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    segunda-feira, 29 de agosto de 2016

    Interrogatório no Senado opõe Dilma e Aécio, rivais na eleição de 2014

    Senador disse que ela venceu com 'ilegalidades' e 'faltando com a verdade'. Para Dilma, após eleição, houve tentativas de se desestabilizar governo.

    senador Aécio Neves (MG) - Reprodução/TVSenado

    O senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB, afirmou nesta segunda-feira (29), em pergunta dirigida a Dilma Rousseff durante interrogatório na sessão de julgamento do impeachment, que ela venceu a eleição de 2014 "faltando com a verdade e cometendo ilegalidades".

    Ao responder, Dilma afirmou que, logo após a eleição, houve tentativas de se desestabilizar o governo e mencionou ações do PSDB. "A partir do dia seguinte da minha eleição, uma série de medidas políticas para desestabilizar o meu governo foram tomadas", declarou.

    Poucos dias após o resultado da eleição, o PSDB entrou no Tribunal Superior Eleitoral(TSE) com um pedido de auditoria para verificar a lisura da eleição presidencial. O partido também pediu ao TSE dados de urnas eletrônicas para fazer uma auditoria sobre os sistemas de votação.

    Após a eleição de 2014, o PSDB também ingressou no TSE com uma ação em que pedia a impugnação dos mandatos de Dilma e do vice Michel Temer por suposto abuso de poder político e econômico no pleito. O partido alega que houve "financiamento de campanha mediante doações oficiais de empreiteiras contratadas pela Petrobras como parte da distribuição de propinas", suspeita investigada na Operação Lava Jato. O TSE ainda não deu uma decisão final sobre essa ação. Desde o início do caso, a defesa de Dilma alega que todas as doações para a campanha foram legais, declaradas e aprovadas pelo TSE na prestação de contas

    Dirigindo-se diretamente a Dilma, Aécio afirmou que “não é desonra perder as eleições, sobretudo quando se defende ideias e se cumpre a lei”. Mas ressalvou: “Não diria o mesmo de quando se vence as eleições faltando com a verdade e cometendo irregularidades”.

    O senador tucano relembrou debates dos quais os dois participaram na campanha eleitoral de 2014 e relembrou temas discutidos entre eles, como combate à inflação e crescimento da economia.

    "Vossa Excelência usa os votos que recebeu, como justificativa para os atos que tomou. O voto não é salvo-conduto", afirmou o senador.

    Aécio perguntou "em que dimensão” ela se sente responsável pela recessão brasileira, por 12 milhões de desempregados e pela perda média de 5% da renda dos trabalhadores.

    “Jamais imaginaria que, após todos os debates durante a campanha eleitoral, que envolveu o voto de 110 milhões de brasileiros, nos encontrássemos aqui hoje. Tenho certeza que, ao longo de todo o processo eleitoral, debatemos e nos respeitamos. O que tenho dito, e reafirmei no meu discurso e reafirmo ao senhor, é que, a partir do dia seguinte à minha eleição, uma série de medidas políticas para desestabilizar meu governo foram adotadas”, afirmou Dilma.

    Dilma aproveitou a resposta para criticar o que chamou de possibilidade de "eleição indireta" para presidente por meio do processo de impeachment.

    “Respeito o voto direto nesse país, acho que o voto direto é uma grande conquista. Prefiro o barulho das ruas, das disputas eleitorais, das divergências eleitorais, e por isso respeito todos aqueles que concorreram. Agora, não respeito eleição indireta produto de processo de impeachment sem crime de responsabilidade. Isso eu não posso respeitar”, afirmou.



    Do G1, em Brasília
    Por: Filipe Matoso e Laís Lis

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