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    segunda-feira, 14 de agosto de 2017

    OPINIÃO| Na iminência de uma guerra

    Escalada de hostilidades entre Estados Unidos e Coréia do Norte potencializam probabilidade de conflito 

    Donald Trump e Kim Jong-un: dois lados da mesma moeda? 
    As farpas e ameaças constantes que Estados Unidos e Coréia do Norte vem deliberadamente trocando há anos não são segredo para ninguém que acompanha as beligerantes e tendenciosas hostilidades existentes entre os dois países, que intensificaram-se exponencialmente depois da Guerra da Coréia. No entanto, o tom das provocações aumentou drasticamente nos últimos meses. O fato de o Japão estar se preparando sistematicamente para um conflito, e até mesmo ensinando técnicas de proteção e sobrevivência aos cidadãos de algumas localidades contra possíveis ataques químicos ou biológicos, sinaliza quão preocupante ficou a situação. Com a impossibilidade de um diálogo entre Pyongyang e a Casa Branca, o que restou foram agressões e ameaças verbais. Mas toda ameaça invariavelmente atinge o estopim de um pernicioso ápice, que invariavelmente é o conflito armado.

    A recusa da Coréia do Norte de cumprir acordos internacionais sobre armas nucleares, e o fato de que tem por objetivo impor-se como potência nuclear agrava a situação. Os testes balísticos e a gradual expansão de sua logística bélica indicam uma insana, quando não corporativa, obstinação de desafiar todos os parâmetros diplomáticos estabelecidos. Como um isolado e “autossuficiente” reino eremita, a Coréia do Norte não enxerga como uma obrigação sua ter que cumprir medidas, acordos ou tratados internacionais, especialmente no que diz respeito a armas. A vil e destrutiva intransigência do tirano Kim Jong-un demonstra que o ditador tem a clara percepção de que, para reinar soberano de forma inconteste em seu próprio país, ele deve desafiar sistematicamente todas as considerações e resoluções políticas acordadas pela ONU e pela OTAN. Se isso consiste em adquirir, construir, armazenar e testar equipamentos bélicos nucleares, então que assim seja. Nada poderá contestar ou ignorar a sua soberania. Ao menos, é assim que raciocina Kim Jong-un. De forma autoritária e monolítica. 

    Evidentemente, a incontrolável expansão armamentista e a exorbitante, arbitrária e irrestrita arrogância do ditador norte-coreano tem assustado Seul e Tóquio, que são aliados de Washington. Sendo países vizinhos, A Coréia do Sul e o Japão, na iminência de uma guerra, seriam os primeiros países a serem atacados. Escolhendo não ignorar os apelos dos aliados, o presidente americano Donald Trump, de formas não muito sutis, tem alertado o ditador norte-coreano para recolher-se à sua insignificância. O que, infelizmente, não tem surtido muito efeito. É importante salientar que a Guerra da Coréia, apesar do armistício, nunca terminou. Os dois países, Coréia do Norte e Coréia do Sul, nunca assinaram um tratado oficial de paz, de maneira que as relações diplomáticas entre os dois países sempre foram demasiadamente conturbadas. Ambas as nações se veem como tendo o direito legítimo de governar toda a Península da Coréia. Não são poucos os comentaristas políticos e observadores internacionais que veem um lado positivo na possível eclosão de uma guerra: caso a Coréia do Sul se tornasse vitoriosa, libertaria os norte-coreanos do opressivo jugo do regime comunista. Com relação ao Japão, os ressentimentos poderão ser insuflados. A Península da Coréia foi colônia japonesa desde antes da primeira guerra mundial, até o final da segunda, quando então foi dividida em duas nações pelos aliados – soviéticos e americanos –, da mesma forma como fizeram com a Alemanha. 

    O presidente da China, Xi Jinping, tenta atuar como mediador do conflito. No entanto, faz o possível para manter a neutralidade, e não comprometer as relações de Pequim com Pyongyang.
    Mais recentemente, o presidente da China, Xi Jinping, em conversa telefônica com Donald Trump, manifestou seu apoio ao presidente americano. No entanto, insistiu por resoluções diplomáticas para o conflito, com o objetivo de não comprometer a paz e a estabilidade na região, tampouco dar início a uma desnecessária contenda mortífera e sanguinária. Trump, no entanto, não vê a China como um aliado excepcional; em não raras ocasiões, o presidente americano criticou o que percebeu como sendo fraqueza ou condescendência. Apesar de apreciar os esforços do aliado oriental, acha que a China – apesar de apoiar o embargo econômico que a ONU sancionou contra o regime de Pyongyang recentemente, o que deixou o governo norte-coreano enfurecido –, tem feito pouco para resolver o impasse de uma forma mais consistente e produtiva. A China, sem dúvida nenhuma, teme comprometer sua neutralidade, em virtude do fato de que tem, na Coréia do Norte, um de seus maiores parceiros comerciais. Aparentemente, irão manter-se neutros, caso as hostilidades sejam deflagradas por Pyongyang, mas caso os Estados Unidos tente agredir primeiro, a China se compromete a fazer de tudo para impedir o ataque.
    Recentemente, Kim Jong-un ameaçou bombardear com ogivas nucleares o território americano de Guam, localizado no Oceano Pacífico.
    No entanto, ao ameaçar atacar a ilha de Guam, entreposto americano localizado no Pacífico, Pyongyang deliberadamente demonstra toda a sua agressividade, ira e insensatez, e provoca uma situação de alerta; evidentemente, os Estados Unidos não poderia deixar de tomar medidas cautelares apropriadas. Em uma declaração recente, o presidente americano Donald Trump usou as palavras “fogo e fúria” – ao expressar quão mortífera seria a retaliação americana contra um possível ataque norte-coreano –, que literalmente ecoaram por todos os veículos midiáticos globais, impressos e virtuais, ao mostrar-se, de forma justa, exasperado com as constantes ameaças de Pyongyang. Como todo presidente sensato, Donald Trump, não iria manter-se em silêncio. Defender os americanos, bem como a integridade de todo e qualquer território que pertença aos Estados Unidos, seja ela ultramarino ou continental, é o mínimo que ele pode fazer. No entanto, não poucos veículos da imprensa global parecem retratá-lo de forma presunçosa, maligna e equivocada, como se o vilão da história fosse ele, ao invés do prepotente e maléfico ditador norte-coreano. 

    Evidentemente, as hostilidades entre os Estados Unidos e a Coréia do Norte vêm se arrastando por anos, e, na constante iminência de uma guerra, que nunca é deflagrada, o mundo fica em um perpétuo estado de expectativa. O que não significa, de forma alguma, que uma guerra jamais irá eclodir. Com a progressiva escalada das agressões verbais entre as duas nações, a verdade é que a qualquer minuto, as hostilidades poderão passar do campo verbal para o territorial. E apesar de ser constantemente retratado de forma negativa pela mídia, o presidente Donald Trump tem demonstrado uma conduta honrosa, verdadeiramente digna de um presidente. Está disposto a defender sua pátria e também a proteger e auxiliar os seus aliados – Coréia do Sul e Japão –, de forma incondicional. Com todos os motivos e razões para isso, ambas as nações suplicam por ajuda para conter os arroubos sórdidos, viscerais e grandiloquentes de um ditador insano e intransigente, em virtude do fato de que, na iminência de uma guerra, serão as primeiras a sofrer as drásticas consequências dos perigos de serem nações vizinhas de uma beligerante, arrogante e destrutiva potência atômica. Que não se importa com ninguém, a não ser com a sua belicosa e corrosiva megalomania armamentista, e a constante exibição desta para o resto do mundo. 




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