Campo Grande (MS),

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    terça-feira, 18 de outubro de 2016

    No fim do mandato, vereadores prometem abrir a ‘caixa preta’ do transporte coletivo

    Câmara deverá convocar audiência com empresários e poder público

    Durante sessão, vereadores de Campo Grande criticaram o serviço de transporte coletivo - Divulgação

    Prestes a concluir a atual legislatura da Câmara Municipal, os vereadores usaram a tribuna na sessão desta terça-feira (18) para criticarem a situação do transporte coletivo urbano da Capital, e prometeram uma apuração mais rigorosa do setor, já que acusam as empresas de não investirem o suficiente nos ônibus e no atendimento aos passageiros.

    “Nós temos que abrir a caixa preta do transporte coletivo. Caso necessário, abrir uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o que está acontecendo na cidade. Os empresários simplesmente estão enriquecendo. A qualidade do serviço é ruim e os donos das empresas se acham os donos da cocada preta”, disparou o vereador Carlão (PSB).

    A Prefeitura de Campo Grande revelou que ainda não conclui os estudos sobre o possível reajuste na tarifa, que já aumentou 30% nos últimos cinco anos. Todavia, alguns vereadores questionaram a informação divulgada pela assessoria do prefeito Alcides Bernal (PP).

    Segundo o vereador Chiquinho Telles (PSD), a prefeitura já teria um valor fechado de reajuste da passagem de ônibus. Ele também criticou outros serviços da Capital com valor elevado para a população, como Água e Esgoto, onde todos os contribuintes são obrigados a pagar uma taxa mínima, mesmo que não consumam o montante.

    “O aumento é um absurdo. Sempre sobra no lombo do trabalhador. Tem que haver uma desoneração do contribuinte”, disparou Chiquinho, que também cobrou abertura da ‘caixa preta’.

    O presidente da Comissão de Transporte Público da Casa, vereador Vanderlei Cabeludo (PMDB), revelou que pretende convocar, sem data definida, empresários do setor e poder público para uma discussão sobre o reajuste da tarifa.

    Eduardo Romero (REDE) explicou que aumento de tarifa não precisa da aprovação da Casa, e sim de um decreto do prefeito. O parlamentar afirmou que são as próprias empresas do setor de transporte que subsidiam a prefeitura com informações e valores para o estudo de reajuste da passagem de ônibus.

    Gratuidade

    “A gratuidade não é um problema, mas se torna problema porque não é controlada”, disse Romero, que já solicitou ao MPE-MS (Ministério Público Estadual) apuração destes fatos. Segundo o vereador, a prefeitura controla melhor gratuidades de estudantes, que, geralmente, usam o beneficio diariamente.

    Todavia, idosos, lideres comunitários e pessoas com deficiência, não usam a gratuidade diariamente, mas são tratados pelas empresas do setor da mesma forma que os estudantes.

    O vereador Edson Shimabukuro (PTB) frisou que itens como a gratuidade impactam no preço da tarifa para o campo-grandense. O petebista afirma que sem este benefício os valor da passagem cairia em cerca de 25%.

    “O que mais causa impacto é gratuidade, que sai do bolso de quem paga, na proporção de quatro por 1, ou seja, três pessoas custeiam uma passagem gratuita. É inadmissível que numa cidade como a nossa os ônibus não tenham ar condicionado, mas para isso terá um custo a mais para o passageiros, e as vezes eles podem querer abrir mão disso para ter um custo menor”, disse.

    Para o petebista, a média de carros na Capital, de 1,9 pessoas por veículo, dobra custo de vida da população, tudo, segundo ele, para evitar pegar ônibus. Shimabukuro defende que mais estrutura nos bairros, como escolas e empresas, para evitar que estudantes e população precisem se descolar pela cidade de ônibus.

    Fechamento

    Chiquinho Telles ainda criticou a intenção da prefeitura de, segundo ele, fechar o terminal de ônibus das Moreninhas, pela suposta falta de fluxo suficiente de passageiros no local . O vereador ponderou que o final do mandato do atual prefeito é uma ‘incógnita’.

    Para o vereador, oriundo da região das Moreninhas, outra questão que precisa ser abordada na Casa é a prestação do serviço. “É desumano para o motorista fazer todo o serviço, desde atender passageiros, dirigir, descer cadeirantes. Passou da hora de fazer as empresas do transporte coletivo abrir a caixa preta”, finalizou.



    Fonte: Midiamax
    Por: Ludyney Moura e Wendy Tonhati
    Link original: http://www.midiamax.com.br/politica/perto-fim-mandato-vereadores-prometem-abrir-caixa-preta-transporte-coletivo-319130

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