Campo Grande (MS),

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    segunda-feira, 24 de outubro de 2016

    LÍNGUA PORTUGUESA - Professor Fernando Marques



    13.1 Ainda sobre o discurso de improviso 

    A plateia não gosta de discursos lidos. Quem se coloca à frente do público e passa a ler o discurso, transmite a ideia de ser incompetente e de que está menosprezando a inteligência dos ouvintes. Esse é um dos motivos pelos quais o discurso de improviso evidencia acentuadas vantagens sobre as demais formas de discurso. 

    13.1.2 Na plateia, na condição de ouvinte, observei que o povo sempre se manifesta com palavrões e atitudes de rejeição às pessoas que se atrevem a ler discurso. Portanto, recomenda-se a fala com a calma, a altivez, o entusiasmo e o real domínio do assunto de seu conhecimento para, na sequência, haver o feliz, oportuno desfecho com o tema principal do discurso para o qual o convite foi formulado. 

    13.1.3 Aproveitando as experiências 

    Como recurso para as falas de improviso, pode-se contar até mesmo com os fatos que se tenha observado pouco antes do momento da apresentação. Como exemplo, podemos citar: 
    • notícia ou informação que tenha sido obtida no local ou durante o trajeto; 
    • um fato curioso, publicado naquele dia ou transmitido por fonte confiável e seja importante para aquele público; 
    • informação obtida durante um diálogo mantido com alguma autoridade ou com alguns ouvintes pouco antes da apresentação. 
    13.1.4 O orador competente prefere a fala de improviso 

    Diferentemente do que ocorre com discurso decorado, ou com o discurso lido, quem opta pelo discurso de improviso pode fazer adaptações no decorrer da sua apresentação, podendo diminuir ou alongar a sua argumentação, tendo em vista as circunstâncias, os seus propósitos, a aprovação ou desaprovação do público, bem como as suas habilidades persuasivas. 

    O eminente orador sacro, Reverendo Charles Haddon Spurgeon (1834-1892), celebridade mundial, escritor e autor do sermão denominado “A Regeneração Batismal” que vendeu 300.000 impressões em uma semana, quando lhe perguntaram se não sentia aflição ao ser convidado para proferir discurso de improviso, afirmou: “Aqueles que mergulham no mar das aflições trazem pérolas raras para cima.” Disse ainda: - Falar de improviso é tão importante que, “se eu não puder falar de improviso, ficarei calado. Sinto-me envergonhado de ler qualquer discurso diante do publico.” 

    Quando o orador fala de forma improvisada, tendo habilidade para explorar eficazmente as circunstâncias transitórias que surgirem até mesmo durante a sua preleção, a sua capacidade de observação poderá “abrir janelas” para excelentes e súbitas inspirações que jamais lhe ocorreriam se o seu discurso fosse lido ou decorado. Ademais, o público tende a aplaudir e a congratular-se, jubilando-se diante da pessoa intrépida, audaciosa, corajosa e divinamente inspirada que, conduz pensamentos, usa frases marcantes e transforma momentos de angústia, tédio ou expectativas em memoráveis e privilegiados momentos vinculados à eternidade das felizes experiências à frente de um notável tribuno. 

    13.2 Os riscos para a pessoa que fala de improviso 

    Dentre os riscos que podem envolver a pessoa que profere o discurso improvisado, há o da interpretação equivoca da mensagem, dependendo das palavras utilizadas e da hermenêutica dos ouvintes. Desta forma, o conhecimento gramatical é essencial, não podendo haver palavras e frases que denotem distorções em relação à mensagem transmitida. 



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