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    quarta-feira, 6 de setembro de 2017

    Empresário se apresenta à PF e confirma ter emprestado apartamento para Geddel na BA

    Informação foi divulgada nesta quarta-feira (6) pelo Superintendente da PF na Bahia, Daniel Madruga. 

    Prédio onde fica apartamento onde foram encontrados R4 51 milhões que seriam de Geddel. (Foto: Alan Oliveira/G1)
    O empresário Sílvio Silveira apontado como dono do apartamento onde foram encontrados R$ 51 milhões que seriam de Geddel Vieira Lima se apresentou à Polícia Federal e admitiu ter emprestado o imóvel, localizado numa área nobre de Salvador, para o ex-ministro guardar documentos. A informação foi divulgada pelo Superintendente da PF na Bahia, Daniel Madruga, nesta quarta-feira (6).

    Sílvio se apresentou na terça-feira (5), após ser intimado, e, de acordo com a PF, disse, no entanto, que não sabia que o local estava sendo usado para guardar dinheiro. Conforme o superitendente, o empresário relatou que cedeu o imóvel para que Geddel guardasse pertences do pai, que morreu em janeiro de 2016.

    "A informação que a gente tem é que esse apartamento teria sido emprestado supostamente para colocar pertences do pai do ex-ministro Geddel. E quando nós fomos lá, nos deparamos com o dinheiro. Na verdade, teria sido uma desculpa que ele usou para obter o apartamento emprestado", disse Madruga.
    PF encontrou dinheiro em malas e caixas dentro de apartamento em Salvador. (Foto: Divulgação/PF)
    O prédio onde o dinheiro foi achado fica na Rua Barão de Loreto, no bairro da Graça, e tem 18 apartamentos, dois por andar. A defesa de Geddel informou, nesta quarta-feira, que não concederá entrevistas ou depoimentos sobre o assunto.

    A Polícia Federal detalhou que o dinheiro encontrado no apartamento foi contabilizado em R$ 42.643.500 e US$ 2.688.000 (R$ 8.387.366,40, segundo a cotação do dia de 1 dólar = 3,1203 reais). A PF informou que a quantia localizada representa a maior apreensão de "dinheiro vivo" já feita pelo órgão. Para contar todas as cédulas, a Polícia Federal disse ter levado quase 12h.

    "Como o valor era muito alto, o volume de cédulas era muito grande, tivemos o apoio de uma empresa transportadora de valores, que utilizou oito máquinas pra contar as cédulas, com 11 funcionários. Isso começou por volta das 12h30 e foi quase até a meia-noite. Foram quase 12h contando o dinheiro", disse Madruga.

    O superintendente ainda disse que os policiais ficaram surpresos com tanto dinheiro. "Os policiais, quando entraram no apartamento, ficaram surpresos porque nós esperávamos encontrar documentos. Eles [os policiais] se depararam com caixas e e malas de dinheiro. A surpresa foi grande", disse o superintendente da PF na BA. Ainda conforme Madruga, após ser contabilizado, o dinheiro foi depositado na Caixa Econômica Federal, numa conta judicial.

    Madruga não deu mais detalhes sobre a investigação, que, segundo ele, ocorre em Brasília. "Aqui, a nossa função foi cumprir essa busca. Fizemos esses levantamentos, identificamos esse possível esconderijo que acabou se concretizando como um verdadeiro. Só que a investigação tramita em Brasília e só eles podem dar maiores informações sobre os próximos passos", disse.

    Apreensão

    A ação de busca e apreensão que localizou as malas e caixas de dinheiro, chamada de Tesouro Perdido, foi um desdobramento das investigações sobre fraudes na liberação de créditos da Caixa Econômica Federal, a operação Cui Bono. Geddel foi vice-presidente de Pessoa Jurídica do banco entre 2011 e 2013, durante o governo de Dilma Rousseff. No governo Temer, ele foi ministro da Secretaria de Governo.

    O apartamento teria sido emprestado ao ex-ministro para que guardasse os pertences do seu pai, mas, durante as investigações sobre Geddel, surgiu a suspeita de que ele estava usando o local para esconder provas de atos ilícitos e dinheiro em espécie.

    A busca e apreensão no apartamento foi autorizada pela 10ª Vara Federal de Brasília. No mandado judicial, datado de 30 de agosto, consta que "há fundadas razões de que no supracitado imóvel existam elementos probatórios da prática dos crimes relacionados na manipulação de créditos e recursos realizadas na Caixa Econômica Federal".

    Réu

    A Justiça Federal em Brasília aceitou, no final de agosto, denúncia da Procuradoria da República no Distrito Federal e transformou em réu o ex-ministro Geddel Vieira Lima por obstrução de justiça. Geddel foi denunciado após a Operação Cui Bono, por tentativa de atrapalhar as investigações sobre desvios no FI-FGTS, o fundo de investimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.

    De acordo com o MPF, entre 2011 e 2013, Geddel agia para beneficiar empresas com liberações de créditos e fornecia informações privilegiadas para os outros membros da quadrilha que integrava. A denúncia foi aceita pelo juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília.

    Em nota divulgada após a decisão da Justiça, a defesa de Geddel afirmou que: "Rechaça com veemência as fantasiosas acusações contidas na denúncia, fruto de verdadeiro devaneio e excesso acusatório. Tão logo notificado pelo juízo da 10ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, será apresentada a peça de defesa, oportunidade que demonstrará a inocorrência de qualquer ilícito e a necessidade de rejeição da inepta e inverídica acusação."

    A denúncia

    Segundo a denúncia da procuradoria, após as tratativas do operador Lúcio Funaro para fechar um acordo de delação premiada, Geddel começou a atuar para atrapalhar as negociações. O político fez contatos telefônicos constantes com a esposa de Lúcio Funaro, Raquel Albejante Pita.

    Ainda segundo o MP, as investidas de Geddel foram reveladas em depoimentos dados por Lúcio Funaro e a esposa e confirmadas por meio de perícia da PF no aparelho telefônico de Raquel Pita. Entre os dias 13 de maio e 1º de julho de 2017, foram 17 ligações.

    Aos investigadores, o casal também revelou ter ficado com receio de sofrer intimidações e retaliações por parte de Geddel, uma vez que o político possuía influência e poder, inclusive no primeiro escalão do governo.

    Perfil de Geddel

    Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) deixou o cargo de ministro da Secretaria de Governo em novembro de 2016. Ele foi acusado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de tê-lo pressionado para liberar uma obra na Ladeira da Barra, áre nobre de Salvador. Geddel era um dos principais responsáveis pela articulação política do governo Temer com deputados e senadores. Ele ficou no cargo por seis meses.

    O peemedebista também foi ministro da Integração Nacional do governo Lula, entre 2007 e 2010, depois de ter sido crítico ferrenho do primeiro mandato do petista e defensor do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). No ministério, encampou a transposição do Rio São Francisco, que prometeu efetivar em seu mandato.

    Atuou como vice-presidente de Pessoa Jurídica na Caixa entre 2011 e 2013, cargo do qual chegou a pedir exoneração pelo Twitter à então presidente Dilma Rousseff, pela possibilidade de concorrer nas eleições seguintes. Quem o convidou para o cargo foi Michel Temer. Foi derrotado por Otto Alencar (PSD) na eleição ao Senado.

    Formado em administração de empresas pela Universidade de Brasília, é natural de Salvador, onde foi assessor da Casa Civil da Prefeitura entre 1988 e 1989. Em 1990, filiou-se ao PMDB, partido pelo qual foi eleito cinco vezes deputado federal.

    Por Alan Tiago Alves, G1 BA


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