Campo Grande (MS),

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    segunda-feira, 18 de julho de 2016

    LÍNGUA PORTUGUESA| Professor Fernando Marques


    Discursar Corretamente

    1. Introdução 

    A missão do orador é persuadir e a sua meta deverá ser sempre o êxito da obrigação que lhe foi confiada. Para tanto, precisará evitar a falácia e a verbosidade desnecessária, especializando-se no discurso de estilo forte e conciso.

    Há mais de dois mil e trezentos anos, na época áurea da democracia helênica, Aristóteles aconselhava: “... não basta saber o que vamos dizer; é mister dizê-lo de maneira correta”. 

    2. Persuasão

    Persuadir significa submeter; convencer; aconselhar; emocionar; exercer força capaz de levar às lágrimas, estimulando aplausos e encantamento nas plateias. Consoante à organização e à apresentação, os discursos são: polêmicos, autoritários ou lúdicos. 

    Há que se observar que não se trata de categorias autônomas, ou seja, cada discurso contém parte preponderante, aglutinando características dos demais. Desta forma, entende-se que o autoritário pode conter propriedades do lúdico e do polêmico; que o polêmico possa conter partes do autoritário e do lúdico, bem como o lúdico possa conter evidências do discurso polêmico e do autoritário.

    2.1 Discursos polêmicos 

    Discursos polêmicos - são incitadores, providos de forte carga persuasiva. São os que induzem; estimulam; sugestionam; incentivam; aconselham; direcionam. Os argumentos do discurso polêmico podem ser contestados, principalmente aqueles que são manifestados para:
    • a defesa de tese; 
    • para formular juízo sobre questões partidárias ou sobre a atuação de políticos; 
    • para as discussões nas assembleias, entre frequentadores de clubes, associações ou bares;
    • para palestras, conferências, aulas; para os editoriais jornalísticos ou para as crônicas.
    •  função emotiva (apelo à fé; à imperceptível e espontânea submissão);
    • para as discussões nas assembleias, entre frequentadores de clubes, associações ou bares;
    • para palestras, conferências, aulas; para os editoriais jornalísticos ou para as crônicas.

    • 2.2 Características do discurso polêmico

    •  função emotiva (apelo à fé; à imperceptível e espontânea submissão);
    • uso de parábolas, de metáforas e de paráfrases para, de forma imperativa, conduzir o ouvinte;
    • uso de linguagem estereotipada, vinculada a chavões que mantêm os ouvintes sob o domínio dogmatizador;
    • acentuação de que aquilo que é contrário à equidade, ou seja, ao digladiar, à rivalidade, à injustiça, à maléfica ambição, à desarmonia, ao vício, à corrupção, à degradação moral e a outras formas de iniquidade afastam as piores condenações. 
    •  transmissão da ideia de que “laços foram desfeitos” e de que a inexpugnável solidão (que atinge as incompletas e desditosas almas) pode ser anulada pelo sacrifício a ser oferecido ou pelo retorno ao status quo (estado ou situação que a coisa tinha anteriormente);
    • admoestação ante o comportamento da comunidade;
    • advertência em relação à ganância;
    • exortação à fraternidade e à solidariedade.
    3. Discursos autoritários

    Discursos autoritários - caracterizam-se por serem exclusivistas, dominantes, imperativos, extremamente persuasivos.

    Nos discursos autoritários as ponderações ou mediações são anuladas, visto que os receptores, dominados pela palavra, não interferem nem modificam as mensagens.

    O emissor do discurso autoritário impõe-se pelo monólogo. Como exemplos, constata-se:
    • O líder religioso que ameaça com a perda de bênçãos, com o desprezo divino e com o fogo do inferno, àqueles que não derem contribuições e ofertas ou que não “pagarem” o dízimo.
    • Os reclames publicitários que alertam para as perdas de oportunidades.
    • O chefe da família que domina e direciona, sob o pretexto do aconselhamento.
    • Os líderes políticos que dominam os militantes mantendo expectativas de futuro promissor.
    • Os militares que bradam palavras de comando, impondo-se pela hierarquia.
    • Os patrões e superiores hierárquicos que, pela “voz autoritária”, submetem.
    • Do exposto, infere-se que o discurso religioso ou eclesiástico implica aspectos persuasivos dentre os quais se destacam:
    • vocativo subjacente (que não se manifesta, exortação aos cânticos e aos entretenimentos de adoração e exaltação ao CRIADOR;
    • mas está subentendido);
    • exortação aos cânticos e aos entretenimentos de adoração e exaltação ao CRIADOR;
    • conclusão enfática, ressaltando que, pelo dever cumprido, passou-se seguramente à expectativa da graça merecida ou de que, pelos erros cometidos, o castigo eterno será inevitável.

    Continuaremos na próxima semana
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