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    segunda-feira, 17 de abril de 2017

    Delator diz que Blairo cobrou propina para quitar dívida de MT com a Odebrecht

    Atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi teria solicitado R$ 12 milhões quando era governador do estado; em nota, ministro nega envolvimento e se diz com a consciência tranquila.

    © Arquivo
    O ex-executivo da Odebrecht Pedro Leão afirmou em depoimento que o atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi, teria cobrado propina de R$ 12 milhões enquanto era governador de Mato Grosso para agilizar e quitar uma dívida que o estado tinha com a Odebrecht. (Veja abaixo a partir dos 12 minutos e 15 segundos no vídeo).

    O depoimento de Leão faz parte dos mais de mil arquivos de vídeos com as delações premiadas de ex-executivos da Odebrecht. Os depoimentos se tornaram públicos na semana passada, quando também saiu a lista do ministro Édson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), com pedidos de inquéritos para investigar os políticos citados.

    Em nota, o atual ministro disse que não há "chance de estar envolvido com esta turma" e que está com a consciência tranquila porque tudo o que fez ao longo da vida "segue rigorosamente os valores da ética e correção".


    Segundo o ex-executivo da Odebrecht, Mato Grosso tinha uma dívida de R$ 50 milhões com a empreiteira por uma obras realizada no estado nas décadas de 1980 e 1990. Leão contou que, em 2003, procurou o governo para falar sobre o pagamento desse valor.

    Ele disse que depois de diversas reuniões com o então secretário de Infraestrutura do estado Luiz Antônio Pagot, conseguiu marcar um encontro com Blairo Maggi. No encontro, o governador disse que o estado não teria como fazer o pagamento da dívida naquele momento, mas que iria acompanhar o assunto.

    Leão diz que, três anos depois, em 2006, foi procurado por Éder de Moraes Dias, então secretário de Governo do estado, que afirmou que o governo estadual tinha intenção de pagar a dívida com a empreiteira.

    A contrapartida, segundo o delator, era que a Odebrecht fizesse uma contribuição de R$ 12 milhões a Blairo Maggi e a seu grupo político.

    "A condição de nós recebermos o nosso dinheiro versus o pagamento dessa parcela foi levada e foi autorizada. [...] Aí eu tive que dar o retorno ao Éder. Fiz a pergunta ao Éder se o governador e o Pagot, os três com quem eu tive tratando desse assunto, se isso era uma posição do governo, se o governador tinha conhecimento disso. E ele afirmou que sim, e fez nesse momento referência à reunião que nós tínhamos tido com a presença física do governador", afirmou Pedro Leão.

    "Esses valores foram sendo efetivamente pagos, eu fiz a minha programação financeira, como era o procedimento nosso da construtora, nós tínhamos uma área específica, que era o departamento de operações estruturadas, e como esses recursos eram feitos sem ser oficiais, eram pagamentos por meio de operação fora da contabilidade oficial, eu fiz a programação financeira com a expectativa de recebimento e o devido pagamento na proporção que eu recebia", explicou.

    Apesar de afirmar que o dinheiro era para o então governador e seu grupo político, Pedro Leão diz que o pagamento de R$ 12 milhões não foi tratado diretamente com Blairo Maggi, apenas com o então secretário estadual.

    Ao ser questionado sobre se o pagamento da propina estava "expressamente atrelado" ao pagamento da dívida que o estado tinha com a empreiteira, Leão respondeu: "expressamente, expressamente. Eu só pagava quando recebia. então os R$ 12 milhões foram absolutamente liquidado".

    Ele narrou ainda no depoimento que os pagamentos foram feitos sempre em dinheiro em espécie, todos em São Paulo. Leão afirma ainda que os repasses que teriam Maggi como beneficiário final aparecem em planilhas da Odebrecht com o codinome "Caldo".


    Por G1, Brasília
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