Campo Grande (MS),

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    terça-feira, 4 de outubro de 2016

    Qualificação do Senai desperta interesse de jovens e fomenta indústria do vestuário

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    Jéssica Cabreira Castilho cresceu assistindo a mãe remendando meias e cerzindo peças de roupas da família. A irmã mais velha, ainda criança, lidava com o lado lúdico da arte da costura e fazia roupinhas de boneca. Foi quando Jéssica decidiu deixar de ser mera espectadora das criações da mãe e da irmã e tentou seguir os próprios passos. A camiseta, “uma baby look de coração, igual à que vi em uma revista”, seria a primeira peça de roupa, mas não deu certo. “Não ficou direito”, explicou.

    A pequena falha na baby look foi a centelha para Jéssica se matricular no curso de costura industrial oferecido gratuitamente a jovens entre 14 e 24 anos pela agência do Senai em Sidrolândia, município a 72 quilômetros de Campo Grande. Depois de dois meses frequentando as aulas, Jéssica pretende abrir a própria loja. “Tenho 19 anos e preciso pensar no meu futuro e da minha família. Estou aprendendo como funciona todo o processo, quais as máquinas de costura existentes, costura manual e noções de moda, que é a parte que eu mais gosto. E pretendo me aperfeiçoar a ainda mais para ter uma confecção e uma loja”, esperou.

    Essa é a primeira turma do curso de costura industrial aberta para qualificação de jovens aprendizes do Senai em Sidrolândia. Na cidade, polo de indústrias do vestuário, a matéria-prima é abundante, o maquinário das empresas é de alto padrão tecnológico e há amplo mercado disponível para comercialização das peças fabricadas. O maior entrave, a exemplo das indústrias brasileiras, é a falta de mão de obra qualificada para atender as demandas das empresas do setor instaladas na região.
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    À Tip Top, cujo parque industrial fica em Sidrolândia, às margens da BR-060, a alternativa proposta pelo Senai e Sindivest (Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Vestuário, Tecelagem e Fiação de Mato Grosso do Sul) foi qualificar jovens. Focada em roupas e acessórios para bebês e crianças, a empresa é referência nacional em vestuário infantil. Cerca de 80% da produção sai de Sidrolândia e depois é distribuída para todo o Brasil, em mais de 108 lojas franqueadas. Somente na planta do Estado 142 costureiras fabricam 5 mil peças por dia, estimou o gerente industrial da unidade, Sérgio Murilo Dias Azevedo.

    Aprendizado

    Os jovens matriculados passam um período do dia na qualificação. Aprendem a identificar os tipos de máquina de costura existentes no mercado, os insumos utilizados para fabricação, corte manual, técnicas de costura, processo produtivo e noções de moda. “Ao notar que uma aluna já está apta para entrar na linha de produção, ela é contratada e passa a parte da manhã trabalhando e a parte da tarde no curso”, explicou o instrutor do Senai que ministra o Curso de Costura Industrial, Gabriel Mingiriam de Carvalho.

    Por isso, o curso funciona como porta de entrada para o mercado de trabalho. “É uma via de mão dupla. Atende ao problema da empresa, que busca trabalhadores qualificados, e proporciona aos jovens a oportunidade de ter uma profissão, porque a intenção da indústria é absorver esses profissionais”, acrescentou Carvalho. O curso começou no dia 17 de agosto e, desde então, 14 alunas já foram selecionadas e se tornaram funcionárias da Tip Top. Como resultado, a expectativa é que haja um incremento de 10% na produção diária, estimou Dias Azevedo.

    Outro aspecto positivo da parceria com a Tip Top é a imersão dos jovens em um mercado hoje restrito a faixa etária acima dos 40 anos, considerou o gerente de Senai de Campo Grande, Marcos Costa. “A profissão de costureira é estereotipada como sendo de pessoas mais velhas. O jovem não conhece os atrativos do segmento e que ele engloba moda e design, algo moderno e que só cresce no mundo todo”, disse, a exemplo da visão de Jéssica, que pretende desenhar a própria coleção e abrir uma loja.

    “É o nosso futuro (indústria do vestuário). Vejo na qualificação dos jovens uma luz no fim do túnel para a Tip Top, porque sem a mão de obra não teríamos como dar continuidade ao nosso trabalho em Sidrolândia”, avaliou a gerente de recursos humanos do grupo Tip Top no Brasil, Rosângela Ventura.

    Parceria de sucesso

    O Senai apresentou à Tip Top a alternativa de qualificação da mão de obra dos jovens aprendizes por intermédio do Sindivest. Há cerca de dois meses, o presidente do Sindicato, Francisco Veloso Ribeiro, foi procurado pela executiva da Tip Top, que estava em busca de soluções para atender a demanda de produção diante da escassez de mão de obra.

    Além da parceria com o Senai, responsável pela capacitação e treinamento dos jovens, Veloso sugeriu a terceirização de parte da produção para a empresa Priscilla Malhas, de Sidrolândia. "Neste momento de crise, tiro a mão de obra. Tem sido ótimo, atendo a necessidade da Tip Top e aprendo muito com eles”, afirmou o proprietário da confecção, Edesio Depine.
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    A Priscilla Malhas chega a produzir 700 peças/dia, com 17 funcionários. “Fomenta uma microempresa local e resolve parte do problema de uma gigante do setor, como a Tip Top, que corria o risco de fechar as portas no Estado”, disse Veloso. Outra proposta do presidente do sindicato foi apresentar a empresa Top Imagem, localizada em Campo Grande, para fazer o serviço de serigrafia, processo utilizado na transferência de imagens em tecidos e outros materiais, para a Tip Top.

    “A parceria com a Tip Top traz oportunidade para as pequenas empresas. Conseguimos contratar mais pessoas, geramos empregos e, agora, temos uma produção mais ágil e com mais qualidade”, analisou o proprietário da Top Imagem, Peterson Couto. A empresa recebeu qualificação de técnicos do Senai para atender a Tip Top, acerca de padronização do processo de produção. Desde que a parceria começou, já recebeu encomenda de 30 mil peças.




    Fonte: ASSECOM
    Por: Daniel Pedra

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