Campo Grande (MS),

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    quarta-feira, 16 de novembro de 2016

    Agroecol debate formas alternativas de produção agrícola

    Divulgação

    No período de 16 a 19 de novembro, acontece em Dourados, o Agroecol 2016. Durante esses quatro dias, muitos temas sobre agroecologia serão abordados no evento, que acontece na UFGD, por meio de palestras, minicursos, oficinas, mesas redondas e apresentações culturais. Dentre os diversos temas abordados no evento destaca-se os Sistemas Agroflorestais Biodiversos (SAFs).

    Para proporcionar a troca de experiências sobre os SAFS acontece na sexta-feira, 18 de novembro, das 8h às 11h, uma mesa redonda, intitulada: “Sistemas Agroflorestais: produção de alimentos, geração de renda e restauração ambiental”. Essa atividade conta com a participação internacional do professor da Universidade de Turrialba, Elias de Melo Virginio Filho, da Costa Rica, que virá falar sobre as experiências em sistemas agroflorestais em bases agroecológicas nas Américas Central e do Sul. Participam ainda dessa atividade o pesquisador da Embrapa Pantanal (Corumbá/MS), Alberto Feiden, que será o moderador dos debates; o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados/MS), Milton Parron Padovan, que vai falar sobre as concepções, desafios e pesquisas com SAFs; o pesquisador da Embrapa Cerrados (Brasília/DF), Luciano Mansor de Mattos que vai apresentar algumas experiências com SAFs no Cerrado Brasileiro e o pesquisador da Embrapa Florestas, Marcelo Francia Arco-Verde, que trará os resultados das pesquisas com SAFS na Mata Atlântica. 

    Os sistemas agroflorestais biodiversos (SAFs) reúnem espécies de árvores nativas ou exóticas madeiráveis, frutíferas, oleaginosas, medicinais, entre outras, cultivadas simultaneamente com culturas agrícolas, como por exemplo: inhame, taioba, banana, abacaxi, maracujá, feijão, milho, mandioca, entre muitas outras opções, dependendo da região e dos objetivos dos agricultores. É uma alternativa de elevado potencial para produção de alimentos, geração de renda e restauração ambiental. 

    “Essa tecnologia social é flexível e plenamente ajustável às necessidades da agricultura familiar, pois possibilita que o agricultor tenha liberdade de diversificar e compor os arranjos produtivos que forem mais convenientes para seu trabalho e ao atendimento de suas necessidades e objetivos. Podem ser utilizadas árvores nativas e exóticas, além de grande diversidade de culturas agrícolas que podem compor os sistemas. Isso facilita a adoção da tecnologia, pois o agricultor poderá implantar arranjos produtivos de acordo com as necessidades e aptidões produtivas da própria família e da região onde a propriedade se localiza. Facilita o manejo que será feito de acordo com a necessidade e a disponibilidade de mão-de-obra da família para o trabalho e o resultado produtivo esperado com o SAF”, explica Padovan, um dos palestrantes da mesa redonda e coordenador da comissão de articulação e divulgação do Agroecol.

    Abertura 

     A abertura oficial do evento acontece nessa quarta-feira, 16 de novembro, às 19h, no auditório da UFGD, com a apresentação do Coletivo Veraju, com a Orquestra de Violão da Aldeia Tey´Kue. Em seguida, às 20hs, acontece a Conferência Magna, com palestra que será proferida por Carlos Armênio Khatounian, professor da ESALQ/USP, de Piracicaba/SP. O conferencista que tem cerca de 38 anos experiência em pesquisa, ensino e extensão em agroecologia vai falar sobre “Agroecologia no cotidiano da humanidade: mitos, desafios e encontros no século XXI”.

    Reflexões e experiências sobre a saúde humana e a evolução da produção de alimentos de base ecológica, sem uso de agrotóxicos e seus impactos socioeconômicos estarão presentes nessa conferência de abertura. “Atualmente, praticamente em todas as cidades brasileiras existem feiras de produtos orgânicos. Uma das características dos produtos agroecológicos é que sua comercialização, geralmente, é feita com poucos elos na cadeia entre o produtor e o consumidor, o que torna seu preço mais acessível do que nas grandes redes de comercialização, incentivando o consumo solidário, que tem uma lógica diferente”, destaca Carlos Armênio.

    Ele destaca ainda que a utilização de agrotóxicos nas lavouras, desde a década de 70, influenciou a forma de consumir alimentos, que atualmente não leva em conta a sazonalidade da produção de alimentos. O professor explica que uma alimentação orgânica passa por mudanças conceituais, inclusive na forma de consumir os alimentos oriundos do campo, pois os produtos orgânicos são produzidos de acordo com as estações do ano. No verão, a aptidão do campo está relacionada a produção de couve, taioba, milho verde, pimentão, jiló, abobrinha, berinjela, entre outros. Já, no inverno, a aptidão natural está relacionada a produção de cenoura, alface, tomate, beterraba, repolho, entre outros. “O consumidor que está mais próximo do produtor passa a adotar uma dieta mais sazonal, ou seja, tem uma oportunidade de variar os ingredientes de sua alimentação de acordo com a disponibilidade dos alimentos”, disse Carlos Armênio. Além desses temas, o conferencista vai em sua palestra esclarecer alguns mitos e apresentar outros desafios que envolvem a agroecologia. 

    Realização 

    O Chefe Geral da Embrapa Agropecuária Oeste, Guilherme Lafourcade Asmus, destaca que o Agroecol é um evento que trata de um tema de extrema importância para todos e proporciona a transferência de conhecimentos de tecnologias sustentáveis para os produtores rurais”, disse ele.

    O evento é uma realização da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Embrapa Agropecuária Oeste, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural de Mato Grosso do Sul (Agraer). A Sociedade Científica Latino Americana de Agroecologia (SOCLA), Associação Brasileira de Agroecologia (ABA Agroecologia), Fórum Brasileiro de Educação do Campo (Fonec), Comissão Estadual de Produção Orgânica de Mato Grosso do Sul (CPorg-MS) e Sociedade Brasileira de Sistemas Agroflorestais (SBSAFs) são promotoras do Agroecol 2016.



    Fonte: ASSECOM
    Por: Christiane Congro Comas 


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