Campo Grande (MS),

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    sexta-feira, 9 de junho de 2017

    AMPLA VISÃO| Ayache, Odilon e Pedro Chaves: os sobreviventes


    OS ESTRAGOS eleitorais por aqui não distinguiram partidos e lideranças. É bom saber: um mês antes de estourar o caso da delação de Joesley Batista, a Polícia Federal já havia remetido à Justiça Federal planilhas da JBS sobre o pagamento de propinas no valor de R$34 milhões endereçados a políticos e ao PMDB local. 

    DETALHES Os documentos foram apreendidos pela Polícia Federal na ‘Operação Lama Asfáltica’. Mas ainda em 2016, a mesma PF apreendeu na casa de um secretário adjunto da Fazenda Estadual, planilhas com datas, nomes, valores e cópias de três acordos de incentivos fiscais da JBS e Governo Estadual .

    AUDITORIA das planilhas mostrou; os benefícios tributários obtidos pela JBS correspondiam exatamente aos valores anotados como pagamentos à proporção de 20%; R$ 5 milhões ao PMDB, R$9,2 milhões para uma empreiteira e R$ 2 milhões à uma gráfica, entre outros. Joesley foi categórico: “começou na época do governador e atual deputado Zeca do PT”. 

    VERDADE? Valdir Boni, delator no acordo fechado com a Procuradoria Geral da República, diz que a JBS pagou R$150 milhões como remuneração pelos decretos, tanto na gestão de Puccinelli (PMDB) quanto na do atual governador Reinaldo Azambuja (PSDB).

    AS REAÇÕES dos políticos locais não podiam ser diferentes, como aliás, tem sido nos casos de todos personagens envolvidos na ‘Lava Jato’. Destaco a iniciativa do governador Reinaldo em pedir ao Supremo Tribunal Federal a anulação da delação premiada e que o ministro Fachin não seja o relator da ação aberta. Não há prazo para a decisão do ministro Celso de Melo. 

    MAIS FOGO! Além disso, o caso daquela gravação mostrada no ‘Fantástico’ acabou por estremecer ainda mais os pilares do Governo Estadual. Tanto que o ex-deputado Paulo Duarte tem grandes chances de ser convidado para o cargo de Secretário da Fazenda, pois é do quadro e tem bom transito. 

    A NOTÍCIA é do conhecimento público e teria gerado prejuízos aos cofres públicos. Daí que a intervenção do Ministério Público Estadual deve se fazer presente, mostrando sua independência. O órgão é diferente da Assembleia Legislativa, uma casa que se pauta pela conveniência política. 

    NOTAS FISCAIS Como estão as investigações para se saber se os emitentes tinham lastro para tais emissões? A Polícia Rodoviária Federal comprovaria que os ‘caminhões fantasmas’ dos tais bois não teriam sido detectados nos radares das rodovias que demandam às fazendas citadas. Saíram de helicóptero?

    NOS PORÕES do poder há muita sujeira. A delação da JBS mostrou os‘operadores’ das mutretas: Ivanildo da Cunha Miranda, João Baird e André Luiz Cance. Aliás, Ivanildo também participou do comitê de arrecadação na campanha eleitoral de Reinaldo ao governo. Alguma dúvida?

    OS DEPUTADOS estaduais fingem não ler os jornais ou que não frequentam a mídia. Não tratam das denúncias como deviam pelas implicações partidárias. Mas o que não se pode é desprezar a inteligência da população, indignada e sofrendo as consequências da corrupção generalizada. 

    AGRAVANTE Enquanto se discute a pesca do dourado na Assembleia Legislativa as manifestações por aumento salarial vão aparecendo. Cansados de tentar uma negociação através do poder legislativo, os policiais civis acenam com greve. O acampamento em frente a governadoria prova isso.

    E AGORA? Por motivos óbvios há mais dúvida do que certeza quanto aos resultados da Comissão Parlamentar de Inquérito criada para investigar as denúncias de corrupção no Governo Estadual entre 2010 e 2017. Os 5 deputados terão até 180 dias para apresentar sua conclusão. CPI ; sabe-se apenas como começa. O final é incerto. 

    A TRADIÇÃO leva-nos a acreditar que o tempo acabará por minimizar a importância desta comissão. O presidente dela, deputado Paulo Correa (PR), não foi beneficiado por doações da JBS, mas foi flagrado ensinando um colega a fraudar a lista de presença de funcionários. Convenhamos: um péssimo precedente. 

    CENÁRIO Pelo que ouço nas ruas, a classe política pode se preparar para uma reação sem precedentes em 2018. A opinião pública que já se sentia indignada com os escândalos a nível nacional, está simplesmente enfurecida com os escândalos revelados ultimamente aqui no Estado. 

    FIGURAS públicas atingidas pelas denúncias – comprovadas ou não – passaram a ser estigmatizadas no imaginário popular. Injustiças à parte, está aberto um grande espaço para novos pretendentes a vida pública, sem vícios e com propostas confiáveis. O povo está enojado com tamanha corrupção. 

    EVIDENTE que é difícil encontrar cidadãos competentes da iniciativa privada disposto a assumir tamanho risco de desgaste num embate eleitoral. O mau cheio que exala do fosso político espanta qualquer mortal. Mas a mídia tem que acreditar que outros bons nomes surjam. 

    NOMES Menos pelas pesquisas, mais pelo que ouço por aí, vão ganhando manifestações crescentes de simpatia o senador Pedro Chaves, o médico Ricardo Ayache (Cassems) e o Juiz Federal Odilon de Oliveira que ensaia aposentadoria do cargo. Lembro: teremos duas vagas ao Senado e a Governador. 

    O SENADOR Pedro Chaves (PSC) é professor que se transformou em empresário da educação por méritos pessoais indiscutíveis. Em pouco tempo de mandato tem conseguido se destacar nacionalmente como mostra a mídia. Sua experiência de vida e sua visão moderna de administração se entrelaçam. 

    O MÉDICO Ricardo Ayache (PSB) revelou-se um bom administrador no comando da Cassems. Sua incursão inicial na política como candidato suplente do senador Delcídio do Amaral deu-lhe maior visão do cenário político. Tem evitado manifestar-se mas há sinais de que poderia aceitar o desafio. 

    DR. ODILON Claro! Sua função jurisdicional não lhe permite agradar a todos.. Mas seu estilo e formação manifestados ao longo da sua carreira o habilitam a ingressar na política pela porta da frente. Quando se discute tanto direito e justiça, ele seria um bom paladino no Senado, por exemplo. 

    “TALVEZ” Sobre sua eventual candidatura à Assembleia Legislativa em 2018, o presidente da Assomasul, Pedro Arlei Caravina (PSDB), prefeito de Bataguassu, confessou que o atual cenário turbulento não permite projetos a longo prazo. É claro, tudo dependerá dos ventos que estiveram soprando na época. Ajuizado ele!

    “Eu prefiro o anonimato. Um juiz dedicado aos seus processos que não tem nenhum glamour”. (Min. Herman Benjamin - TSE)
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