas em cemitérios de São Paulo evidenciam seu caráter pró-Foro de São Paulo, além de uma militância socialista mais esquiva e “civilizada”, que, pelo seu próprio caráter discreto e dissimulado, confere à hipocrisia do seu modus operandi a desfaçatez de um plano possivelmente insidioso, que possibilita a real organização que age nos bastidores do poder agir em muitas frentes, e comandar diversas facções que aparentemente trabalham umas contra as outras, mas na verdade, buscam atingir os mesmos objetivos através de métodos diferentes. Evidentemente, João Dória representa a sucursal mais branda e tênue de um socialismo potencialmente letal e destrutivo, que devemos atacar de forma consistente, e observar de perto mais do que nunca. 




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