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    sexta-feira, 8 de julho de 2016

    OPINIÃO| Atentado terrorista em Bagdá causa quase duas centenas de mortes

    Bombeiros procuram corpos e possíveis sobreviventes nos escombros de edifício calcinado pela explosão.  

    O Estado Islâmico do Iraque e da Síria (ISIS [ou ISIL] na sigla em inglês), simplesmente conhecido como Estado Islâmico, indubitavelmente a mais pérfida, terrível insidiosa e perigosa organização terrorista em atividade, está se tornando cada vez mais atroz, brutal e inclemente, nas horrendas, fatídicas e sanguinolentas chacinas que promove, com frequência cada vez maior. No dia 3 de julho, um ataque combinado de quatro explosões em diferentes locais de Bagdá, capital do Iraque, mostrou mais uma vez a sublime capacidade organizacional e o terrível poder destrutivo do Estado Islâmico. O mais mortífero e violento dos ataques ocorreu no Distrito de Karrada, provocando a morte de quase duas centenas de pessoas, e ferindo outras duas centenas. O número exato de mortos é desconhecido, tendo ficado em aproximadamente 174 até o momento. Esta foi certamente uma das maiores fatalidades no que diz respeito a atentados terroristas na história recente do Iraque, e com certeza, o pior a ocorrer em território iraquiano durante o ano. Desafortunadamente, boa parte das vítimas eram crianças. 
    Haider al-Abadi, Primeiro Ministro do Iraque, foi vaiado por populares, juntamente com sua comitiva, ao visitar o local do atentado.

    Depois do brutal atentado terrorista de 28 de junho, que ocorreu no aeroporto internacional de Atatürk, em Istanbul, na Turquia, que deixou 48 mortos (incluindo os três terroristas) e 238 feridos – atentado este que, embora atribuído ao Estado Islâmico, não possui evidências para corroborar a suspeita – a organização terrorista confirmou a autoria dos atentados em Bagdá, embora a veracidade dos fatos ainda deva ser verificada. De acordo com o Estado Islâmico – que não confirmou responsabilidade pelo atentado do dia 28 de junho – os atentados do dia 3 de julho, em Bagdá, teriam sido de fato realizados pela organização terrorista radical, que tinha como um de seus principais objetivos exterminar muçulmanos xiitas. Especula-se também que o Estado Islâmico estaria realizando uma retaliação por recentemente ter perdido território durante uma disputa militar pelo controle da cidade de Faluja. O terrorista suicida que teria dirigido o veículo carregado de explosivos no Distrito de Karrada – aparentemente, um caminhão refrigerado, repleto de bombas – teria sido posteriormente identificado como Abu Maha al-Iraqi. Depois de visitar o local do atentado, o primeiro ministro iraquiano Haider al-Abadi foi atacado, juntamente com sua comitiva, por populares, que atiraram pedras, garrafas de água, baldes vazios e detritos dos pavimentos nos veículos, em protesto contra a segurança precária que o governo têm oferecido aos seus cidadãos. Os atentados ocorreram próximos a uma festividade que marca o fim do Ramadã, período sagrado no calendário muçulmano, pautado por extrema devoção religiosa. 
    Área atingida pela explosão no Distrito de Karrada, depois que bombeiros extinguiram as chamas.

    Os outros três atentados ocorreram em diferentes partes da cidade. No subúrbio de Sha'ab, aproximadamente cinco pessoas morreram, e dezesseis ficaram feridas. No distrito de Abu Gharib, a explosão de uma bomba causou uma fatalidade, e feriu cinco pessoas. Em al-Latifiya, no sul de Bagdá, uma bomba discretamente colocada em um carro matou uma pessoa, e deixou um número ainda não identificado de feridos. Um luto oficial de três dias foi oficialmente decretado no Iraque. 

    Tendo se pronunciado a respeito dos atentados, a Casa Branca afirmou que as atrocidades em Bagdá apenas fortificam e consolidam a determinação dos Estados Unidos em suplantar, destruir e acabar definitivamente com o Estado Islâmico. Os esforços militares e logísticos empregados pelos Estados Unidos, enviado como um auxílio às forças militares iraquianas, têm sido uma constante, desde que ameaças extremistas tornaram-se comuns na região. Não obstante, a falta de resultados plausíveis gera tensão e frustração em todas as áreas afetadas pelo terror, sendo cada vez mais incontestável a real incapacidade das forças militares iraquianas e americanas combinadas, de eliminarem de forma derradeira a ameaça cada vez mais mortífera que o Estado Islâmico representa. Em recente entrevista a um programa da CBS, o senador americano John McCain disse que “tudo o que precisamos fazer é ir até o Iraque, e mata-los”, afirmando ser perfeitamente possível fazê-lo, com um contingente de dez mil soldados. Não obstante, este tipo de afirmação de burocratas alienados, sem percepção da realidade, tornam-se afirmações cada vez mais vazias e infrutíferas, que deixam as partes afetadas cada vez mais saturadas, e completamente impacientes com discursos vãos, que especificam, teorizam e argumentam planos que jamais são executados de forma satisfatória na prática. De qualquer maneira, não importa o que os burocratas em Washington têm a dizer a respeito do Estado Islâmico, erradica-lo com certeza está sendo bem mais difícil do que pensavam à princípio. Apesar do discurso não mudar, mais atentados ocorrerão, e os mesmos argumentos voltarão a ser debatidos, mais uma vez. O sentimento de desolação, tristeza e abatimento que têm consternado a população iraquiana por muito tempo, pouco a pouco se transforma em um excruciante martírio, que parece não ter fim. 

    As campanhas de terror do Estado Islâmico não têm dado trégua, e parecem ocorrer com uma frequência cada vez maior. Com uma voracidade insana que parece não querer nada, a não ser matar, violar, assassinar, destruir e deturpar, a organização terrorista parece ter como único objetivo semear o caos, vitimar inocentes, e espalhar o nocivo e ignominioso furor de sua implacável e malévola brutalidade, aonde quer que estejam, fazendo em seu caminho um número cada vez maior de vítimas, enquanto espalham sofrimento, abatimento, angústia e desolação aonde quer que passem. A única coisa que podemos esperar do Estado Islâmico é uma intensidade cada vez mais colérica, ensandecida e hostil de suas corrosivas e hediondas atividades destrutivas. Podemos apenas especular aonde atacarão novamente, e com certeza, diversos planos estão sendo traçados pela organização terrorista neste exato momento, enquanto suas futuras vítimas dão seus últimos suspiros de vida. Quando menos esperarem, a brutalidade do terror ceifará delas suas vidas, de forma covarde, violenta e sanguinária, e elas nada poderão fazer, para escapar de tal destino. O elemento surpresa, o covarde, nocivo e virulento aliado do terrorismo, é um funesto e macabro ardil silencioso, que, de forma lancinante, intempestiva e cruel, precisa de apenas um segundo para mudar completamente tudo ao seu redor. E assim que um novo atentado ocorrer, novamente o governo americano repetirá o seu sórdido discurso do “estamos fazendo tudo o que for possível”, enquanto o número de vítimas desta conspícua e depravada guerra insana apenas aumenta. No colérico furor desta cáustica campanha de chacina e mortandade, a malevolência impera absoluta, e as regras do terror permanecem incólumes, ditando as regras vorazes do morticínio absoluto. Aonde a transgressão dos homens promove o caos, a bestialidade e o horror, a beleza da vida desfalece diariamente. 


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