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    sábado, 14 de outubro de 2017

    Funaro contradiz ex-assessor e liga Temer a propina

    Operador financeiro diz ter "certeza" que Cunha "dava um percentual também para Temer" do esquema que ele "capitaneava"

    © Ueslei Marcelino/Reuters (Foto de arquivo)
    Em depoimento gravado em vídeo, o operador financeiro Lúcio Funaro afirmou que o advogado José Yunes, ex-assessor especial de Michel Temer, "tinha certeza" de que entregou a ele uma caixa com dinheiro em setembro de 2014, às vésperas da eleição.

    Ao falar sobre desvios na Caixa Econômica Federal, Funaro disse ter "certeza" que o ex-deputado Eduardo Cunha "dava um percentual também para o Michel Temer" do esquema que ele, Cunha, "capitaneava".

    "Eu nunca cheguei a entregar, mas o Altair (Altair Alves, operador de Cunha) deve ter entregado, assim, algumas vezes. O Altair às vezes comentava que tinha que entregar um dinheiro para o Michel", disse.

    Funaro disse ainda que o presidente atuou em defesa de interesses de empresas portuárias durante a tramitação da MP (Medida Provisória) dos Portos, em 2013.

    A Folha de S.Paulo teve acesso à gravação do depoimento prestado por Funaro à Procuradoria-Geral da República em 23 de agosto. Seu acordo de colaboração foi homologado pelo ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal).

    Parte da delação foi usada na última denúncia da PGR contra Temer, sob acusação de obstrução de Justiça e organização criminosa, à espera de apreciação da Câmara.

    Até hoje, haviam sido divulgados trechos da delação retirados de termos de depoimentos e do anexo (espécie de roteiro de apresentação) que ele entregou na negociação.

    Nos vídeos, agora revelados pela Folha, Funaro conta sua participação num esquema de desvios ligados ao PMDB. Ele detalha, por exemplo, sua versão sobre o episódio que levou à saída de Yunes da assessoria de Temer em dezembro.

    O relato de Funaro diverge do de Yunes, que afirmou ter sido "mula" do ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) para receber do delator um pacote com dinheiro. O delator afirma que essa versão do advogado "é impossível", e que ele é que foi até Yunes receber o pacote.

    "Ele [Yunes] tinha certeza que era dinheiro, ele sabia que era dinheiro, tanto que ele perguntou se meu carro estava na garagem, porque ele não queria que eu corresse risco de sair com a caixa para a rua. E até pelo próprio peso da caixa, para um volume de R$ 1 milhão, é uma caixa bem pesada", afirmou Funaro.

    No relato, Funaro diz que foi pegar no escritório de Yunes uma caixa com R$ 1 milhão a pedido do ex-ministro Geddel Vieira Lima, hoje preso na Papuda. "Todo mundo sabe que a caixa tem dinheiro. Isso aí está óbvio que a caixa tinha dinheiro", disse Funaro.

    A PGR então perguntou: "O José Yunes sabia que existia dinheiro na caixa?"? "Lógico, lógico. Ele sabia que eu iria lá retirar dinheiro. [...] Eu fui receber dinheiro que ele [Yunes] tinha recebido da Odebrecht, a parte que era destinada a financiar a campanha do Geddel", afirmou.

    No vídeo, Funaro relatou a visita ao escritório do ex-assessor de Temer: "Parei o carro na garagem e a secretária dele me levou até a sala dele, que ficava no primeiro andar. É uma casa que tem até um elevador dentro. Subi nesse elevador e fui até a sala dele".

    "E aí desci, quando desci junto com ele e aí ele falou: o seu carro está aí dentro? Eu falei 'tá'. Aí ele pegou e solicitou que a secretária entregasse uma caixa pra ele e ele pegou essa caixa, me entregou e eu pus essa caixa não sei se foi no banco de trás do carro ou no porta-mala de trás do carro", disse.

    PORTOS

    Funaro contou ainda que soube da interferência de Temer na medida provisória dos Portos porque Cunha lhe contou. O delator mencionou supostas relações de Temer e Cunha com três empresas que operam no porto de Santos, no litoral paulista: a Rodrimar, o grupo Libra e a Santos Brasil, além da Eldorado Celulose, que pertencia ao grupo J&F, controlador da JBS, e que tinha interesse em atuar em uma área própria em Santos.

    A Rodrimar é alvo de um inquérito aberto recentemente no STF para investigar suposto favorecimento à empresa na edição de decreto sobre portos assinado por Temer em maio deste ano.

    "Essa MP foi feita para reforma do setor portuário e ela ia trazer um grande prejuízo para o grupo Libra, que é um grupo aliado de Cunha e, por consequência, de Michel Temer, porque é um dos grandes doadores das campanhas de Michel Temer", disse Funaro. 


    Fonte: NAOM - Com informações da Folhapress.

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