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    segunda-feira, 4 de setembro de 2017

    ARTIGO| Não vivemos num país sério

    Por: Waldir Guerra *
    Quando Charles De Gaulle era presidente da França disse que o Brasil não era um país sério. Na semana passada constatei que ele tinha razão porque acompanhei abismado alguns fatos que se contados na França, ou em qualquer outro país desenvolvido, todos iriam acreditar que realmente não vivemos num país sério. 

    Sim, coisas esquisitas andam acontecendo no Brasil. Na semana passada precisei me questionar algumas vezes para ver se não estaria sonhando. Li nos jornais e acompanhei pelos noticiários que um ministro do Supremo mandou soltar um sujeito que estava preso por desviar dinheiro público. Questionado por que não havia se declarado impedido já que havia sido padrinho de casamento de uma filha desse mesmo sujeito, o ministro alegou que sua esposa havia sido madrinha da noiva, não ele, ministro. 

    Mais: não justificou e nem explicou que sua esposa trabalha no escritório dos advogados que defendem o sujeito acusado de roubar dinheiro público. 

    Dois dias depois um Juiz Federal decretou novamente a prisão do mesmo e, pela segunda vez, o ministro do Supremo mandou soltá-lo novamente – agora perdoe-me, caro leitor, mas se você não acha esquisitas as decisões desse ministro, então você deve ser parente da Salomé – aquela do Chico Anísio. 

    Outra esquisitice neste país também na semana passada: o Presidente Michel Temer viajou para a China e, como não temos um vice, assumiu a Presidência da República o atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. A Presidência da Câmara passou a ser exercida pelo segundo vice-presidente da Casa: deputado André Fufuca. 

    Deputado de primeiro mandato do Estado do Maranhão e que tem apenas 28 anos de idade. Não tenho nada contra seu nome (Fufuca) e muito menos contra a falta de experiencia nos seus 28 aninhos completados no domingo passado; contudo, nesta semana entram em pauta para discussão na Câmara dos Deputados as Reformas, tanto a Eleitoral, como a da Previdência que têm prazos exíguos para ser examinadas e discutidas. Perdoem-me, mas esse deputado, pela falta de experiencia, não tem condições de conduzir os trabalhos. Caso esquisito esse também e você bem sabe que é porque estamos num país que não é sério – como diria novamente o General De Gaulle. 

    Outro caso esquisito e que me deixou muito triste na semana passada foi saber que um dos meus netos, Marco, que passou em primeiro lugar no vestibular de uma Faculdade Particular e preferiu cursar uma Universidade Federal, onde também obteve ótima classificação. Depois de alguns meses frequentando a Federal, obrigou-se a desistir dela. 

    Sim, fiquei triste, mas não porque Marco saiu da Federal para uma Particular; nisso ele tomou a atitude correta porque, as aulas foram iniciadas com cinco meses de atraso. Isso porque o ano letivo anterior precisou ser prorrogado em virtude da greve dos professores no ano passado; e depois, nesses primeiros meses de aulas, segundo ele, o não comparecimento dos professores tornou-se sistemático; ora por conta de licença médica, ora porque o substituto não foi acionado.

    Enfim, estou triste porque, junto com o Marco constatei que as Universidades Federais desmoronaram. Estou triste porque elas foram o desejo desde sempre de todo jovem em poder cursar uma delas e foi o desejo de meu neto também. Lamento Marquinho, infelizmente preciso te dizer que será mais fácil recuperar o BNDS e a Petrobrás que restituir o prestigio às Universidades Federais.

    Sim, preciso reconhecer que Charles De Gaulle tinha razão, este não é um país sério – pelo menos com suas administrações públicas.

    * Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, Secretário do Estado e deputado federal. (wguerra@terra.com.br) 


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