Campo Grande (MS),

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    terça-feira, 18 de outubro de 2016

    Moro marca interrogatório de Cláudia Cruz em processo da Lava Jato

    Mulher do ex-deputado federal Eduardo Cunha será ouvida em novembro. Além dela, outras três pessoas respondem ao processo.

    Depoimento dos réus é uma das últimas fases do processo (Foto: Evaristo Sá/AFP/Arquivo)

    O juiz federal Sérgio Moro marcou nesta terça-feira (18) os depoimentos dos quatro réus em um processo que apura o destino de desvios de dinheiro encontrados na Petrobras, durante a Operação Lava Jato. Entre os réus que devem ficar diante do magistrado está a jornalista Cláudia Cruz, mulher do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

    Os depoimentos dos réus começam no dia 9 de novembro. Primeiro, Moro vai ouvir o ex-diretor da Petrobras Jorge Luiz Zelada e o lobista João Augusto Rezende Henriques. No dia 16 de novembro, Moro ouvirá o empresário Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira e a jornalista Cláudia Cruz. Todas as audiências começam às 14h.

    Em relação a Idalécio, Moro lembrou que o empresário reside fora do país. Por essa razão, afirmou que não irá decretar a prisão preventiva dele, caso ele venha ao Brasil para participar da audiência. Com isso, ele poderá voltar a Portugal logo após o depoimento.

    O depoimento dos réus é, normalmente, uma das últimas fases do processo. Após essa etapa, o juiz abrirá prazo para que o Ministério Público Federal (MPF) e as defesas apresentem os argumentos finais. Em seguida, o processo pode seguir para a sentença. Havendo ou não a condenação, é possível que haja recurso.

    Neste processo, porém, os réus podem não ser os últimos a serem ouvidos. Conforme a decisão de Moro, ainda faltam ser ouvidas testemunhas que moram no exterior e que foram arroladas pela defesa de Cláudia Cruz. No entanto, o juiz disse que não poderá esperar pelas intimações, pois isso poderia atrasar o andamento processual. "Este Juízo se comprometeu a aguardar o prazo fixado para cumprimento dos pedido antes do julgamento, mas é o caso desde logo de prosseguir com os interrogatórios, até porque há acusado preso por este, João Augusto Rezende Henriques", disse Moro.

    A denúncia

    De acordo com as investigações, Cláudia Cruz foi favorecida, por meio de contas na Suíça, de parte de valores de uma propina de cerca de US$ 1,5 milhão recebida pelo marido. Ela responde pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

    Em agosto, Moro aceitou o pedido da defesa de Cláudia para que fosse devolvido o passaporte dela que estava retido com a Justiça. A decisão do juiz contraria uma petição do Ministério Público Federal (MPF), que alertou sobre a possibilidade de risco de fuga da investigada.

    Na decisão, o juiz observou que a entrega do passaporte à Justiça foi iniciativa da própria defesa de Cláudia Cruz, mas determinou que possíveis viagens realizadas por ela sejam previamente informadas oficialmente.

    O deputado Eduardo Cunha afirmou, em outras ocasiões, que as contas de Cláudia no exterior estavam "dentro das normas da legislação brasileira", que foram declaradas às autoridades e que não foram abastecidas por recursos ilícitos.

    O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa do MPF da Operação Lava Jato, chegou a dizer que "dinheiro público foi convertido em sapatos de luxo e roupas de grife".



    Do G1 PR
    Por: Samuel Nunes

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