Campo Grande (MS),

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    terça-feira, 4 de outubro de 2016

    Eleição encolhe poder das mulheres e Câmara terá apenas 2 vereadoras

    Dharleng Campos (à direita) foi eleita vereadora em Campo Grande. (Foto: Facebook)

    As Eleições 2016 tiveram as mulheres liderando o eleitorado, mas cada vez mais distantes do poder em Campo Grande. Sejam por rejeição do eleitorado, dificuldades de gênero ou falta de instrumentos ousados para ampliar a participação feminina, elas seguem cada vez mais “do lar”.

    Neste ano, foram eleitas apenas duas mulheres para a Câmara Municipal, sendo uma delas com o menor número de votos dos que conseguiram as 29 vagas do Poder Legislativo. Há quatro anos, elas tiveram presença bem maior: foram eleitas cinco vereadoras e uma delas foi a vice-campeã de votos. Atualmente, a Câmara tem três parlamentares.

    Para o cientista politico Tito Machado, o retrocesso na participação feminina no poder é sintomático do perfil conservador de Mato Grosso do Sul. “É o Estado mais conservador da nação e não existe coisa mais conservadora do que a relação da mulher na sociedade, vista como do lar”, afirma.

    Ele compara que os parlamentos do Brasil têm menor participação feminina do que no Irã. “Deveria ter instrumentos mais eficazes, como reserva de vaga. Obrigando que todo parlamento tenha porcentagem mínima de mulheres. Que sejam 3%, 10%”, diz.

    Desde 2009, os partidos brasileiros são obrigados por lei a destinar 30% de todas as suas candidaturas ao legislativo para mulheres.

    Obstáculos 

    Além das dificuldades tradicionais de uma campanha política, o simples fato de ser mulher já é uma barreira.

    “Quantas mulheres podem deixar casa e filhos para se dedicar à política? As trabalhadoras, certamente, não. E aqui entra um componente de classe, indissociável da questão feminina especificamente. A questão econômica é outro obstáculo: as mulheres das camadas pobres sustentam família muitas vezes sozinhas e subempregadas. Dupla e tripla jornada de trabalho. Como participar?”, afirma Ana Cláudia Salomão (PCdoB), que já disputou cinco eleições.

    Eleitas 

    No último domingo, foram eleitas Dharleng Campos (PP) e Maria Aparecida de Oliveira do Amaral (PTN), a enfermeira Cida. Ex-secretária municipal, Dharleng teve 2.591 votos. Cida obteve 1.929 votos, a menor votação entre os eleitos. A reportagem não conseguiu contato com as vereadoras eleitas. Campo Grande tem 597.174 eleitores, sendo 320 mil mulheres e 275 mil homens.
    Maria Aparecida de Oliveira do Amaral (PTN), a enfermeira Cida

    Em 2012, foram eleitas Thaís Helena (PT), Rose Modesto (PSDB), Grazielle Machado (PR), Carla Stephanini (PMDB) e Luiza Ribeiro (PPS).



    Fonte: campograndenews
    Por: Aline dos Santos
    Link original: http://www.campograndenews.com.br/politica/eleicao-encolhe-poder-das-mulheres-e-camara-tera-apenas-2-vereadoras

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