Campo Grande (MS),

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    quarta-feira, 6 de setembro de 2017

    Ministro Luiz Fux defende prisão de Joesley Batista e Ricardo Saud

    Magistrado afirmou nesta quarta (6) no STF que os dois delatores da Lava Jato 'ludibriaram' a PGR. Rodrigo Janot abriu investigação para apurar se executivos da J&F omitiram informações na delação.

    Fux sugere que delatores da JBS "deixem exílio de Nova York"
    O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta quarta-feira (6) a prisão do empresário Joesley Batista – um dos donos da holding J&F – e do diretor de Relações Institucionais da empresa, Ricardo Saud, ambos delatores da Lava Jato.

    Para Fux, os dois delatores "ludibriaram" a Procuradoria Geral da República (PGR). Na última segunda-feira (4), o procurador-geral, Rodrigo Janot, abriu investigação para apurar se Joesley e Saud omitiram informações dos investigadores nos depoimentos.

    Dependendo do resultado da investigação, os benefícios concedidos pelo Ministério Público aos executivos poderão ser anulados, entre os quais a imunidade penal, que impede qualquer processo criminal contra eles.

    "Acho que eles ludibriaram a Procuradoria, degradaram a imagem do Brasil no plano internacional, atentaram contra a dignidade da Justiça, mostraram a arrogância dos criminosos de colarinho branco. Então, eu acho que a primeira providência que tem de ser tomada é prender eles”, afirmou Fux ao chegar nesta quarta-feira ao STF.

    No plenário, o ministro também defendeu que os delatores deixem o "exílio novaiorquino" para ir ao "exílio da Papuda", em uma referência ao Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

    Trecho da gravação

    No áudio entregue na semana passada à PGR, Joesley e Saud falam sobre possível tentativa de gravarem o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo (PT-SP) para o petista "entregar" ministros do Supremo.

    A conversa foi gravada em 17 de março. Os dois delatores também discutem uma forma de se aproximar de Janot por intermédio do ex-procurador da República Marcello Miller.

    À época, eles ainda não haviam iniciado conversas para fechar o acordo de delação, e Miller ainda trabalhava na PGR como auxiliar do procurador-geral.

    Reação de Cármen Lúcia

    Nesta terça (5), dia em que o conteúdo da conversa entre Joesley e Ricardo Saud veio à tona, a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, determinou que a PGR e a Polícia Federal investiguem as menções dos dois delatores a magistrados do tribunal.

    Em um vídeo divulgado pela assessoria do Supremo, Cármen Lúcia disse que o objetivo da medida é não deixar “qualquer sombra de dúvida sobre a dignidade" da Corte e a "honorabilidade" de seus integrantes.

    Magistrado mais antigo do STF, o ministro Celso de Mello também criticou o conteúdo da conversa entre Joesley e Saud.

    “A necessidade de apuração dos fatos traduz uma exigência não só de ordem jurídica, mas de caráter ético, eis que as graves insinuações que transparecem nos diálogos mantidos por determinados agentes colaboradores mostram-se impregnadas de elementos que, se não forem cabalmente esclarecidos, culminarão por injustamente expor esta Corte e os magistrados que a integram ao juízo severo, inapelável e ao juízo negativo da própria cidadania”, disse Celso de Mello, no início da sessão de julgamentos desta quarta.

    Por Renan Ramalho, G1, Brasília


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