Campo Grande (MS),

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    quinta-feira, 18 de maio de 2017

    ARTIGO| "56 milhões de dólares para Campo Grande"

    Por: Pedro Chaves*
    Como todo cidadão e cidadã que mora em Campo Grande, eu estava inconformado com a situação de abandono que vive o Centro da nossa cidade. Quadras inteiras de prédios onde havia comércio e outras atividades econômicas, lamentavelmente, só se veem portas fechadas. 

    Hoje, poucos se aventuram a passear pelas ruas do Centro da Cidade Morena no período noturno. A Associação Comercial de Campo Grande estima que mais de 200 lojas foram fechadas no perímetro central. 

    Nasci em Campo Grande e me criei na região central da cidade. Esse quadrilátero era bonito, seguro e acolhedor. Tudo acontecia nessa área. Inclusive as atividades comerciais e culturais. 

    No Centro estavam o comércio, as emissoras de rádio, as escolas, faculdade, estação ferroviária e rodoviária, os cinemas, o Estádio Belmar Fidalgo, Fonte Luminosa da Praça Ari Coelho, bares e restaurantes e os tradicionais carnavais de outrora. O footing da 14 de Julho, aos domingos, era um momento em que as pessoas vinham para o Centro para celebrar a vida.

    Isso tudo praticamente acabou. “O progresso que constrói e destrói coisas belas”, como diz Caetano Veloso em sua música Sampa, chegou por aqui. 

    Sou sabedor que o desenvolvimento das cidades tende a incorporar outras áreas. Novos bairros e oportunidades econômicas e sociais aparecem. Isso é muito bom. Só que, a meu ver, tudo isso pode e deve acontecer sem a degradação do Centro. Não há contradição entre o desenvolvimento dos bairros e do Centro. Basta que o poder público e o privado coloquem como prioridade a preservação dessa área. 

    Eu sou um soldado na luta pela recuperação do Centro da Cidade Morena. Há algum tempo venho buscando alternativa para esse drama. Em 2013, por exemplo, tomei conhecimento do projeto Viva Campo Grande II. A prefeitura pleiteava empréstimo junto ao BID, no valor de US$ 56 milhões, para revitalização do Centro. Desde então, acompanho com os técnicos do município a dinâmica desse programa. 

    Por isso, logo que assumi o mandato de senador, tomei a decisão de procurar caminhos que permitissem resgatar o empréstimo que a prefeitura pedia ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que por diversas vezes correu o risco de não se materializar. 

    Fiz uma verdadeira maratona com o objetivo de destravar o projeto Viva Campo Grande II que estava no Ministério da Fazenda. Depois, consegui que o Senado Federal, em tempo recorde, aprovasse o referido empréstimo. 

    No último dia 12 de maio, com o prefeito Marcos Trad, assinamos o contrato de empréstimo com o BID. Agora esse dinheiro está à disposição da prefeitura para iniciar o programa, que, entre outras coisas, urbanizará as ruas compreendidas entre a Avenida MatoGrosso e a Fernando Correia da Costa. 

    Algumas dessas ruas terão suas calçadas ampliadas e as faixas de rolamento para automóveis reduzidas. Toda fiação será subterrânea. O projeto prevê vias mais iluminadas e seguras, com implantação de áreas de descanso, bancos, novas árvores e estruturas que garantam conforto aos pedestres. 

    Os recursos serão investidos também na requalificação dos passeios públicos no entorno do Mercado Municipal, Horto Florestal, Morada dos Baís e Camelódromo, integrando-os à Orla Ferroviária e a 14 de Julho. O Viva Campo Grande II englobará também um projeto-piloto de habitação, que pode absorver R$ 40 milhões para um complexo multiuso, que envolve comércio, serviço e habitação de toda a região central. A ideia é construir de 350 a 400 unidades habitacionais, por meio de parcerias público-privadas. 

    Como venho reafirmando em depoimentos e entrevistas, esse processo de modernização que a cidade vai viver, sem dúvida, contribuirá para que as pessoas voltem a circular no centro da Capital, com segurança e conforto, o que é muito bom para o comércio e para a cultura da cidade.

    *Senador da república
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