Campo Grande (MS),

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    sábado, 22 de julho de 2017

    No cemitério, mãe recebe notícia de que não poderia enterrar filha vítima de Nando

    Estado liberou corpo, mas não informou mãe sobre prazo para enterro

    © Henrique Kawaminami
    A batalha de Matilde Farias da Silva, 39, para conseguir despedir-se da filha Aline Farias da Silva, que morreu aos 22 anos (investigada como uma das vítimas de ‘Nando’), parecia ter chegado ao fim na sexta-feira (21). A mãe luta há quase um ano para ter acesso aos restos mortais da filha, enterrá-la e despedir-se.

    O Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) finalmente liberou o corpo na sexta, e Matilde já havia organizado junto à funerária, o enterro de Aline na manhã deste sábado (22). Com a família reunida no cemitério Santo Amaro, em Campo Grande, ela foi informada, pela funerária, de que o enterro não poderia ser realizado.

    O motivo? Uma lei impede o cartório de conceder o atestado de óbito após 1 ano, e o corpo de Aline ultrapassou esse prazo à espera dos reagentes para realizar os exames finais da perícia no Imol, em falta por falta de recursos do governo de Mato Grosso do Sul. Mais uma vez, relata a família, a burocracia do Estado impede a tão sonhada despedida.

    “Estava sem o reagente, aí chegou o reagente. Aí me ligaram falando que tinha chegado o reagente, daí fizeram o exame e falaram que está liberado os restos mortais dela lá, que era pra eu ir lá ontem (21) assinar os papeis. Fui lá ontem, fiquei o dia inteiro, assinei os papeis, consegui o auxílio funerário com o Prefeito pra ela, diz que não podia ter velório, ia direto pro cemitério, tá, tudo bem. Aí foi marcado pra hoje 9h”.

    “Aí quando foi de manhã todo mundo se levantou e se arrumou pra ir, aí agora a Pax me ligou falando que foi barrado, que o juiz barrou o sepultamento, porque faz 1 ano e 8 meses que ela ficou lá porque não tinha material e a máquina de fazer o teste de paternidade estava quebrada, não foi culpa minha, foi culpa do governo lá e agora foi tudo barrado. Olha, é um calvário esse sepultamento”, relata Matilde.

    Aos poucos a revolta dá lugar a tristeza e com a voz embargada, a mãe questiona: “Depois de eu conseguir tudo vem barrar?”.

    Defensoria terá que agir

    Nesta manhã a família esteve em reunião junto à Defensoria Pública, que irá ingressar judicialmente para conseguir o atestado de óbito que permite que o corpo seja enterrado.

    Líder comunitário no Jardim Noroeste, onde vive a família, Antônio de Jesus, 49, culpa o governo do Estado. O serviço funerário foi custeado pela Prefeitura, que possui um programa junto às empresas funerárias, segundo Antônio, mediante descontos em impostos.

    “O corpo dela está dentro do carro aqui [carro da funerária], caso não resolva de imediato tem que devolver pro Imol. A lei diz que passou de um ano, a defensoria ou o advogado tem que informar o juiz, para o juiz informar o segundo ofício. Ela está desgastada [Matilde]”.

    A família culpa do Imol e o Estado por não orientarem sobre o prazo. “O Imol deveria orientar. O cartório falou que não assina o atestado de óbito porque tem um prazo, e sem o atestado não pode enterrar”, comenta Antônio.

    Calvário

    Aline, indicam as investigações, é uma das vítimas de Luiz Alves Martins Filho, o Nando, suspeito de ser o autor de uma série de crimes no bairro Danúbio Azul. Por anos jovens, adolescentes, a maioria mulheres, sumiam do bairro. A polícia descobriu o esquema digno de filmes de terror, em que as jovens com vícios em drogas, eram mortas, em ‘novelo’ que envolve tráfico e exploração sexual.

    Marido de Matilde e pai de Aline, Antônio Marcos Joaquim, 43, contou, nesta manhã, que antes dos crimes serem investigados, a família encontrou Nando em um supermercado. No local, teriam perguntado pela filha, sumida há meses. “Se eu ver ela eu falo para a senhora”, teria prometido ele à Matilde.

    “E ele já tinha matado ela faz tempo”, acusa Antônio.

    Enquanto isso, Nando reclama do atendimento na prisão e quer ir para casa. Alegando problemas de saúde e “precário atendimento médico oferecido” pelo sistema penitenciário, ele pediu à Justiça substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar. Preso desde o dia 10 de novembro do ano passado, ele se intitulou ‘justiceiro’ e confessou ser o responsável pela morte de 16 pessoas, destas, 13 enterradas em um cemitério clandestino no Bairro Danúbio Azul, em Campo Grande.

    Fonte: Midiamax
    Por: Izabela Sanchez
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