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    quarta-feira, 23 de agosto de 2017

    Distritão causaria mais mudanças nos estados que na Federação

    Nas novas regras, 9% da Câmara do Deputados ficariam de fora, ou seja, 45 deputados

    © REUTERS/Ueslei Marcelino
    A Câmara adiou mais uma vez a votação da reforma política, que inclui a votação sobre o Distritão que, caso seja aprovado, virá acompanhado de regras que devem afetar não tanto Brasília, mas a política nos estados e municípios do Brasil.


    O Distritão nada mais é que a extinção quociente eleitoral e os candidatos mais votados ocupariam as cadeiras. Não há voto em legenda ou partido. Além disso, o modelo permite que existam os "puxadores de votos", candidatos bem votados que garantem vagas para outros integrantes da coligação. Leia mais sobre o Distritão aqui.

    Caso nas eleições de 2014 as novas regras estivessem valendo, afirma a Folha de S. Paulo, 9% da Câmara do Deputados ficariam de fora, ou seja, 45 deputados. Já no caso das assembleias legislativas, esse número aumentaria. No Acre, por exemplo, 24 deputados estaduais não teria conseguido se eleger. Em Amapá, no Espírito Santo, em Roraima e no Distrito Federal, pelo menos 20% dos deputados não teriam tido votos suficientes. No total, 20 dos 27 estados teriam mudanças maiores que as observadas na Federação.

    A Folha cita três exemplos. No Acre, o número de legendas ocupando cadeiras da Assembleia seria menos variado: de 16 para 13. No Rio, o PMDB, aumentaria de 15 para 24 o número de deputados. Já o PSOL, cairia de cinco para um. No Paraná, o PSC diminuiria sua presença pela metade: 12 para seis.

    "A Câmara dos Deputados, no sistema atual, se aproxima de uma eleição majoritária. Para se eleger deputado é preciso ter muito dinheiro ou outro tipo de capital, como ser conhecido via meios de comunicação ou igreja", afirma Emerson Cervi, doutor em ciência política e professor da UFPR (Universidade Federal do Paraná), à Folha de S. Paulo. "Nas Assembleias, é possível que candidatos contem mais com a força da legenda", diz.

    Já Márcio Carlomagno, mestre em ciência política e pesquisador vinculado à UFPR, afirma que essa projeção pode ser enganosa:

    "As simulações são feitas sobre um modelo passado. As estratégias adotadas seriam completamente diferentes. Uma das questões que vão ser alteradas é o número de candidatos. Hoje, os partidos têm incentivo para lançar o maior número de nomes, porque mesmo se o candidato conseguir só cinco votos, há um ganho para a legenda. [No novo modelo], os nomes famosos vão se eleger, mas eles podem estar nos partidos pequenos", diz Carlomagno.

    Fonte: NAOM


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