Campo Grande (MS),

  • LEIA TAMBÉM

    segunda-feira, 14 de novembro de 2016

    ARTIGO| Num mundo globalizado o povo quer mudanças

    Por: Waldir Guerra*

    Você e eu acreditávamos que Hilary Clinton venceria as eleições nos Estados Unidos e nos enganamos. Pensando bem, isso não tem tanta importância, até porque, mais de 90% dos brasileiros também erraram, segundo pesquisas feitas no Brasil.

    Quem ganhou foi Donald Trump e o mundo todo está se perguntando por que os americanos votaram nele. Eu também questionei a eleição desse homem meio ridículo que fez bravatas durante um ano e meio dessa campanha presidencial.

    Assim como você eu também tenho procurado ouvir e ler explicações sobre essa vitória de Donald Trump, mas quanto mais li e ouvi mais confuso me senti. Por não me dar por satisfeito inteiramente com as inúmeras explicações, faço as minhas também e convido você a fazer as suas se estiveres disposto.

    Começo lembrando que as manifestações populares iniciaram no começo desta década com a Primavera Árabe. Foi uma onda de manifestações e protestos que ocorreram no Norte da África e Oriente Médio a partir do dia 18/12/2010. Tudo começou com revoluções na Tunísia e no Egito. Logo a seguir uma guerra civil na Líbia e na Síria. Depois, protestos na Argélia, Bahrein, Iraque, Jordânia e Iêmen. 

    As explicações mais aceitáveis a respeito dessas revoltas populares foram as que diziam da vontade do povo em mudar a forma de governo em cada um desses países. Os governos foram derrubados e estes países, até hoje, ainda não conseguiram sair do caos deixado pela revolução. Os demais estão como panela de pressão sobre fogo alto. Por conta disso, a Europa toda paga o pato com uma enxurrada de milhões de refugiados correndo para dentro dela. 

    As revoltas populares mostraram sua cara por aqui também quando o povo na América Latina começou dizer “não” ao bolivarianismo com a cassação do ex-bispo Fernando Lugo no Paraguai. A seguir a derrota do Kirchnerismo na Argentina; depois a derrota do petismo no Brasil e a atual derrocada do chavismo na Venezuela.

    A cada movimento popular se nota que o povo quer mudança de governos; quer mudança na forma de governar e quer também mudar as pessoas que governam. Assim também aconteceu na Grã-Bretanha com a consulta ao povo acerca de sua saída da União Europeia. O Brexit, como os ingleses o denominaram. Ainda hoje a pergunta continua no ar até mesmo para os ingleses: por que os britânicos votaram por sair da União Europeia? Ora, o povo não quer ser governado pela União Europeia – penso eu. 

    Outro fato e também bem recente: Por que o povo da Colômbia disse 'não' ao acordo de paz com as Farc? Apesar de ter sido um acordo costurado e avalizado por governos de vários países ele foi rejeitado num referendo pelos colombianos. Não somente os colombianos, mas o mundo inteiro ainda não entendeu direito essa decisão popular. Ora, se o povo não aceita o acordo, então não acredita mais nos seus governantes e não os quer; como não quer perdoar os políticos das FARC também. 

    Concordo que está difícil entender a vitória de Donald Trump, assim como também será difícil consertar os estragos que ele fará pelo mundo afora – inclusive em seu país, penso eu - se puser em prática suas ideias amalucadas. 

    O mundo realmente está globalizado e todos os países querendo mudanças. Que venham, então, mas sem a globalização dos desastres que hoje acontecem nos países da Primavera Árabe.


    *Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (wguerra@terra.com.br) 


    Imprimir

    RECENTES

    POLÍTICA

    CONCURSOS