Campo Grande (MS),

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    terça-feira, 15 de novembro de 2016

    IMAGENS FORTES| Mutilação Genital Feminina uma cultura religiosa que dilacera vidas

    Nuas e cobertas apenas com uma capa feita de pele de animal, milhares de meninas são levadas pelas próprias famílias para serem mutiladas.

    Divulgação

    Uma passagem no mínimo traumatizante para essas pobres meninas que aguardam sentadas nas pedras, por uma mulher que arrancará de forma impiedosa e dolorosa seus órgãos genitais externos. O mais macabro desse ritual é que a mutilação é motivo de orgulho para os pais.

    Religião é o foco dos mais bizarros, dolorosos e macabros rituais. O medo do peso da “mão” divina sempre foi determinante para intimidar e subjugar o povo através de seus conceitos, suas disciplinas e crendices.

    A prática da mutilação feminina é um dos métodos mais dolorosos, uma das maiores bizarrices culturais e religiosas já vistas . Um costume bárbaro que consiste em mutilar o clitóris das meninas. O clítoris e os pequenos lábios são os principais órgãos femininos sensíveis a estímulos sexuais, se eles cortados certamente vai interferir, ou melhor abolir o prazer sexual das mulheres.

    O mais impressionante é que para as mulheres mesmo sofrendo a dor, mesmo sendo mutilada vêem a praticam como uma obrigação, um costume social tão comum.

    Mais de 125 milhões de mulheres já foram submetidas à prática em 29 países da África e do Oriente Médio, onde há maior incidência de casos

    Em muitas tribos africanas, as tradições são mais importantes do que as leis e a mutilação é considerada um rito de passagem que marca a transição para a feminilidade e para que elas possam se casar. São as próprias mulheres (avós e mães) que levam as meninas e executam o ritual. Acreditam que as meninas não mutiladas não podem permanecer puras depois de urinar e as orações jamais serão ouvidas.

    Para essas pessoas, a cerimônia de mutilação faz parte de um momento de transição na vida das jovens e é extremamente necessária
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    Na maioria das vezes é feita sem o mínimo de higiene nem anestesia. Qualquer objeto cortante, como lâminas de barbear, tesoura ou vidros pontiagudos, podem ser utilizados no procedimento. Durante o procedimento, muitas meninas não resistem a dor e desmaiam. Elas são amparadas por outras mulheres, inclusive suas mães, que incentivam o ritual.

    A idade das meninas que passam pela mutilação varia de país a país. A imensa maioria mutila suas meninas entre 04 e 14 anos.

    Depois de mutiladas, as meninas que sobreviverem permanecem com ataduras no ventre até por 40 dias. Colocam cinzas no ferimento e tomando chás como medicamento. Além da dor quase insuportável, o ato pode causar hemorragias, choques psicológicos e complicações futuras na vida sexual da mulher e o parto, para as que serão mães.
    Lagrimas de um menina apos passar pela Mutilação

    São quatro os tipos de mutilação:

    Tipo I - Clitoridectomia

    Na forma mais comum deste procedimento o clítoris é seguro entre o dedo polegar e indicador, puxado para fora e amputado com um corte de um objeto afiado. O sangue é estancado através de gazes ou outras substâncias e é aplicado um penso. Os praticantes mais “modernos” aplicam um ou dois pontos na zona do clítoris para parar a hemorragia.

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    Tipo II- Excisão

    A principal diferença é a gravidade do corte. Usualmente o clítoris é amputado e os pequenos lábios são removidos total ou parcialmente, muitas vezes com um mesmo golpe. O sangue é estancado com ligaduras ou com alguns pontos, que podem ou não cobrir parte da abertura vaginal.

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    Tipo III - Circuncisão faraónica ou infibulação

    É a forma mais extrema de mutilação, e consiste na remoção do clítoris e pequenos lábios, juntamente com a superfície interior dos grandes lábios, que são unidos através de pontos ou espinhos/picos sendo as pernas atadas durante 2 a 6 semanas. É deixada uma pequena abertura para permitir a passagem de urina e sangue menstrual (tem normalmente 2-3 cm de diâmetro, mas pode chegar a ser tão pequena como a cabeça de um fósforo).

    Se a abertura-infibulação-, for suficientemente grande, a mulher poderá ter relações sexuais depois da gradual dilatação, que pode demorar semanas, meses ou, em alguns casos, até 2 anos.
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    Agora se a abertura for pequena, tem que fazer à defibulação antes da mulher manter relações sexuais. Com uma faca ou um pedaço de vidro o marido ou uma mulher da família rasgam a mulher para que ela possa ter condições para manter relações com seu marido.

    Às mulheres vítimas da circuncisão faraônica que sobrevivem ao parto, fazem questão de suturar novamente seus órgãos sexuais para criar a ilusão de virgindade, já que reza a cultura que um pequena abertura vaginal da maior prazer ao homem. Devido aos cortes e suturas repetidos, as conseqüências físicas e sexuais da infibulação são maiores e mais duradouros do que os outros tipos de mutilação.

    Não é permitido às mulheres falarem sobre esse assunto o que faz com elas sofram mais e caladas.
    Mulher mutilada em trabalho de parto

    A Organização Mundial de Saúde condena o ritual e considera uma barbárie. Muitas vezes o processo de cicatrização é longo e inseguro. O procedimento em si pode causar sangramento e infertilidade, e até mesmo levar à morte.

    Desde 1997, o Egito proibiu a circuncisão feminina, exceto em casos de “necessidade médica”. No entanto, pode ser fatal, uma vez que a operação é feita sem desinfecção e anestesia. E o problema não se limita à África. Outros 29 países também se pratica a mutilação genital.

    Os números são impressionantes: todo ano três milhões de meninas são vítimas dessa prática. 130 milhões é o número de mulheres sem clitóris vivendo nos dias de hoje. Diariamente seis mil meninas são mutiladas.
    Suturando o órgão sexual apos o parto

    Testemunho de uma vítima de MGF

    “Sofri mutilação genital feminina aos dez anos. A minha finada avó disse-me então que me iam levar perto do rio para executar uma espécie de cerimônia, e que depois me dariam muita comida. Como criança inocente que era, lá fui como uma ovelha para a matança. Mal entrei no arbusto secreto, levaram-me para um quarto muito escuro e tiraram-me as roupas. Vendaram-me os olhos e despiram-me completamente. Depois, duas mulheres fortes levaram-me para o local onde seria a operação. Quatro mulheres com força obrigaram-me a deitar-me de costas, duas apertando-me uma perna cada uma. Outra mulher sentou-se sobre o meu peito para eu não mexer a parte de cima do meu corpo. Um bocado de tecido foi-me posto dentro da boca para eu não gritar. Depois raparam-me os pelos. Quando começou a operação debati-me imenso. A dor era terrível e insuportável. Enquanto me debatia cortaram-me e perdi sangue. Todos os que fizeram parte da operação estavam meios bêbados. Outros estavam a dançar e a cantar, e ainda pior, estavam nus. Fui mutilada com um canivete rombo. Depois da operação, ninguém me podia ajudar a andar. O que me puseram na ferida cheirava mal e doía. Estes foram momentos terríveis para mim. Cada vez que queria urinar, era forçada a estar em pé. A urina espalhava-se pela ferida e causava de novo a dor inicial. Às vezes tinha de me forçar a não urinar, com medo da dor terrível. Não me anestesiaram durante a operação, nem me deram antibióticos contra infecções. Depois, tive uma hemorragia e fiquei anêmica. A culpa foi atribuída à feitiçaria. Sofri durante muito tempo de infecções vaginais agudas.”

    Hannah Koroma, Serra Leoa. 


    A SEGUIR VIDEO E IMAGEM QUE CONTAM COM MAIS EXATIDÃO TODO SOFRIMENTO DESSAS MENINAS
    Ritual de Mutilação

    Ritual de Mutilação

    Apos mutilação menina precisa ficar atada para melhor cicatrização


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