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    segunda-feira, 28 de novembro de 2016

    ARTIGO| Táxi X Uber

    Por: Waldir Guerra*

    Você deve estar acompanhando a briga entre os taxistas e operadores do Uber – a empresa multinacional norte-americana prestadora de serviços eletrônicos na área do transporte privado urbano e que oferece um serviço semelhante ao táxi tradicional. 

    Pois é, se você ficou acompanhando meio de longe e sem tomar partido nessa disputa, como aconteceu comigo, então, você também continuou a usar somente os táxis tradicionais como eu.

    Porém, como agora o Uber já opera nas maiores capitais brasileiras e, inclusive, avança em grandes cidades como Campinas, Londrina e outras, me parece que seus serviços serão legalizados em todos os municípios brasileiros. Assim, resolvi usar o serviço do Uber para conhecer e testar essa novidade.

    Conhecer foi fácil: com ajuda de um desses jovens que sabem tudo dos celulares; ele baixou o aplicativo, registrou-me no serviço fornecendo meu cartão de crédito e depois chamei meu primeiro serviço Uber. Enquanto o jovem instrutor me mostrava as várias opções sobre o uso do aplicativo, o celular despertou. A ligação era do motorista do Uber me chamando pelo nome e dizendo que estava a 4 minutos de distância. 

    Essa primeira corrida com um Uber a fiz na cidade de Curitiba, do Bacacheri para o centro; onde sempre me hospedo na cidade. A surpresa não ficou apenas nas boas condições do automóvel, bem limpo, com água e balinhas a disposição; foi com o preço, R$18,48. Nesse trajeto sempre paguei uns R$30,00 num táxi comum. 

    Ao chegar ao destino, o motorista disse que a conta já estava debitada no meu cartão de crédito – dei-lhe uma boa gorjeta, pois merecia. 

    No dia seguinte chamei o serviço do Uber eu mesmo, agora sem a ajuda de um “universitário”. Do hotel, no Centro de Curitiba até o Batel, o débito no cartão foi de R$9,73. Na volta fiz questão de telefonar para um serviço de táxi comum e voltei para o hotel. A corrida me custou R$15,00, mas o táxi também estava bem cuidado e a motorista – sim, era uma senhora que revezava com o marido no uso do táxi – reconheceu que precisaram comprar um carro novo para enfrentar a concorrente Uber.

    Somente o carro novo não, pensei eu; eles tiveram que mudar a maneira de tratar os passageiros com mais atenção; manterem-se bem vestidos; deixando água a disposição; um jornal do dia e outras “cositas más” como a cobrança direta no cartão de crédito. Mais: baixar os preços que no fundo, no fundo mesmo, esse é o motivo principal da briga dos taxistas com motoristas do Uber. 

    Se você indagar aos motoristas do Uber quais as dificuldades que encontram - já que em algumas cidades existem resistências ao serviço, seja pelo poder publico, seja com os taxistas, você vai ouvir histórias interessantes.

    Um dos motoristas disse que sua história de vida se assemelha a de muitos outros. Ele é engenheiro agrônomo aposentado e estava dispondo apenas de sua aposentadoria, em torno de mil reais, mais alguns bicos eventuais para sobreviver. Começou a operar com o serviço Uber num carro alugado no início de 2016 e já consegue pagar o financiamento de um bom carro para continuar operando.

    Agora que a Prefeitura de São Paulo legalizou os serviços do Uber cobrando uma taxa de R$0,10 por quilômetro rodado – sem poder descontar do motorista, essa briga entre taxistas e motoristas do Uber irá se transformar numa saudável disputa por melhores serviços no transporte público. A livre concorrência fez isso. 


    *Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (wguerra@terra.com.br) 


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