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    segunda-feira, 31 de julho de 2017

    OPINIÃO| Governo: A confraria estatal da extorsão institucionalizada

    O presidente Michel Temer foi um dos principais articuladores do aumento da tarifa sobre combustíveis © Divulgação
    O grande economista americano Murray Rothbard certa vez disse que governos são “organizações de roubo sistematizado”. Sábias e verdadeiras palavras. Nós, brasileiros, podemos atestar a veracidade e a consistência deste aforismo todos os dias de nossas vidas, pois não importa quem está no poder, não importa quem são os nossos dirigentes governamentais, parece que a classe política não é capaz de fazer absolutamente nada a não ser espoliar a população. O mais recente aumento dos impostos sobre os combustíveis – em um pernicioso momento de recessão econômica, o pior na história de nosso país –, atesta muito bem este fato. 

    Os responsáveis por este monstruoso golpe financeiro no cidadão brasileiro são dois indivíduos nefastos e dissimulados, que não raro fazem as manchetes no cenário político nacional: o presidente em exercício Michel Temer, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Ambos foram bastante cínicos ao tentar justificar a “necessidade” do aumento. Michel Temer disse que a população “vai entender” o reajuste, enquanto Rodrigo Maia argumentou que não haveriam outras opções disponíveis. O cinismo por trás de tais “justificativas” esconde o pernicioso pretexto que todos nós compreendemos muito bem, e está subentendido nas entrelinhas de suas intenções: jogar a dívida pública sobre o povo brasileiro, fazendo com que o cidadão comum – este, que não possui auxílio moradia, auxílio paletó, renda mensal de R$ 39.000,00 e despesas pagas com transporte, tanto aéreo quanto terrestre – continue bancando os incomensuráveis gastos do governo, que nunca pensa em cortar salários, reduzir verbas de gabinete ou suprimir privilégios para tentar conter os seus deploráveis gastos exorbitantes e irrealistas. Claro, é muito fácil ser perdulário com o dinheiro dos outros. Desta maneira, caro leitor, o governo entende que é você que deve sustentar os privilégios e os custos exorbitantes do estado, enquanto trabalha e vê 40% de sua renda, no mínimo, quando não mais, ser asfixiada e extorquida em impostos diretos e indiretos. É o seu trabalho que sustenta uma ociosa, sádica e indiferente elite governamental, que nada faz por você, a não ser sugar os frutos e os rendimentos do seu trabalho, que com toda a certeza fica cada vez mais mortificante, difícil e escasso, conforme a recessão se agrava. 

    O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que com relação ao reajuste do PIS/COFINS havia afirmado que o governo não aprovaria emendas que fossem onerar ainda mais o cidadão, foi um dos principais responsáveis a sancionar o aumento da tarifa sobre combustíveis © Divulgação
    O político brasileiro, sem dúvida nenhuma, vive alienado em uma realidade paralela, sem nenhum tipo de compromisso com a população. Se houvesse, de fato, algum real senso crítico de integridade, veracidade e comprometimento nesta espécie de indivíduos, eles já teriam renunciado aos seus salários, privilégios e benefícios há muito tempo, para compartilhar dos laboriosos sacrifícios e compactuar da dura realidade em que vive o povo brasileiro. No entanto, eles não fizeram isso, e nunca pensaram em fazer. Tal atitude revela muito sobre quem eles realmente são. Na verdade, não passam de indivíduos perniciosos, grosseiros e egoístas, que se importam unicamente com seus dividendos, e com a vida de luxo e conforto que o funcionalismo público fartamente lhes propicia, enquanto são completamente indiferentes à brutalidade da realidade que o brasileiro tem de confrontar diariamente em nome de sua própria sobrevivência: escassez, privações, criminalidade e violência – entre muitos outros problemas – fazem parte do cotidiano do bravo e aguerrido cidadão deste país. Nossos sonolentos gestores públicos, por sua vez, parecem não ter nenhuma consideração para com os cidadãos que os elegeram. Todas as preocupações deles giram única e exclusivamente em manter os privilégios que eles conquistaram durante o mandato, e em expandir e alargar sua esfera de poder e influência. 

    O aumento dos impostos sobre combustíveis, como esperado, começou a ter sórdidas e nefastas consequências no mercado. O preço dos alimentos e dos transportes sofrerão reajustes, e o tão conhecido e impreterível efeito cascata afetará o consumidor em cheio, reduzindo o seu já tão combalido e desgastado poder de compra. Como sempre, o governo nunca pensa no cidadão. Em primeiro lugar, o governo pensa na manutenção dos seus gastos e privilégios. Ao invés de solucionar o problema na raiz, através de projetos efetivos e eficientes, nossos perdulários e cômicos dirigentes deixam toda a sua preguiça, indolência, ociosidade e incompetência falarem por si só. Aprovam as piores emendas que poderiam aprovar, e como crianças completamente incapazes de pensar além do próximo pirulito, não tem a menor capacidade mental de ponderar a respeito das consequências de suas péssimas decisões sobre a população. 

    Evidentemente, o político brasileiro é como uma criança deslumbrada em um parquinho de diversões: faz xixi na calça, derrama o sorvete na blusa e não tem pudor de falar com estranhos. Os seus pais, no entanto, tem a obrigação e o dever moral de disciplinar, ensinar e corrigir a criança. Infelizmente, constatamos que até crianças são mais fáceis de serem instruídas e corrigidas do que o político brasileiro, que não passa de uma criança grande, sempre lambuzada e com as fraldas sujas, completamente incapaz de abandonar o narcisismo e o egocentrismo de um recém-nascido.




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