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    sábado, 17 de junho de 2017

    ARTIGO| Se ressuscitássemos Policarpo Quaresma?

    Por: Victória Ângelo Bacon
    Assim como em Policarpo Quaresma, do escritor imortal Lima Barreto, que sonhava em mudar o cenário brasileiro do início do século XX mergulhado em crises e decepções de uma República que se instalava aos trancos e barrancos, assim se espelha o Brasil de hoje, com tantas decepções. Um judiciário politizado com seus golpes à Constituição. Um legislativo amedrontado com tantas delações e prisões. Enfim, um poder executivo refém de um presidente sem carisma, sem prestígio, sem popularidade, sem nada!

    Policarpo Quaresma, em seu Triste Fim, um brasileiro no início do século XX, devotado as causas nacionais de forma ufanista, professor de sonhos e aprendiz eterno. Esse personagem consegue advogar em favor de temas tão atuais quanto à reforma agrária, a moralização da política nacional, a valorização da cultura indígena, o direito de manifestação e, principalmente, a honestidade de princípios, a coerência entre prática e ação... .

    Como seria o nosso Policarpo Quaresma em 2017? Seria tão quão triste e fadado ao desespero profundo, num país que a minha geração que assistiu inflação, a queda de dois presidentes, a mudança de um plano econômico tudo ou nada, o nascimento da internet, políticos poderosos que até então eram semideuses serem presos e imperadores do dinheiro (Odebrecht) estarem fadados ao esquecimento e a o isolamento. 

    Como em 1911, num Brasil ainda coronelista, fechado e esgotado com os resquícios viciados de uma República que começou tão erradamente sob pressão de quem apenas interessava naquele momento (1889) em novo modelo político, o atual sistema está degradado, esgotado, viciado, corrompido e totalmente deslegitimado. Em regra, os eleitores não votam nas ideias e propostas dos candidatos na mesma medida que os candidatos não pautam suas campanhas por debates e ideias programáticas. O uso de dinheiro nas campanhas eleitorais faz e desfaz candidaturas: ter é mais que ser.. Os eleitos não se sentem fiscalizados pelos eleitores, até porque a grande maioria dos eleitores não acompanha o exercício do mandato. Os partidos políticos estão enfraquecidos e os membros-filiados desconhecem e por isso descumprem seus princípios estatutários.

    A prática clientelista dos pequenos favores (ajuda de custo, pedido de cargos, patrocínio de festas e formaturas, transporte de doentes do interior para a capital, pagamento de mensalidades escolares, etc) reduz a Política a uma sucursal do fisiologismo privado, igualando a todos – nós políticos e os eleitores – a posição de cúmplices diretos de um sistema que alimenta a corrupção, a subserviência eleitoral e o mais grave a própria negação da Política, uma vez que assim, os eleitos deixam de ser os melhores Políticos, mas os “melhores” prestadores de favores.

    A Reforma Política deve ter em mira as futuras gerações para que as mudanças deflagradas por ela, ainda que lentas, sejam progressivas e fomentem uma nova cultura política no país. Depende de cada um dos atuais legisladores federais que os filhos dos filhos dos nossos filhos nos evoquem com o orgulho de quem reconhece grandes feitos dos grandes homens. Nosso futuro está fadado assim como em Policarpo Quaresma, que sonhava com um Brasil tão brasileiro, tão acolhedor com seu povo e tão grande como sua própria natureza. Ainda estamos em tempo de salvar a democracia no Brasil. “Deus é brasileiro”, diz o ditado, e apontará os melhores caminhos.


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