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    segunda-feira, 5 de setembro de 2016

    PONTA PORÃ LINHA DO TEMPO| Memória histórica e cultural da região de fronteira, Desfile cívico o amor à pátria que ultrapassa o tempo e marca as gerações

    "Viva a independência e a separação do Brasil. Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro promover a liberdade do Brasil. Independência ou Morte!". (D. Pedro I em 7 de setembro de 1822, às margens do riacho do Ipiranga)

    Arquivo pessoal de Nilza Terezinha: Foto do acervo de seu pai Itrio Araújo dos Santos conhecido como (cabo Itrio), que serviu no 11º Regimento de Cavalaria na cidade de Ponta Porã na década de 40. Na imagem 11º RC – Regimento de Cavalaria em desfile na semana de comemoração da independência década de 40.

    “Fé esperança e cultura e que ostenta essa rica região” Isaac Borges Capillé

    Dois locais importantes na cidade de Ponta Porã foram utilizados para realização do desfile da 7 de setembro, dependendo do governante municipal, ou era a rua Marechal Floriano ou Avenida Brasil. Segue relato de fatos deste eventos em épocas distintas nestes.
    Arquivo pessoal Vergínia Cuevas Pereira: Alunas da escola são José Década de 60 com a irmã salesiana, Freira Margarida.

    A Escola Paroquial São José fundada na década de 40, foi uma das principais unidades educacionais da fronteira em seu tempo, com sistema privado (particular), escola tradicional primeiramente com educadores eclesiásticos, padres e freiras (irmãs) da ordem redentoristas. 
    Arquivo pessoal de Gene Whitmer: desfile cívico década de 60. Avenida Brasil ainda sem pavimentação.

    A escola se localizava na Avenida Brasil travessa com a Rua Tiradentes, por décadas formou alunos que se tornaram profissionais nas mais diversas áreas dentro e fora da cidade, dentro de suas atividades extras curriculares de destaque, a sua fanfarra marcou época e fez história dentro e fora do município e estado.
    Escola Paroquial São José década de 50 localizada na avenida Brasil - Divulgação

    Em 1978, através de apoio e incentivo do Professor Isaac Borges Capillé ocorreu na cidade de Ponta Porã o primeiro concurso oficial de fanfarras, pois anteriormente eram meramente apresentações e desfile. O troféu transitório foi uma doação do Grupo Fazendas Itamarati. 
    Arquivo de Marcelo Camburão fanfarra São José se preparando para entrar na avenida sob o comando do maestro Geraldo Portiolli. Década de 80.

    O Professor Issac Borges Capillé foi o percussor de fanfarras do município de Ponta Porã, criando a primeira fanfarra do Ginásio São Francisco na década de 60 e incentivando outras unidades escolares a formar suas fanfarras, uma destas a Fanfarra da Escola Paroquial São José, educador, político e desportista que marcou história na fronteira, ele escreveu a letra do Hino do Município de Ponta Porã, um poema a princesinha dos ervais. 
    Troféu transitório que ficou de posse definitiva pra Escola Paroquial São José

    Muitos acontecimentos anteriores ficaram registrados na memória cultural da Princesinha dos Ervais como é carinhosamente chamada a cidade fronteiriça de Ponta Porã, a população como politicas e empresariais se faziam presentes neste evento, que ficaram congelados no tempo através de registros fotográficos deste período. 
    Arquivo pessoal Adão Bueno desfile cívico 1971, imagem do sobrado, casas Buri de propriedade do senhor Benone, em destaque na imagem de terno preto senhor Benone (tio Benone) os locutores Adão Bueno e Velocindo Farias da Silva, transmitissem o desfile de uma posição mais privilegiada. Hoje neste local funciona outro estabelecimento comercial de calçados.

    A grande maioria da população que todos os anos prestigiam o desfile cívico realizado na Avenida Brasil em Ponta de Porã não imagina de que maneira era feito nem ao menos onde acontecia em outras épocas, este breve relato vem realizar uma retrospectiva deste evento em nossa cidade que atrai tantos fronteiriços a prestigiar o amor à pátria. 
    Arquivo pessoal Adão Bueno desfile cívico 1971, imagem das alunas acompanhada com a professora passando pelo palanque oficial.

    Avenida Marechal Floriano lotada a população local aguardando com euforia o início do desfile daquele ano, o palco das autoridades já estava montado todo em madeira no centro da avenida a transmissão era realizada do alto do sobrado da loja “Casa Buri” de propriedade o senhor Benoni (Tio Benoni), que sedia o local no andar superior de sua loja para que o mesmo servisse de bancada para os locutores, (atualmente nesse mesmo local funciona a loja de sapatos Genesis). 

    Avenida Marechal Floriano toda enfeitada seus paralelepípedos limpos ao longo das calçadas os postes de madeiras também recebiam adornos e fechamento de cordas para segurança da plateia, os locutores da época Srº Adão Bueno e Srº Velocindo da Silva (Velo) transmitiam o desfile através de alto falantes instalados no sobrado e na extensão da Avenida, o desfile começava próximo a Praça Lício Proença Borralho onde hoje se localiza os box das novas lojas dos camelôs na linha internacional, seguindo em direção a parte alta da Avenida.

    Segundo relatos do senhor Adão Bueno que transmitiu o desfile por longo tempo, quem teve o privilegio de fazer parte deste período histórico percebe o quanto a cidade de Ponta Porã se desenvolveu, a fronteira em geral progrediu, a juventude de hoje não tem muitas informações, não imaginam que por baixo destes asfaltos da Avenida Marechal Floriano existe blocos de paralelepípedos que foram colocados para modernizar e deixar o centro comercial da cidade mais limpo em outros tempos. 

    Buscando em sua memória o senhor Adão Bueno ressalta que esse período era de plena ditadura militar e para que fosse realizada a transmissão do desfile o mesmo deveria ter toda logística e autorização monitorada do 11º Regimento de Cavalaria. 
    Arquivo pessoal de Elizabeth Fátima Costa: Desfile cívico, sete de Setembro em Ponta Porã 1975.

    Os locutores autorizados nesse período pelo comando militar eram o senhor Adão Bueno e Velocindo Farias da Silva (velo). Vale lembrar que o senhor Velocindo continua transmitindo o desfile, isso ocorre por décadas que neste ano de 2015 completa 50 anos de palanque oficial, voz conhecida nas transições por todos na cidade, como também no cerimonial da Prefeitura Municipal.

    Adão Bueno que tinha seus programas de radio nestes tempos, dedicou se mais para politica e ao esporte, dirigindo várias equipes na cidade e em outras regiões do Estado e no país vizinho Paraguai, bicampeão da copa morena de futebol de salão pela equipe da fazenda Itamarati, participando de enumeras copas morenas, campeão regional e estadual por equipes de futebol de gramado, tais como Bota fogo e Operário, dirigente esportivo, membro da liga amadora de futebol e atuando como assessor político e dentro de Ponta Porã como também em outros municípios de Mato Grosso do sul. 

    Rememorar é uma forma de manter sempre acesa a memória histórica e cultural de uma nação.
    Pesquisador: Yhulds Giovani Pereira Bueno. Professor da Rede Municipal de Educação, qualificação profissional, gestão e logística (Programas Estaduais e Federais). Professor Tutor das Faculdades Anhanguera Polo Ponta Porã.

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