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    segunda-feira, 2 de outubro de 2017

    OPINIÃO| Nós não precisamos de gestores governamentais

    O ex-presidente Lula, e o presidente em exercício Michel Temer, respondem ambos a acusações de corrupção © Divulgação
    Acreditar que precisamos de burocratas para interpelar e zelar pelo nosso bem-estar, pelos nossos interesses, pela nossa segurança, é um sentimento que acompanha o ser humano há milênios, e é natural para muitas pessoas simplesmente seguir a normalidade do pensamento comunal, sem questionar a inferência, as implicações, os princípios e as deficiências desta ordem pré-estabelecida, julgando ser ela necessária ou fundamental para a manutenção da ordem social. Mas a verdade é que ela não é necessária, tampouco fundamental. Apenas fomos condicionados a pensar que são, para benefício daqueles que estão no poder. Mas, se pararmos para analisar todo o contexto, torna-se evidente quão descartável é a classe política brasileira. 

    A sociedade é capaz de seguir uma ordem espontânea, perfeitamente funcional e dinâmica, sem ter ninguém ocupando um posicionamento central. A ideia de que precisamos de alguém no comando do estado é um equívoco que interessa à classe política: enquanto pensarmos que eles são indispensáveis à nossa sobrevivência, não ousaremos erradica-los, ou sequer cogitar a possibilidade de viver sem eles. A verdade que eles não querem que a população descubra é o quanto eles são irrelevantes e completamente dispensáveis para a nossa existência. Não obstante, apesar de sua inutilidade, consomem recursos financeiros de forma excessiva e aviltante, de maneira que já poderíamos ter erradicado a miséria no país, no mínimo, uma dezena de vezes, com tudo o que a classe política gasta com ela própria. 
    Todos os presidentes brasileiros desde a redemocratização foram citados nas delações da Odebrecht © Reprodução
    Tudo o que gestores públicos farão com competência, ao longo de suas carreiras, não importa a esfera governamental em que atuam, é lutar pelos seus próprios interesses, enquanto buscam estar no comando de alguma estatal para extorquir monumentais quantias financeiras do tesouro – dinheiro do contribuinte, oriundo da arrecadação de impostos –, ou arregimentar um cartel clientelista para benefício de um grupo de acionistas e empresários amigos do governo. Mas eles jamais atuarão sobre princípios auferidos por interesses altruístas, o que dirá em benefício da população. A classe política, sempre cartelista, monopolizadora, autocentrada e egocêntrica, age exclusivamente sempre em seu próprio benefício, sendo completamente indiferente àquela distante, insignificante e hilariante abstração conhecida como “o povo”. Todos os interesses da classe política irão convergir sempre sobre o mesmo elemento: dinheiro. 

    A classe política sempre estará articulando circunstâncias e interesses em benefício próprio, para garantir um cabedal de privilégios cada vez mais robustos, circulares e inquebrantáveis. Hoje, a nação é asfixiada por uma classe governamental elitista, repleta de políticos e burocratas com salários extravagantes, que sufocam a máquina pública, perpetuamente programada para desembocar na avidez de sua vociferante atmosfera destrutiva o pérfido e corrosivo diagrama de engrenagens governamentais que sustentam este sistema, e impede quaisquer alterações de serem implementadas. 

    Dito isso, é evidente que o estado existe única e exclusivamente para seu próprio benefício, de maneira que o estado pode – na verdade deve – ser encarado como uma organização fundamentalmente maligna na sociedade, catalisadora de todo mal, e de toda a sorte de carências e deficiências. No entanto, erradicar o estado, promover a sua completa e total dissolução, é algo que, além de astuto e dinâmico planejamento, levaria um tempo considerável. Isso teria de ser realizado aos poucos. Primeiro, teríamos de enxugar a máquina pública, abreviando-a ao máximo, efetuando uma transição do estado regulador altamente intervencionista para o estado mínimo. Depois, pouco a pouco, a sociedade civil se empenharia na dissolução dos órgãos estatais restantes, até chegarmos à inexistência de estado. 

    Por mais absurda que esta ideia possa parecer, ela é mais realista do que ter dirigentes e políticos sendo pagos com dinheiro do contribuinte para enriquecerem – enquanto os cidadãos pagadores de impostos ficam cada vez mais pobres, e seus microempreendimentos cada vez mais despojados de recursos – e envolverem-se em atividades ilícitas que os deixarão ainda mais ricos. Destruir a economia de um país através de excessivo, burocrático e asfixiante intervencionismo é tudo o que a classe política é capaz de fazer com eficiência. Na prática, trata-se de um grupo de indivíduos que pioram nossas vidas, quando deveriam, ao menos, não perturbar, ou impedir o progresso. De fato, são pessoas regiamente bem pagas para implementar toda a sorte de adversidades e carências em nossas vidas. 

    Caro leitor, tenha a completa e total certeza de uma coisa: na República Federativa da Corrupção, não existe nenhum político genuinamente interessado em representa-lo ou atender aos seus interesses. Mas para roubá-lo, todos eles estarão sempre unidos, ainda que aparentem brincar, com frequência, de situação e oposição. 




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