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    segunda-feira, 17 de abril de 2017

    OPINIÃO| A Hora da Verdade: Será deflagrada uma nova guerra entre as Coreias?

    Com a intensificação das hostilidades políticas, uma guerra na Península da Coréia parece ser iminente. 
    Quem acompanha o desenvolvimento dos atritos e das discórdias no cenário global consegue vislumbrar facilmente o que está se desenvolvendo por trás da arena política: com as tensões entre a Coréia do Sul e os Estados Unidos de um lado e a Coréia do Norte do outro acentuando-se exponencialmente – some-se a isso a pertinaz e contundente ameaça de uma provável conflagração bélica no ar –, é quase inevitável assimilar o fato de que estes países, muito em breve, acabarão partindo para uma brutal e pérfida agressão militar. 

    Com a progressão dos testes nucleares cada vez mais frequentes – apesar da constante insistência da ONU e da comunidade internacional para o país abandonar o programa de armamentos letais –, é visível o fato de que a Coréia do Norte não apenas não está interessada em respeitar as convenções e as normas internacionais, como prefere ignorá-las completamente, agindo como o supremo soberano em seu território. Não obstante, a pressão que Donald Trump tem exercido sobre a China – o único aliado da Coréia do Norte – para dominar seu beligerante vizinho, tem sido intensa, metódica e constante. Representantes do governo em Pequim passaram, de fato, a agir como mediadores de uma possível resolução pacífica, sem maiores resultados. Com a realização de testes militares que passaram a invadir o espaço aéreo e marítimo do Japão e da Coréia do Sul em períodos recentes, a Casa Branca foi alertada para potenciais hostilidades da parte de Pyongyang. Depois de reuniões emergenciais de representantes do governo americano com as autoridades políticas de Seul, as atitudes beligerantes do governo comunista de Kim Jong-un parecem ter se intensificado. A recente evacuação de aproximadamente seiscentos mil habitantes da capital reforçou a preocupação da comunidade internacional, concernente a possível conflagração de uma guerra. O deslocamento de uma enorme frota naval americana, e entrevistas dadas pelo presidente Donald Trump para os veículos midiáticos com relação a um possível ataque, reforçaram ainda mais a possibilidade de um iminente conflito. 

    Pyongyang declarou abertamente estar pronta para realizar um enfrentamento direto a qualquer ataque dos Estados Unidos. No entanto, sua política beligerante é vista por muitos como um pretexto exibicionista para exaltar a fúria do seu poderio militar. Representantes do governo japonês demonstraram extrema preocupação com a possibilidade de tornarem-se um alvo deliberado de ataques militares norte-coreanos.

    Embora lentamente, a tensão na região vem crescendo exponencialmente. A intervenção de potências externas, como Estados Unidos e China, parece agravar as tensões. Não obstante, é necessário reiterar que são extremamente necessárias. Possivelmente, são as únicas razões que impedem Pyongyang de intensificar a atividade de seus testes nucleares, e invadir com mais frequência o espaço aéreo e marítimo dos países vizinhos. Sendo a China o único aliado da Coréia do Norte, o governo dos Estados Unidos pressiona o tigre asiático a realizar sanções contra o país vizinho, em uma tentativa de fazer com que as autoridades em Pyongyang caiam nas graças da perspicácia e da sensatez. 

    Com todos estes países vigiando-se mutuamente, Coréia do Sul e Estados Unidos acompanham minuciosamente o que se passa em território norte-coreano. Recentemente, um novo protótipo de míssil, testado em uma província da costa leste do país, teria falhado ao explodir pouco depois de ter sido lançado. O Ministério da Coréia do Sul, e militares americanos estacionados no pacífico registraram informações similares.
    Míssil Pukkuksong, exibido durante desfile militar neste sábado em Pyongyang, em homenagem ao 105º aniversário do fundador do país, Kim Il-sung.
    Recentemente, no dia 15 de abril, a Coréia do Norte celebrou o 105º aniversário do falecido Kim Il-sung, considerado o fundador do país, e seu supremo líder de 1948 a 1994. Durante as celebrações, um desfile militar ocorreu na capital, com a intenção de exibir o poderio bélico da pequena nação asiática. 

    Coréia do Sul e Coréia do Norte enfrentaram-se em um sangrento conflito armado, de 1950 a 1953, menos de uma década depois de terem sido constituídas como nações soberanas. A guerra terminou, mas as tensões prevaleceram, em função de ambos os países reclamarem para si o direito legítimo de governar toda a Península da Coréia. Não obstante, apesar do armistício, um acordo formal de paz nunca foi assinado, o que faz com que, tecnicamente, ambos os países ainda estejam em guerra. 

    Infelizmente, o crescimento das tensões na arena internacional não revela prospecções positivas. Com as intermitentes e voláteis hostilidades políticas em um estado de calcinação, que resultarão na provável conflagração de uma guerra – uma guerra que na verdade nunca terminou –, o que o mundo testemunhará, muito em breve, será a segunda parte de um tórrido, volátil e sanguinolento conflito, que invariavelmente resultará em carnificina, mortandade e morticínio. O mais triste é que, em sua maioria, serão coreanos lutando contra coreanos. Tudo em nome da vil, corrosiva e pretensiosa retórica do poder político. 


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