Campo Grande (MS),

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    quinta-feira, 14 de julho de 2016

    'Fiz o disparo sem mirar no corpo dele', alega à polícia coronel que matou major

    Defesa alega legítima defesa 

    Foto: Luiz Alberto

    Em depoimento na 7ª delegacia da Polícia Civil de Campo Grande, a tenente-coronel da Polícia Militar, Itamara Romeira, que na terça-feira (9) matou com um tiro no tórax marido, o major Valdenir Lopes Pereira, de 47 anos, disse que não mirou no companheiro no momento em que disparou, endossando a tese da defesa de legítima defesa. A oficial foi ouvida na tarde desta quinta-feira (14) pelo delegado Cláudio Zotto, responsável pelas investigações.
    Foto: Luiz Alberto

    Na chegada dela, e na saída, foi montado um aparato para evitar que fossem feitas imagens. Uma mulher, não identificada, entrou coberta por um edredom, passando-se pela tenente-coronel. Enquanto isso, ela entrou na delegacia por uma porta lateral. O repórter Rodrigo Santos, do SBT/MS, filmou em um celular a chegada da policial, no carro do advogado, junto com mais duas mulheres. O advogado e uma delas fazem a proteção da mulher e não é possível vê-la entrando. Confira o vídeo.

    De acordo com o advogado José Roberto Rosa, responsável pela defesa de Itamara, em depoimento, a tenente-coronel disse que a discussão entre o casal começou porque, de última hora, o major teria desistido da viagem em família. “Eles iriam para Maceió, mas no último momento ele desistiu e não explicou as razões”, afirmou Rosa.
    (Divulgação/Arquivo Pessoal)

    Iniciada a discussão, segundo a tenente-coronel disse ao delegado, o marido começou a agredi-la, chegando a chegou a derrubá-la no chão. Itamara relatou que, ao conseguir se livrar das agressões, correu até um dos quartos da residência, onde estava o revólver utilizado no crime. Valdenir, ao mesmo tempo, teria ido até o carro, estacionado na varanda, também para pegar sua arma, guardada no automóvel.

    “Quando pegou a arma ela não pensou, não mirou e fez o disparo que acabou acertando o marido”, alega advogado. O advogado afirma que o casal de policiais estava sozinho na residência, já que a filha, uma adolescente de 13 anos, havia ido à casa da avó despedindo-se para fazer a viagem ao Nordeste com os pais.

    Itamara, conforme o advogado, contou ao delegado que desde 2009 o casamento não estava bem. De acordo com ela, agressões físicas teriam começado em 2014. No depoimento, a tenente-coronel justificou não ter terminado a relação em razão da preocupação com a filha.

    “Existiam relatos dentro da corporação da PM das agressões que ela sofria. Vamos verificar se há algo documentado ou era apenas dizeres verbais”, diz o defensor.

    A tenente-coronel está presa em uma sala especial do Presídio Militar. No local não há mulheres presas e Itamara é vigiada por policiais mulheres. A defesa disse que nesta sexta-feira (15) vai entrar com um pedido na justiça para que o pedido de prisão preventiva seja revogado.

    Como foi

    O crime aconteceu na residência do casal, na Avenida Brasil Central no Bairro Santo Antônio. Segundo a polícia, os dois militares teriam se desentendido e durante a briga a tenete-coronel da Polícia Militar efetuou dois disparos contra do marido. Um deles atingiu o tórax da vítima, que morreu na sala de cirurgia na Santa Casa de Campo Grande.

    Depois do crime, a policial permaneceu dentro da residência ameaçando cometer suicídio. Familiares de Itamara, a advogada e o comandante do 1º BPM (Batalhão da Polícia Militar), major Ajala, foram até o local e conseguiram negociar para que ela se entregasse.

    Para colegas de trabalho dos policiais, o caso surpreendeu, já que o casal era considerado tranquilo. Itamara, que estava lotada no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, foi descrita pelos amigos como uma esposa amorosa.

    Posteriormente, surgiu a versão de que uma briga, envolvendo uma viagem que se iniciara no dia seguinte ao crime, teria sido o estopim de tudo. O advogado da oficial afirmou que, segundo ela contou, agiu em legítima defesa. Itamara passou mal, segundo o delegado apresentava sinais de violência e foi levada para uma clínica psiquiátrica após o fato. Ela chegou a ir à delegacia nesta quarta-feira, mas o depoimento foi remarcado para hoje.





    Fonte: Midiamax
    Por: Clayton Neves, Marta Ferreira e Geisy Garnes

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