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    segunda-feira, 14 de novembro de 2016

    OPINIÃO| A vitória de Donald Trump

    Donald Trump assumirá a presidência dos Estados Unidos no dia 20 de janeiro de 2017. 

    O que muitos pensavam não ser possível, por fim aconteceu: Donald Trump venceu as eleições americanas, e se tornará o próximo presidente dos Estados Unidos da América. E isso ocorre depois que diversos veículos midiáticos apontaram a sua rival, Hilary Clinton, como sendo a favorita dos eleitores, e a indiscutível vitoriosa.

    Criticados pelo que parece ter sido uma cobertura parcial panfletária em favor da candidata democrata, a mídia provou estar errada em assumir Hilary Clinton como sendo a favorita dos eleitores. Em uma estarrecedora e chocante revelação, no final das contas, o povo norte-americano, em sua maioria, ficou do lado do candidato republicano, que assumirá sua posição como presidente dos Estados Unidos no dia 20 de janeiro de 2017, sendo o mais velho indivíduo a tornar-se presidente dos Estados Unidos. 

    Hilary Clinton, candidata pelo partido democrata, era apontada unanimemente nas pesquisas oficiais como a favorita dos eleitores.

    Indubitavelmente, a surpreendente vitória de Donald Trump parece ter mostrado ao público, especialmente a nível internacional, que existem enormes discrepâncias entre aquilo que a mídia mostrava a respeito do bilionário americano, e a real percepção do eleitor americano concernente ao mesmo, bem como suas promessas de campanha. E sua vitória, de uma maneira ou de outra, mostrou aos seus opositores e críticos quão pouco, na verdade, conhecem o candidato republicano. Formando opiniões baseadas em descrições um tanto quanto distorcidas por parte da mídia, sem dúvida nenhuma os veículos de comunicação de massa, fossem eles jornais, revistas ou emissoras de televisão, inquestionavelmente fizeram a cobertura eleitoral mais vexatória, parcial e cômica da história. E isso não pode ser dito apenas da mídia americana, mas também da estrangeira. 

    A vitória de Trump escancarou alguns dos interesses existentes na esfera política, que mostraram como e porque a grande maioria dos jornais americanos elegeram Hilary Clinton como sua favorita. Desprezado por praticamente todo o establishment americano, a verdade é que Donald Trump teve que embrenhar-se em uma verdadeira batalha no melhor estilo contra tudo e contra todos, para empreender a sua campanha, que, ao que parece, foi completamente financiada por ele próprio. Uma enorme campanha foi realizada entre as grandes corporações americanas, envolvendo magnatas e veículos da grande imprensa, para negar financiamento ao candidato republicano, que é detestado até mesmo por colegas de partido. 

    Aos 70 anos, Donald Trump se torna o mais velho indivíduo a ocupar o cargo de presidente dos Estados Unidos.

    Sem dúvida nenhuma, Donald Trump é um indivíduo controverso, e isso ajudou muito a torná-lo um incompreendido, especialmente entre aqueles que não são seus simpatizantes. Com um enorme desprezo pelo politicamente correto, Donald Trump, ao longo de sua campanha, mostrou-se íntimo de uma boa polêmica, e jamais correu de uma boa controvérsia. Conhecido por sua personalidade arrogante e prepotente, essas distintas peculiaridades de seu caráter contribuíram em muito para que o futuro presidente americano não conquistasse meios-termos entre o público: ou ele era intensamente amado, ou era irremediavelmente odiado. 

    Não obstante, a despeito da cobertura midiática injusta, Trump foi alvo de muitas outras injustiças também: duramente criticado, repudiado, injuriado e ofendido sem nem sequer ter começado a governar, é possível que Trump não tenha sido compreendido pelo público – especialmente entre os não simpatizantes –, pelos seus pares na política, pelos seus rivais e pela mídia de um modo bem amplo desde o princípio. O que ele parece de fato ansioso em fazer é instaurar a lei e a ordem de uma maneira que as administrações federais americanas anteriores não conseguiram, reforçando de uma forma mais intensa as políticas de vigilância governamental que tem por objetivo coibir a questão da imigração ilegal. 

    Não obstante, isso é apenas uma das muitas coisas que Donald Trump pretende fazer enquanto presidente, e as suas inúmeras e variadas propostas de campanha serão contempladas ao longo do seu mandato. No entanto, será um grande equívoco querer avalia-lo antecipadamente. O quão benéfico ele poderá ser – ou não – ao povo americano, somente durante a sua gestão é que será possível efetuar um diagnóstico realmente preciso. 

    Donald Trump, sem dúvida nenhuma, teve que romper barreiras e travar árduas batalhas para consolidar sua campanha, algo que poucos levaram em consideração. Embora seja amado e apoiado por milhões de americanos, o bilionário de setenta anos de idade teve que embrenhar-se em uma dura e difícil contenda para consolidar os seus objetivos. Ser odiado, desprezado e hostilizado por quase metade da população americana – encarado por muitos como uma espécie de inimigo público número 1 – não é um obstáculo pequeno a ser enfrentado, e conseguir ser ouvido em meio a uma campanha de franca e intensa oposição está longe de ser uma realização pequena, medíocre ou insignificante.

    Os recentes escândalos envolvendo Hilary Clinton, ao mesmo tempo que mostraram que sua personalidade real pode ser bem distinta de sua persona pública – possivelmente, uma imagem meticulosamente calculada para passar uma impressão confiável, que na verdade pouco tem de genuína – escancararam para boa parte do público, não apenas americano, mas estrangeiro, o fato de que a política americana está profundamente arraigada á manutenção de interesses políticos e econômicos escusos. A vitória de Donald Trump pode não apenas ser uma terrível ameaça ao establishment que controla os interesses do império americano, como pode vir a colocar de fato no poder um indivíduo que, pela primeira vez em muito tempo, acabe priorizando um governo que tenha no âmbito de sua agenda política os interesses da população. 

    A cobertura eleitoral americana, realizada com certo nível de descaso e mediocridade, sendo tão injusta, inexata e desigual, tendo refletido igualmente na cobertura midiática realizada por outros países – inclusive no Brasil – e que colocaram em dúvida a credibilidade da imprensa, certamente dará o que falar durante muito tempo. Talvez a vitória de Donald Trump, no final das contas, não surpreenda tanto quanto a incapacidade da imprensa de buscar informações factuais, verídicas, autênticas e passíveis de confirmação, que transmitam o que verdadeiramente se percebe como sendo fiel à realidade. 

    Espera-se de Donald Trump que leve ao povo americano – e, acima de tudo, aos seus eleitores – aquilo que prometeu durante a sua campanha. Ao contrário do que a mídia e a grande imprensa mostravam, sua vitória prova que ele foi capaz de conquistar apelo popular, de se conectar com o americano comum, e de – ao menos por enquanto – saciar as suas expectativas. Se ele dará ou não um bom presidente, ainda é cedo para avaliar.



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