Campo Grande (MS),

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    domingo, 10 de julho de 2016

    Seis deputados do PMDB de Temer querem disputar sucessão de Cunha

    Peemedebistas buscam apoio para candidaturas à presidência da Câmara. Planalto monitora articulações e tenta construir candidatura de consenso.

    Os deputados do PMDB Baleia Rossi, Carlos Marun, Fábio Ramalho, Marcelo Castro, Sérgio Souza e Osmar Serraglio (Foto: Montagem com fotos de Luis Macedo, Gustavo Lima, José Cruz, Lúcio Bernardo e Gilmar Félix / Câmara dos Deputados e Agência Brasil)

    Dono da maior bancada da Câmara com 66 deputados, o PMDB do presidente em exercício Michel Temer corre o risco de ter seis candidatos na disputa pela sucessão de Eduardo Cunha(RJ) no comando da casa legislativa. À revelia do Palácio do Planalto – que tem defendido o lançamento de uma candidatura de consenso da base aliada –, os deputados Baleia Rossi (SP), Marcelo Castro (PI), Carlos Marun (MS), Fábio Ramalho (MG), Sérgio Souza (PR) e Osmar Serráglio (PR) buscam apoio nos bastidores para concorrer ao comando da Câmara no papel de candidato oficial do PMDB.

    A corrida pela presidência da Casa foi deflagrada oficialmente na última quinta (7) com a renúncia de Cunha. Dos seis peemedebistas com interesse em entrar na briga pelo cargo, dois já registraram as candidaturas na semana passada: Marcelo Castro (ex-ministro da Saúde) e Fábio Ramalho (ex-prefeito do município mineiro de Malacacheta).

    As negociações em torno do comando da Câmara, contudo, se intensificaram neste final de semana. Em Brasília, líderes partidários, potenciais candidatos e emissários de Temer passaram os últimos dias em conversas na tentativa de definir os nomes que tentarão a sorte na eleição interna da Casa.

    Os outros quatro deputados do PMDB que cogitam ingressar na disputa tentam, antes de se lançar oficialmente, buscar apoio para suas candidaturas. Eles têm procurado colegas da bancada peemedebista e deputados de outros partidos para tentar costurar alianças.

    Os parlamentares do PMDB terão até o dia da eleição para registrar suas candidaturas. Uma queda de braço entre o presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), e líderes do "Centrão" deixou indefinida a data da votação, que pode ocorrer entre terça (12) e quinta-feira (14).

    Filho do ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi e atual líder do PMDB na Câmara, Baleia Rossi tem repetido, por meio de sua assessoria, que descartou a possibilidade de entrar na corrida eleitoral. Ele, entretanto, tem feito corpo a corpo com integrantes de sua bancada para tentar se cacifar como candidato oficial do partido. Na abordagem a parlamentares peemedebistas, Rossi tem apresentado propostas e pedido apoio para uma eventual candidatura.

    “É o nosso líder na Câmara, um deputado agregador, seria um bom nome”, disse um deputado do PMDB ouvido pelo G1.

    Outro possível candidato peemedebista é o deputado Carlos Marun, que ficou nacionalmente conhecido nos últimos meses com um dos mais fiéis aliados de Eduardo Cunha. Apesar de ainda não ter formalizado a candidatura, o deputado do Mato Grosso do Sul já externou a intenção de participar da eleição a vários colegas do partido, incluindo o próprio Cunha.

    Suplente do Conselho de Ética da Câmara, Marun protagonizou diversas discussões acaloradas no colegiado com adversários de Cunha para defender o ex-presidente da Casa, alvo de um processo de cassação por ter mentido à CPI da Petrobras que mantinha contas bancárias no exterior.

    Em um grupo de Whatsapp de deputados do PMDB, ele reconheceu na semana passada a "lealdade" do aliado da bancada do Mato Grosso do Sul com uma mensagem de apoio às pretensões de Marun de comandar a Casa. Cunha, entretanto, vem defendendo que o PMDB abra mão de ter candidato próprio para apoiar um nome do "Centrão".

    “Se eu estivesse habilitado, votaria em você, amigo”, declarou o ex-presidente da Câmara no grupo de WhatsApp dos deputados peemedebistas, referindo-se a Carlos Marun.

    Eleito para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara com o apoio de Cunha, o deputado Osmar Serráglio tem ensaiado nos bastidores uma candidatura à sucessão do colega de partido. O parlamentar do Paraná é peça-chave no processo de cassação do ex-presidente da Casa, na medida em que a CCJ é a comissão responsável pela análise do recurso que quer anular a votação do Conselho de Ética que recomendou a perda do mandato.

    Ex-ministro da Saúde do governo Dilma Rousseff e atual desafeto de Eduardo Cunha, Marcelo Castro foi um dos primeiros deputados a registrar candidatura à presidência da Câmara. Médico de 66 anos, ele está no quinto mandato como deputado federal.

    Castro rompeu politicamente com Cunha em 2015, após ter sido desautorizado pelo agora ex-presidente da Câmara nas negociações para votar um projeto de reforma política. À época, o deputado do Piauí presidia a comissão especial criada na Casa para tratar das mudanças nas regras políticas e eleitorais. Contrariado com as propostas elaboradas sob o comando de Castro, o deputado do Rio cancelou a votação do relatório final da reforma política no colegiado e levou o assunto à votação diretamente no plenário da Casa.

    Marcelo Castro se manteve na Esplanada dos Ministérios mesmo depois de o PMDB ter rompido oficialmente com Dilma. Na votação que autorizou a abertura do processo de impeachment, ele desobedeceu a recomendação partidária e votou contra o afastamento da petista. A lealdade que o deputado piauiense demonstrou a Dilma pode atrair votos na eleição pela presidência da Câmara de integrantes da atual oposição, como PT, PC do B e PDT.

    Ex-relator da CPI dos Fundos de Pensão, o deputado Sérgio Souza tentará aproveitar a visibilidade alcançada no comando das investigações de irregularidades cometidas nos fundos previdenciários das estatais para disputar a sucessão de Cunha. A assessoria dele afirma que o deputado do Paraná irá registrar sua candidatura nesta segunda-feira (11).

    Planalto monitora

    Embora mantenha um discurso oficial de que se manterá afastado da disputa pelo comando da Câmara, o Planalto tenta, por meio de seus articuladores políticos, restringir ao máximo o número de candidatos para evitar um racha na base aliada. Mapeamento do palácio identificou que, pelo menos, 12 integrantes de partidos alinhados ao governo pretendem concorrer à sucessão de Cunha, entre os quais os peemedebistas.

    Internamente, auxiliares de Temer reconhecem que parte significativa desses possíveis candidatos à presidência da Câmara só colocaram o nome na disputa para pressionar o governo e tentar obter cargos para afilhados políticos no Executivo federal.

    O presidente em exercício determinou que seus ministros e articuladores políticos não interfiram, publicamente, no processo de eleição do novo presidente da Câmara para evitar fissuras incontornáveis entre os partidos aliados.

    De qualquer forma, os ministros palacianos Eliseu Padilha (Casa Civil) e Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) estão acompanhando com lupas as movimentações dentro da base aliada.

    Assessores de Temer admitem, sob a condição de anonimato, que “ninguém pode ser ingênuo de achar que o governo não está se movimentando".

    "Temer tem uma larga experiência política e muito dessa experiência foi construída na Câmara. Ele sabe como funciona a Casa. Quando os deputados decidem, a Câmara segue um curso próprio. Se o governo tentar interferir no processo interno de disputas, pode sair enfraquecido", avaliou ao G1 um interlocutor do presidente em exercício.

    Candidaturas confirmadas

    Além de Marcelo Castro e Fábio Ramalho, outros quatro deputados de vários partidos já haviam formalizado, até a tarde deste domingo (10), participação na eleição para a presidência da Câmara, que irá ocorrer nesta semana. Veja quem são:

    Fausto Pinato (PP-SP): advogado, tem 39 anos e está em seu primeiro mandato. Chegou a ser eleito relator do processo contra Cunha no Conselho de Ética, mas foi substituído.
    Carlos Gaguim (PTN-TO): administrador, tem 55 anos e também está no primeiro mandato. Foi vereador e deputado estadual no Tocantins. Governou o estado após a cassação do então governador Marcelo Miranda e do vice Paulo Sidnei pelo TSE, em 2009.
    Carlos Manato (SD-ES): médico, tem 58 anos e está no quarto mandato na Câmara. É o atual corregedor da Casa e já ocupou cargos de suplente na Mesa Diretora.
    Heráclito Fortes (PSB-PI): funcionário público, exerce o quinto mandato na Câmara. Ex-integrante do DEM, foi um dos principais opositores do governo Lula no Senado. Já comandou a prefeitura de Teresina.

    Além deles, dois deputados anunciaram que irão concorrer mas ainda não oficializaram candidatura: a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), filha do delator do mensalão Roberto Jefferson, e Beto Mansur (PRB-SP), primeiro-secretário da Câmara.

    Candidatos favoritos

    Considerados favoritos na acirrada disputa pela presidência da Câmara, os deputados Rogério Rosso (PSD-DF) e Rodrigo Maia (DEM-RJ) ainda não se lançaram oficialmente na corrida pela sucessão de Cunha. Antes de expor as candidaturas nos carpetes verdes da Câmara, os dois parlamentares da base aliada de Temer travam, nos bastidores, uma intensa batalha por votos e pelo apoio oficial do Palácio do Planalto.

    Como enxadristas, Rosso e Maia aguardam o momento certo para se movimentar oficialmente na disputa eleitoral. A precaução para entrar na concorrida pelo comando da Câmara é uma tentativa de evitar o desgaste público antes de fecharem as alianças.

    Líder do PSD na Câmara, Rosso é aliado próximo de Eduardo Cunha e um dos nomes mais influentes do chamado "Centrão", bloco que reúne os partidos de centro-direita da Casa. O parlamentar do Distrito Federal presidiu, na Câmara, a comissão especial do impeachment que analisou o afastamento de Dilma Rousseff.

    A postura de Rosso no comando da comissão do impeachment chamou a atenção do governo Temer. Atualmente, o líder do PSD é o deputado que tem a maior simpatia dos integrantes do Planalto, ainda que, oficialmente, o palácio esteja evitando demonstrar preferência por qualquer um dos candidatos.

    Outro ponto a favor de Rosso, na visão do governo, é o fato de que ele ele tem “bom trânsito” entre as principais lideranças da Câmara e tem “baixo índice de rejeição”, além de não ter a imagem ligada “aos velhos caciques” do Congresso Nacional. O deputado do PSD chegou a comandar o Distrito Federal, em 2010, em um mandato tampão quando o então governador José Roberto Arruda (PR-DF) foi preso e afastado do Palácio do Buriti.

    Segundo o G1 apurou, o líder do PSD quer anunciar oficialmente que vai concorrer ao comando da Câmara na véspera da votação.

    Para ter chances de se eleger para o mandato tampão de presidente da Câmara até fevereiro, o deputado do PSD terá de superar a concorrência do grande número de deputados governistas que se lançaram na corrida eleitoral mesmo sem apoio de seus partidos.

    Outro desafio de Rosso é contornar a desconfiança das legendas da antiga oposição (PSDB, DEM, PPS e PSB) com as siglas do "Centrão", estreitamente identificadas como aliadas de Eduardo unha.

    Correndo por fora na disputa pela presidência da Câmara, Rodrigo Maia tem buscado o apoio de diferentes partidos, inclusive da atual oposição, para se lançar oficialmente como candidato. Filho do ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM), Rodrigo integra um bloco informal dos chamados governistas independentes. Além do DEM, fazem parte do grupo o PSDB, PSB e PPS.

    No início da gestão Temer, Rodrigo Maia foi cogitado para a liderança do governo na Câmara, mas, no final das contas, acabou preterido pelo líder do PSC, André Moura (SE). Integrante da "tropa de choque" de Eduardo Cunha, o deputado sergipano foi imposto pelo "Centrão" para o posto.

    Deixando as diferenças ideológicas e políticas de lado temporariamente, Rodrigo Maia tem admitido a aliados que buscará votos até mesmo de antigos desafetos, como PT, PSOL e PC do B. Nas fileiras oposicionistas, o aceno do deputado do DEM é correspondido. 

    Em busca de um nome com força suficiente para tentar derrotar o candidato do "Centrão" indicado por Cunha, petistas e aliados sinalizam que podem votar em Rodrigo Maia. Deputados petistas ouvidos pelo G1 em condição de anonimato admitiram que o partido será coadjuvante na disputa e que não terá um candidato próprio.

    A tendência, segundo relatos desses parlamentares, é que o partido – dono da segunda maior bancada da Câmara – dará apoio a um nome que tenha condições de ir ao segundo turno.

    Líder do DEM e histórico desafeto do PT, o deputado Pauderney Avelino (AM) afirmou nesta sexta (8) que não descarta o apoio da oposição para vitaminar a candidatura de Rodrigo Maia.



    Do G1, em Brasília
    Por: Gustavo Garcia e Fabiano Costa

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