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    quinta-feira, 20 de outubro de 2016

    ARTIGO| Finalmente, o teto

    Por Sérgio Longen (*)

    Quem acompanhou minhas declarações durante todo o ano passado e neste ano, sabe o quanto defendemos o controle dos gastos públicos. Isso sempre foi bandeira do setor industrial no Brasil. O que nos deixava mais apreensivos durante esse tempo, era exatamente a falta de controle sobre o orçamento e as consequências que isso poderia trazer à economia brasileira a médio prazo. A regra da administração básica preconiza que, se você não equilibrar receita e despesa, o negócio quebra e isso realmente precisava de um freio.

    Por tudo o que aconteceu nos últimos dez meses no Brasil, já era de se esperar que tal medida viria acompanhada de um tsunami de polêmicas, justamente como está ocorrendo. E olha que a PEC 241, a do teto dos gastos, passou apenas em primeiro turno na Câmara dos Deputados, ainda existe um longo e espinhoso caminho até que ela seja colocada em prática. Vem mais polêmica por aí, porém, tenho a plena convicção da necessidade dessa medida para que o País volte a crescer e gerar trabalho e renda.

    Segundo o economista Ricardo Amorim – que já esteve algumas vezes palestrando na Fiems -, o movimento de recuperação será cíclico, depois de aprovada essa PEC. O Governo Federal cortando os próprios gastos, as especulações e preocupações com as contas públicas tendem a diminuir, assim, o Brasil que ultimamente teve suas notas de investimentos rebaixadas, volta a atrair capitais estrangeiros. Naturalmente, com a entrada de mais capitais, a moeda nacional fica mais forte e o dólar começa a cair, levando consigo para baixo, a inflação. Dessa forma, os movimentos seguintes começam a acontecer, como por exemplo a queda no preço dos combustíveis anunciada na semana passada.

    Como próximo passo da receita, se cai a inflação e os preços dos combustíveis, a próxima da lista é a taxa de juros, também já anunciada pelo Copom em tendência de queda. Caindo os juros, aumenta o crédito das empresas e dos trabalhadores, consequentemente, crescem o consumo e novos investimentos, o que diretamente gera emprego.

    Agora, com a aprovação da PEC 241, nossa esperança é que o faz de conta das finanças públicas finalmente termine e a dívida não comprometa 70% do PIB como previsto. O temor em torno da saúde e da educação devem ser desmistificados, mostrando que os investimentos nessa área acompanharão a inflação a partir de 2018 e não serão comprometidos. Basta agora, esperar que as bancadas federais de todos os Estados também entendam dessa forma e deem sequência na votação da PEC. O Brasil tem pressa de voltar a crescer e ser organizado.


    *Sérgio Longen é empresário, presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (FIEMS) e Conselheiro da Confederação Nacional das Indústrias (CNI)

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