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    segunda-feira, 24 de outubro de 2016

    Opinião| A Batalha contra o Estado Islâmico continua

    Operação “Nós Estamos Indo, Nínive” teve início em Mossul dia 16 de Outubro  

    Iraquianos e curdos seguram bandeira do Estado Islâmico, depois de tomarem a cidade de Bartella da organização terrorista, no dia 22. 

    Em 16 de outubro, forças militares iraquianas, aliadas a milícias curdas e estrangeiras, lideradas pelo exército americano, deram início a uma agressiva ofensiva bélica, que têm por intenção tomar Mossul do Estado Islâmico, cidade que estava em poder da organização terrorista desde 2014. Sequência de uma operação anterior de grande escala, a intervenção militar contra o Estado Islâmico busca desmantelar completamente as células terroristas que tomaram conta da região, realizando imperativos ataques agressivos e intermitentes, em diversos e variados níveis. 
    As forças militares iraquianas lideram a ofensiva contra o Estado Islâmico. 

    Não obstante, todo o contexto no qual se desenvolveu o domínio do Estado Islâmico sobre a cidade de Mossul é de fato muito intrigante, e digno de circunspecção analítica. Ao tomar a cidade em 2014, foi na grande mesquita de al-Nuri que o líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, declarou o princípio do califado muçulmano. Com uma população de maioria sunita, não foi difícil para algumas poucas centenas de militantes do EI dissuadirem uma população, há muito exaurida e desconfiada de seus corruptos governantes xiitas, de aceitá-los como soberanos. No entanto, o que parecia a princípio ser um governo de libertação, mostrou-se um governo despótico, desumano e abusivo, e diversos grupos étnicos e minorias se viram obrigadas a fugir da cidade, para se salvar. Desde que o Estado Islâmico iniciou seu totalitário domínio sobre Mossul, mais de um milhão de habitantes, aproximadamente, deixaram a cidade, que permanece sendo o último grande refúgio da organização terrorista em território iraquiano. 
    Conforme o conflito vai chegando a um clímax, as tropas assírias, os milicianos curdos e as unidades iraquianas organizam-se, para impedir os militantes do Estado Islâmico de se reagruparem.

    Para tomar a cidade, a operação “Nós Estamos Indo, Nínive”, foi deflagrada em parceria com o exército americano. Com uma força numericamente superior, inúmeras coalizões compostas por diversas brigadas e milícias regionais – principalmente curdos e assírios, além de unidades paramilitares locais adicionais – uniram-se, para dar início a uma agressiva e beligerante ofensiva, que começou no dia 16 de outubro. 

    Uma guerra que se perpetua dentro de um contexto político mais amplo, mas invariavelmente definido, os Estados Unidos negociou até mesmo uma limitada participação com a Turquia, que passou a desempenhar um papel elementar no conflito, sem o consentimento do governo iraquiano. Não obstante, as considerações políticas que reconhecem o envolvimento da Turquia na guerra contra o terror abalaram sobremaneira a relação entre as duas nações – que já não andava muito boa –, especialmente quando o presidente da Turquia recusou-se a permanecer neutro na operação da retomada à Mossul, afirmando que a Turquia tomaria parte na ofensiva militar, aceitasse o governo iraquiano essa resolução, ou não. 

    Ao iniciar a ofensiva local, a estratégia militar utilizada foi similar a de muitas outras cidades, em que operações foram realizadas para desestabilizar o estado islâmico: a cidade de Mossul está sendo conquistada distrito por distrito, rua por rua, quarteirão por quarteirão, prédio por prédio, para garantir que, ao longo do processo, o Estado Islâmico venha a ser completamente erradicado da cidade. Não obstante, a organização terrorista não dá trégua, atacando com as estratégias que lhe cabem: com bombas, explosivos e ataques suicidas. 

    No entanto, a ofensiva encabeçada por uma coalizão de curdos, iraquianos, assírios e americanos – entre outras etnias – começou muito bem, o que de certa maneira, já era esperado, em função de sua incomparável superioridade numérica. O combate mostrou-se acirrado desde o princípio, com as forças da coalizão ganhando e perdendo território, conforme o combate se intensificava. Ao conquistar um vilarejo em um dia, o exército iraquiano o perdeu no dia seguinte, por falta de reforços, e nesse movimento de avanço e recuo, o conflito se tornou cada vez mais intrusivo, sanguinolento e exponencial. Não obstante, as forças da coalizão persistiram em seu agressivo avanço, e em questão de pouco tempo, os habitantes de Mossul passaram a colaborar, informando onde militantes do Estado Islâmico estavam escondidos. Como havia sido previsto, infelizmente, não demorou para que membros da organização terrorista passassem a usar civis como barreiras de proteção humana. 

    Invariavelmente, o conflito se estendeu a muitas outras regiões da província de Nínive – localidade que dá nome à missão – por possuir inúmeros vilarejos ainda em poder do estado islâmico, que estão igualmente sendo reconquistados pelas forças da coalizão. Em tais localidades, os conflitos estão sendo tão brutais e acirrados quanto, com membros do Estado Islâmico ficando cada vez mais desesperados, apesar de ainda serem capazes de efetuar uma significativa resistência. No dia 20 de outubro, o ataque intensificou-se sobremaneira, de tal modo que unidades paramilitares curdas recuaram, para que um destacamento das Forças de Operações Especiais Iraquianas pudesse entrar em ação. 

    No dia seguinte, 21, a carnificina pareceu ser ainda maior. Na cidade de Kirkuk, o Estado Islâmico realizou uma série de ataques, sendo que em um deles diversos civis foram mortos durante o expediente por um militante, em um ataque suicida. Não obstante, para piorar ainda mais a situação, o Estado Islâmico, que recentemente havia capturado centenas de reféns, passou a usá-los como escudo humano. Neste dia, teria executado duzentos e oitenta e quatro homens e meninos, e enterrado a todos em uma sepultura coletiva. As fatalidades totais do dia chegariam à casa das centenas. A ocorrência de execuções em massa ecoa a preocupação de uma grave crise humanitária, que havia sido prevista com a inerente intensificação do conflito. 

    No dia seguinte, a forças iraquianas afirmaram que a resistência do Estado Islâmico em Kirkuk havia chegado ao fim. Os militantes que restavam ou foram mortos, ou acabaram se matando. Ao que tudo indica, as forças do Estado Islâmico estão se deteriorando, e a organização terrorista pode estar próxima do seu fim. Em algumas localidades, os militantes são, em sua vasta maioria, recrutas adolescentes em idade escolar. Com as forças de coalizão ganhando terreno, e conquistando território após território – evidentemente, ao custo de vidas e muito sacrifício – o fim da pior organização terrorista do mundo contemporâneo pode estar mais perto do que imaginamos. 

    Não obstante, apesar de todas as perdas que vem sofrendo, e dos muitos militantes que são mortos diariamente, o Estado Islâmico ainda é capaz de executar brutais e agressivos ataques, e sua corrosiva crueldade jamais deve ser subestimada. Com a operação em andamento, e sem previsão de terminar, podemos apenas desejar às forças da coalizão que consigam suplantar a organização terrorista o quanto antes, e que este terrível e atroz pesadelo, que há muito tempo compromete a paz e o sossego da sociedade iraquiana, chegue logo ao fim, de uma vez por todas.


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