Campo Grande (MS),

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    domingo, 24 de julho de 2016

    COI impõe condições, mas permite participação de atletas russos limpos

    Entidade decidiu que os candidatos do país que provarem que estão livres de substâncias proibidas poderão disputar os Jogos. Atletismo, porém, segue excluído 

    À exceção do atletismo, russos estarão no Rio de Janeiro para a disputa da Olimpíada (Foto: Jim Young / Reuters)

    Está decidido. Atletas russos poderão vir ao Rio de Janeiro para a Olimpíada desde que consigam provar que estão livres de qualquer substância dopante. Diferente do que recomendou a Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês), o Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiu manter a participação da delegação da Rússia nos Jogos, mas mantendo a exclusão do atletismo. Uma decisão extrema poderia afetar diretamente 387 atletas convocados pelo Comitê Olímpico do país (ROC) na última terça-feira. Cada federação deverá entregar uma lista de atletas aptos aos Jogos. A palavra final, no entanto, ainda será do COI.

    - Nos reunimos para tomar uma decisão muito difícil. Definimos alguns critérios, e atletas limpos vão ter a chance de participar. Eu acho que, dessa maneira, respeitamos os direitos. Não é uma questão sobre expectativas, é sobre dar a chance aos atletas limpos de disputarem os Jogos. Isso respeita as regras da Justiça e o direito de todos os atletas limpos. Acho que isso dá uma mensagem positiva à próxima geração de atletas russos - disse o presidente Thomas Bach, em uma teleconferência neste domingo. 

    A entidade permitiu a chance de atletas de outros esportes disputarem os Jogos do Rio, mas, para isso, criou uma série de condições. Uma delas é que o atleta não pode ter sofrido nenhuma suspensão por doping anteriormente. Ele precisa estar também de acordo com as exigências do Controle Antidoping, sendo analisado individualmente por sua respectiva federação internacional - o órgão responsável por decidir a aprovação de cada um para disputar os Jogos. Ele estará ainda sujeito a um rígido programa de testes antidoping fora das competições. Bach admitiu a complexidade das medidas às vésperas dos Jogos, mas afirmou acreditar que as federações estarão aptas a entregar os documentos necessários.

    - Sei que é complicado (em função do tempo), mas não teve outro jeito. E tivemos que reagir em um período de tempo muito curto. Por outro lado, oferecemos a oportunidade ao atleta de provar sua inocência. Já tivemos indicados nos critérios para consideração. Muitas federações internacionais já estão se esforçando para seguir esses critérios. Acho que vão estar aptos a mandar os documentos necessários nos próximos dias. 

    O COI também negou o pedido de Yiulia Stepanova para competir como atleta neutra. A entidade resolveu seguir a análise do Conselho de Ética, apesar do papel da russa na descoberta do esquema de doping, e negou a possibilidade. A decisão leva em conta o fato de Stepanova só ter feito a denúncia após ficar fora do esquema de doping existente no país.

    - Enquanto é verdade que o testemunho e as declarações públicas da Sra. Stepanova contribuíram para a proteção e a promoção dos atletas limpos, fair play e a integridade e a autenticidade do esporte, as regras do Conselho Olímpico relacionadas à organização dos Jogos Olímpicos contam a favor do status de atleta neutra. No entanto, a sanção à qual ela foi sujeita e as circunstâncias nas quais ela fez a denúncia as práticas de doping que ela mesmo usou, não satisfaz as exigências éticas para que um atleta entre nos Jogos Olímpicos – diz o depoimento do Conselho de Ética.
    Thomas Bach, presidente do COI: decisão abre portas
     para atletas russos nos Jogos (Foto: Reuters)

    Na quarta, a Corte Arbitral do Esporte (CAS) já havia anunciado que manteria a punição aplicada pela Federação Internacional de Atletismo (IAAF) para que o país não participasse das competições do esporte - a palavra final sobre quem poderia competir como atleta independente é de responsabilidade do COI.

    Na última segunda, o relatório da comissão independente da Wada, feito sob a liderança do professor e advogado esportivo Richard McLaren, confirmou diversas denúncias feitas em maio pelo ex-diretor do laboratório nacional de antidoping da Rússia, Grigory Rodchenkov. Segundo o documento, foi comprovado que o chamado “método de desaparecimento positivo” havia sido utilizado de 2011 a 2015 com supervisão direta do Ministério do Esporte, com assistência de laboratórios de Moscou e Sochi e de agências governamentais como a FSB, nome atual da antiga agência de espionagem soviética KGB.

    Após a divulgação do relatório, o presidente Thomas Bach afirmou se tratar de "um ataque chocante e sem precedentes sobre a integridade do esporte e sobre os Jogos Olímpicos” e que a entidade não hesitaria em tomar as “mais duras sanções disponíveis” contra as partes implicadas. Na terça, o COI anunciou a criação de uma comissão disciplinar para avaliar o assunto com a urgência necessária.

    No dia 21 de junho, a entidade já havia mostrado que adotaria uma política de tolerância zero ao doping ao anunciar que atletas de Rússia e Quênia, classificados em qualquer esporte olímpico, teriam que confirmar individualmente sua elegibilidade para os Jogos do Rio de Janeiro. Para pleitearem as vagas olímpicas, os atletas teriam que apresentar as cartas de inscrição emitidas por seus respectivos Comitês Nacionais e Federações esportivas, se submeterem a exames antidoping em laboratórios internacionais credenciados pela Agência Mundial Antidoping (Wada) e terem aprovação das federações internacionais que regem seus respectivos esportes.

    Confira os tópicos exigidos pelo COI:

    1. O COI não vai aceitar a entrada de nenhum atleta russo nos Jogos Rio 2016 a não ser que o atleta cumpra as condições abaixo.

    2. A entrada será aceita pelo COI apenas se o atleta for capaz de providenciar evidências para satisfação total de sua Federação Internacional (FI) em relação aos seguintes critérios:

    • As FIs*, quando estabelecerem sua lista de atletas russos elegíveis, deverão aplicar o código da Wada e outros princípios acordados pelo conselho olímpico (21 de junho de 2016).

    • A ausência de um teste anti-doping positivo não pode ser considerado suficiente pelas FIs.

    • AS FIS deverão levar um histórico de análises individuais de cada atleta, levando em conta apenas testes internacionais confiáveis, e especificações de cada esporte do atleta e suas regras, para certificar um nível de ação.

    • AS FIs deverão examinar as informações contidas no relatório da Comissão Independente e procurar na Wada o nome dos atletas e das Federações Nacionais que estejam implicados. Se ninguém estiver implicado, seja um atleta, um oficial ou uma Federação Nacional, pode ser aceito para a entrada ou o credenciamento para os Jogos Olímpicos.

    • As FIs também deverão aplicar suas respectivas regras em relação às sanções das Federações Nacionais.

    3. O Comitê Olímpico Russo (ROC) não está permitido a dar entrada de qualquer atleta aos Jogos Olímpicos do Rio 2016 que já tenha sido punido por doping, mesmo que ele ou ela já tenha cumprido a sanção.

    4. O COI vai aceitar a entrada pelo (ROC) apenas se a FI do atleta esteja satisfeita que a evidência dada atinja as condições 2 e 3 acima e se for apoiada por um especialista da lista do CAS apontada por um membro do CAS, independente de qualquer organização de esportes envolvidas nos Jogos Olímpicos do Rio 2016.

    5. A entrada de qualquer atleta russo aceita em última instância pelo COI será sujeita a um rigoroso programa de testes fora de competição de acordo com a FI e com a Wada. Qualquer impedimento para esse programa vai ser seguida pela exclusão imediata de sua credencial pelo COI. 



    * A IAAF já estabeleceu suas regras de elegibilidade em relação aos atletas russos.



    Fonte: G1/GE
    Por: GloboEsporte.com - Lausanne, Suíça

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