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    segunda-feira, 7 de agosto de 2017

    OPINIÃO| A consolidação de uma ditadura

    Nicolás Maduro recentemente deu início a um expurgo político, mandando encarcerar os líderes da oposição
    O êxodo de venezuelanos desesperados para fugir do seu país, e ficarem livres da terrível, crítica, maléfica e oprimente ditadura narco-bolivariana, que progressivamente torna-se cada vez mais perniciosa, autocrática, hostil e beligerante, chega a milhares de pessoas. Enquanto os destinos mais procurados são Colômbia, Peru e Chile, o Brasil igualmente recebe imigrantes venezuelanos, em quantidades progressivamente maiores, conforme a crise se intensifica. Todos com esperanças de uma vida melhor longe da escassez e das privações que são uma consequência palpável do socialismo bolivariano. Em um gesto de consideração, recentemente o governo brasileiro aboliu a taxa migratória de 311 reais cobrada dos imigrantes. Como muitos indivíduos são cidadãos carentes de praticamente tudo, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União solicitaram a suspensão da taxa, elevada demais para pessoas em situação de extrema pobreza. Por enquanto, o estado limítrofe de Roraima tem sido o destino dos imigrantes venezuelanos que chegam ao país. 

    Tudo isso, para escapar do inferno onde o demônio é Nicolás Maduro. Tendo consolidado uma ditadura cruel e nefasta, que não admite oposição, o autocrata bolivariano têm o desejo de reinar supremo em seu país, e fará o que for necessário para atingir este objetivo. Recentemente, começou a prender os membros da oposição, que manifestaram-se contra a constituinte por ele convocada, com a finalidade de outorgar-lhe poderes plenipotenciários, como um recurso desesperado para substituir a ausência de apoio popular. Isso depois da empresa de urnas eletrônicas Smartmatic anunciar que os resultados fraudulentos da constituinte foram inadvertidamente manipulados. Nada disso, porém, faz alguma diferença para o totalitário socialismo chavista, cujo ditador pretende reinar inconteste e soberano em um regime autoritário onde o medo, o terror e a intimidação estão se tornando cada vez mais frequentes, com a atuação de uma polícia política que não contesta ordens, apenas as cumpre rigidamente, executando tudo o que lhe for solicitado, em nome da lealdade a Maduro. 

    Não obstante, conforme a ditadura se intensifica, e Maduro lança mão de recursos ilegais ou extrajudiciais para consolidar-se no poder, insurreições intensificam-se pelo país inteiro, como resultado do descontentamento e da insatisfação generalizada. Insatisfação, esta, que não apenas deve ser encarada como uma flagrante reação que ocorre em decorrência da deterioração da democracia na situação política do país, mas também como uma maneira de subverter o status quo, e buscar uma alternativa ao caos e a calamidade que instauraram-se no país inteiro. Em meio a um terrível cenário de precariedade generalizada, onde a falta de medicações, alimentos e produtos básicos pode ser qualificada como uma abominação de proporções catastróficas, as inquietações se alastram por todos os setores do país, inclusive sobre os militares. Recentemente, uma rebelião em uma base militar na cidade de Valencia foi sufocada por soldados leais aos ideais chavistas. No entanto, isso demonstra como a instabilidade está afetando as forças armadas do país, que tem diversos membros envolvidos em conspirações para derrubar o governo. 

    Com a consolidação e a imposição de uma ditadura cada vez mais brutal, agressiva e truculenta, ostensivas sanções reacionárias são invariavelmente tomadas contra a Venezuela, como retaliação por suas beligerantes e insistentes inclinações antidemocráticas. Os países do Mercosul, nesta questão, optaram por retirar a Venezuela do bloco, decisão tomada após a revelação de fraude no resultado da constituinte. No entanto, até certo ponto, as trocas comerciais com o país continuarão, segundo o ministro das Relações Exteriores, para não intensificar a crise humanitária no país, que encontra-se em um nível de alarmante calamidade. Não obstante, as relações comerciais dos países do Mercosul com a Venezuela vinham sofrendo um vertiginoso declínio desde 2012, período no qual o país começou a apresentar indícios do vultuoso retrocesso econômico do qual hoje é refém.

    Consolidando gradualmente uma ditadura através de medidas que lhe conferem plenos poderes, Maduro torna-se essencialmente um autocrata
    Nicolás Maduro, não mais um presidente, mas um ditador, vem fazendo o que for necessário para aumentar seus poderes soberanos. Preocupado unicamente em silenciar, sufocar e asfixiar a oposição para reinar inconteste em seu pequeno feudo sul-americano de fome, pobreza, miséria, estagnação e escassez socialista, não é surpresa nenhuma que a situação política, econômica e social do país esteja se deteriorando de forma vertiginosa e irreversível, em condições tão deploráveis quanto caóticas, sendo impossível contemplar de forma realista quaisquer possibilidades de solução em um futuro próximo. Prognóstico deprimente para o povo venezuelano. 

    Negar o horror absurdo e o sofrimento dos venezuelanos é algo tão impensável, impertinente e desumano quanto inominável e ofensivo, e divide opiniões até mesmo entre a esquerda brasileira. Invariavelmente, as anormalidades, arbitrariedades e a flagrante deterioração das condições existentes hoje no país, causadas pelo governo de Nicolás Maduro, quando não ocasionadas diretamente pela sádica, intempestiva e impertinente intransigência do próprio ditador, revelam um país destroçado e desesperançado, em direção a um profundo e irreversível declínio, que se tornará um pandemônio de proporções cada vez mais convulsivas, sórdidas e destrutivas. Um cenário no mínimo desolador e inóspito, para quem fica. 




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