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    segunda-feira, 28 de novembro de 2016

    PONTA PORÃ LINHA DO TEMPO| Causos e lendas do folclore da fronteira de outras épocas. O Boitatá da Tagi

    “A arte emita a vida e a vida emita a arte, mas justamente pelo conceito 'imitar' determina que não seja a mesma coisa, especialmente em deliberação maquiavélica, não no caso da arte retratando a vida. Muitos dos mitos e lendas acabam se originalizado naturalmente de acordo com as crenças culturais e religiosas de uma civilização” Fonte: http://lounge.obviousmag.org

    Quem nunca ouviu um causo, uma história bem contada cheia de fatos cercados de mistérios na sua infância, por aqueles que as vivenciaram ou cresceram escutando esses causos e lendas, de muitos personagens que um dia passaram por esta essa fronteira, marcada por acontecimentos épicos, já a muito esquecido, mas ainda vivo na lembrança desses fronteiriços, que hoje são saudosos da vida simples que ficaram gravadas em sua memória.
    Foto divulgação web lendas regionais. Boitatá.

    A lenda do boitatá foi trazida pelos portugueses, na época da colonização, eram os padres jezuítas quem descreviam o boitatá como uma gigantesca cobra de fogo ondulada, com olhos que parecem dois faróis, couro transparente, que cintila nas noites em que aparece deslizando nas campinas e na beira dos rios. Outra lenda também que o boitatá pode se transformar em uma tora em brasa, para assim queimar e punir quem coloca fogo nas matas, quem se depara com o boitatá geralmente fica cego, pode morrer ou até ficar louco. Assim, quando alguém se encontrar com o boitatá deve ficar parado e de olhos bem fechados. Fonte: http://brasilescola.uol.com.br/folclore

    ...Existe entre la historia y el folklore una secreta analogía con el destino de dos hemanos gemelos que se repelen. Una es la hermana rica. El outro pobre. Em ambos, sin embargo, corre la misma sangre humana. Fue necessário que surgiese uma nueva orden de cosas para que las tradiciones de los cinentíficos.....y, desde entoces, junto a la historia, toda civilizacíon fue revelada em su aspecto popular y tradicional. Apud (Joaquim Ribeiro, Pialando... No Mas, SEREJO, Hélio, 1989).

    A epígrafe acima serve para dar inicio a temática de mais um causo, lenda da região de fronteira em especial de Ponta Porã com Pedro Juan Caballero, vamos fazer um resgate histórico de um desses causos cercados de mistério.
    Arquivo pessoal de Nilza Terezinha: Foto do acervo de seu pai Itrio Araújo dos Santos conhecido como (cabo Itrio), que serviu no 11º Regimento de Cavalaria na cidade de Ponta Porã, Cabo Itrio era um admirador da arte de fotografar, Assim ao longo dos anos agregou ao seu acervo centenas de ricas imagens da região de fronteira. Esta imagem da região do maemi, década de 50. Retrato do Sr. Itrio e sua esposa.

    Para percorrer essa vasta região em outros tempos, ou se fazia a cavalo, ou a pé, pois carroças poucos tinham e carro algo que nesses tempos era raro, nessas andanças muitos faziam em grupo, dupla ou sozinho, o fato que luz elétrica não existia o que iluminava o caminho ao cair da noite era a luz da lua ou os candeeiros (lampião ou lamparinas, objeto usado para iluminar, à base de querosene ou óleo). 
    Fonte web divulgação: Petromax é um candeeiro de petróleo usado na iluminação pública, doméstica e na pesca ao candeio. Consta de um depósito, onde está introduzida uma bomba de pressão, do qual sai um tubo tendo na extremidade um vaporizador e fixa a este uma camisa em seda em forma de lâmpada, protegida por um cilindro em vidro. No cimo tem uma chaminé por onde saem os gases.

    As mais populares nesses tempos eram, Petromax e lâmpada Aladin, mas quem não possuía tais objetos, tinha que se contentar com a luz da lua para seguir seu caminho, mas como na fronteira tudo tinha um toque de mistério, na região da Tagi nesses tempos eventos um tanto sobrenaturais assustavam os viajantes desprevenidos, Tagi se localiza nos limites do município de Aral Moreira que em outros tempos fora distrito de Ponta Porã, nesses tempos Tagi era famosa por ali aparecer o Boitatá (conhecido como "fogo que corre", o boitatá, no folclore brasileiro, é uma grande cobra de fogo, este bicho imaginário foi citado pela primeira vez em 1560, num texto do padre jesuíta José de Anchieta, na língua indígena tupi, "mboi" significa cobra e "tata" fogo). 
    Arquivo pessoal de Nilza Terezinha: Foto do acervo de seu pai Itrio Araújo dos Santos conhecido como (cabo Itrio), que serviu no 11º Regimento de Cavalaria na cidade de Ponta Porã, Cabo Itrio era um admirador da arte de tirar fotos, desta forma ao longo dos anos ele agregou ao seu acervo centenas de ricas imagens da região de fronteira. Esta imagem da região do maemi fazenda nas proximidades, década de 40.

    O Boitatá da Tagi eram duas bolas de fogo que percorriam a região conhecida como coxia (campo aberto) nele existia um capim de nome (barba de bode). O fato que a lenda do boitatá da Tagi era cercada por história um tanto inusitada, pois os populares destes tempos diziam que as duas bolas de fogo fora o resultado da traição de um compadre e uma comadre, por esse pecado foram condenados a vagar como duas bolas de fogo pela eternidade, e o fogo saia pelo calcanhar para dará mais agonia aos dois condenados. 

    Muitos viajantes que por ali passaram nesses tempos viram as duas bolas de fogo que seguiam em campo aberto, as bolas de fogo diminuía e aumentava dependendo do tamanho da coragem de cada um, os viajantes mais valentes que se arriscavam a chegar perto, fincavam seu (facão ou Machete é uma faca de mato de maiores dimensões) no chão para as duas bolas de fogo ficar rodeando como se estivessem dançando em cima do cabo do facão, pois segundo a lenda os compadres foram mortos a “machetadas” pelos parentes de ambos em outros tempos já esquecidos, quando descoberto sua traição, que nesse período histórico, traição e honra era lavada com sangue.
    Arquivo pessoal de Nilza Terezinha: Foto do acervo de seu pai Itrio Araújo dos Santos conhecido como (cabo Itrio), que serviu no 11º Regimento de Cavalaria na cidade de Ponta Porã na década de 40. Na imagem acima um tropeiro típico fronteiriço fazenda na região do maemi.

    O fato que muitos viajantes quando passavam por esta região avistam as duas bolas de fogo percorrendo o imenso campo, este estranho fenômeno para muitos ufólogos e pesquisadores seria a aparição de OVNI (objeto voador não identificado). Cientistas mais céticos sobre casos paranormais e extra terrestre, defendem que seria emissão de gases naturais que produzem estes fenômenos, mas para a população da região de fronteira é o “BoiTatá”, que percorre os campos e matas.

    Se for verdade ou não, fica mais um causo contado na região de fronteira o Boitatá da Tagi. Lembrar-se do passado e preservar o futuro, pois um povo sem memória se torna um povo sem história. 


    Por: Pesquisador Yhulds Giovani Pereira Bueno. Professor de qualificação profissional, gestão e logística (Programas Estaduais e Federais). Tutor Faculdades Anhanguera Polo Ponta Porã, Professor da Rede Municipal de Educação. 


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