Campo Grande (MS),

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    terça-feira, 16 de agosto de 2016

    Rodrigo Maia diz que nunca recebeu pedidos ilícitos de Gim Argello

    Presidente da Câmara foi chamado a depor em processo contra ex-senador. Parlamentar do DEM preferiu se pronunciar por escrito ao juiz Sérgio Moro.

    O presidente da Câmara participou de CPMI da Petrobras junto com Gim Argello (Foto: Fernanda Calgaro/G1)

    O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), enviou um ofício ao juiz federal Sérgio Moro no qual afirma nunca ter recebido nenhum pedido ilícito por parte do ex-senador Gim Argello. O ofício foi a forma encontrada pelo parlamentar para depor em uma ação penal movida contra o ex-colega de Congresso, que foi preso na 28ª fase da Operação Lava Jato.

    No documento de cinco páginas, Maia respondeu às perguntas feitas pela defesa do ex-senador e também pelos demais réus e do Ministério Público Federal. Ele falou sobre o funcionamento de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).

    Há suspeitas de que Gim Argello tenha pressionado empreiteiras para obstruir o andamento da CPMI da Petrobras, que ocorreu em 2014. Ele foi membro da CPI da Petrobras no Senado e vice-presidente da CPI mista, no Senado e na Câmara.

    No ofício, Rodrigo Maia responde que desconhece a atuação de Gim Argello apontada pelos investigadores. Perguntado se recebeu algum pedido do ex-senador para que não fossem convocados empreiteiros investigados na Lava Jato, ele disse que não.

    O deputado também negou que Argello tenha lhe pedido para não votar qualquer tipo de requerimento na CPMI da Petrobras. Ainda de acordo com Maia, seria difícil que Argello pudesse interferir no andamento na comissão, pois os requerimentos apresentados pelos parlamentares precisavam entrar em votação pelos demais membros.

    Entenda o caso

    O ex-senador Gim Argello (PTB-DF) foi preso preventivamente na 28ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta terça-feira (12). A ação, batizada de "Vitória de Pirro", investiga a cobrança de propinas para evitar convocação de empreiteiros em comissões parlamentares de inquérito sobre a Petrobras. Gim era membro da CPI no Senado e vice-presidente da CPMI, da Câmara e do Senado.

    O nome dele apareceu nas delações do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS) e do dono da UTC, Ricardo Pessoa. O Ministério Público Federal (MPF) diz que há evidências de que o ex-senador pediu R$ 5 milhões em propina para a empreiteira UTC Engenharia e R$ 350 mil para a OAS. As duas empresas são investigadas na Lava Jato.

    Gim Argello foi preso porque, segundo o procurador Athayde Ribeiro Costa, os produtos da lavagem de dinheiro ainda não foram recuperados. "O crime foi dotado de inusitado atrevimento, porque foi uma corrupção para encobrir corrupção mesmo depois da deflagração da Operação Lava Jato", disse Costa.

    "O caso de hoje revela uma corrupção qualificada, uma corrupção ao quadrado, uma meta corrupção. É gravíssima a conduta de usar uma CPI para praticar crimes que deveriam ser investigados", afirmou o procurador.



    Do G1 PR e da RPC
    Por: Samuel Nunes e Fernando Castro

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